Com queda nas filas para atracação e aumento na movimentação de fertilizantes, Diretor-Presidente do Porto de Paranaguá fala sobre projetos e investimentos


Em entrevista ao GlobalFert, Luiz Henrique Dividino, Diretor-Presidente do Porto de Paranaguá, falou sobre as expectativas de movimentação de fertilizantes para o final de 2017 e sobre a queda no valor da demurrage por tonelada nos últimos 6 anos.

Luiz Henrique Dividino é diretor-presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina desde 2012. Tem mais de 30 anos de experiência na atividade portuária, tendo trabalhado em grandes players do mercado tanto em Paranaguá, Santos e no exterior. Na Appa, já atuou nas áreas de planejamento, tecnologia e comercial.

1. O Porto de Paranaguá se destaca como local de entrada de fertilizantes do país. Qual foi a participação dos fertilizantes na movimentação total do porto em 2016 e qual é a perspectiva para 2017?

Em 2016, o Porto de Paranaguá movimentou 8,6 milhões de toneladas de fertilizantes, o que representa 19% da movimentação total do porto e 50% de tudo que é importado por Paranaguá. Em 2017, já foram importadas 6,8 milhões de toneladas do produto até o final de setembro, o que representa um aumento de 6% em relação ao movimentado no mesmo período do ano passado. A expectativa é que o ano feche com uma movimentação de 9 milhões de toneladas de fertilizantes por Paranaguá.

2. Quais são as principais origens dos navios de fertilizantes que desembarcam no Porto de Paranaguá? 

Os principais países que embarcam com destino para Paranaguá e Antonina são Rússia, Estados Unidos, China, Canadá e África.

3. O uso de contêineres para o transporte de fertilizantes tem sido uma opção aos navios graneleiros que podem gerar perdas no decorrer do processo devido às diversas operações realizadas até o momento da descarga. Qual é a sua visão em relação à importação de fertilizantes via contêineres?

Em função da grande demanda, os Portos do Paraná se especializaram na descarga a granel oferecendo inúmeras alternativas, tais como descarga direta, descarga via esteira direta ao terminal, regime alfandegado ou entre-postado.

Este conjunto de opções de descarga é extremamente controlado com perdas muitos inferiores aos mínimos estabelecidos pelos produtores e compradores.

Para os importadores de produtos prontos ou lotes líquidos, com entregas programadas, os serviços de transportes por contêiner são mais uma opção.

4. O Porto de Paranaguá é o porto que mais recebe fertilizantes no Brasil. Existe uma diferença expressiva entre os custos portuários de Paranaguá e Santos na operação dos fertilizantes que justifique o maior percentual do produto direcionado para o Porto de Paranaguá?

Pela sua localização, o Porto de Paranaguá tem uma vocação natural para o agronegócio. Por estar mais próximo dos grandes polos produtores de grãos, o porto paranaense se estabeleceu como a melhor solução para a entrada de fertilizantes e a saída de grãos, que, na prática, integram a mesma cadeia produtiva, já que o produtor agrícola que compra o adubo é o mesmo que produz a soja, o milho ou qualquer outra cultura e, mais tarde, exporta por Paranaguá.

Mas é claro que, além disso, nós desenvolvemos uma estrutura de armazéns de retaguarda e de descarregamento que confirma Paranaguá como referência no assunto. Somos o porto com maior número de guindastes de descarga fertilizantes em todo o país, fizemos uma reforma no cais de acostagem que, entre vários benefícios, permitiu a operação dos MHC, que são equipamentos pesadíssimos e que agora operam com toda a segurança em Paranaguá, e trocamos as balanças e reformamos todos os portões, automatizando os processos de entrada e saída de caminhões, o que faz a operação ficar muito mais rápida.

Com tudo isso, as filas para atracação diminuíram drasticamente, apesar do aumento na movimentação, e o custo da operação por Paranaguá se consolidou como a mais atraente para o usuário.

De 2011 para cá, o valor da demurrage por tonelada de fertilizante em Paranaguá caiu 72,3%. No total, esta redução representa uma economia de aproximadamente U$ 75 milhões ao ano, o que só confirma o porto paranaense como a melhor alternativa para a operação de fertilizantes no país.

O fertilizante é um item importante da pauta de importações do Paraná e tem um tratamento diferenciado dentro do planejamento da Autoridade Portuária e em função do fluxo de transporte terrestre disponível, oferecemos transporte rodoviário durante o ano todo para todos os destinos em nossa área de abrangência.

5. As importações de fertilizantes estão maiores em relação aos últimos anos. Existem planos de investimento em infraestrutura para aumentar a capacidade de descarregamento de fertilizantes no Porto de Paranaguá?

Os Portos do Paraná estabeleceram em 2012 o planejamento para o atendimento deste segmento. Realizamos a reforma e aprofundamento da infraestrutura de atracação, adquirimos 12 novas balanças de plataforma automatizadas, implantamos sistemas de segurança para acesso ao cais, com controle e monitoramento de CFTV, OCR e RFID, que possibilitam ganhos de produtividade e integração dos dados com os importadores.

  Berços Disponíveis para Segmento Fertilizantes 

Berços Fertilizantes

2012

2017

2020

Públicos Preferenciados

2

3

3

Públicos Alternativos

2

2

2

Privados

2

3

5

Total

6

8

10

 

Em 2012, estabelecemos um grande programa de expansão da oferta de berços de atracação, que deverá atingir em 2020 quase o dobro do número de berços existentes até então. 

Quando analisamos todas as ações relacionadas aos ganhos de produtividade, obras realizadas, programas de expansão do atendimento deste setor e principalmente a melhoria da qualidade e do nível de serviço prestado, temos certeza que a decisão de movimentar via Portos do Paraná não é só o melhor preço dos serviços prestados.

Sobre o Porto de Paranaguá

O Porto de Paranaguá, maior porto graneleiro da América Latina, iniciou suas atividades em 1872. Atualmente é um dos mais importantes centros de comércio marítimo do mundo. Entre as principais cargas movimentadas no porto se destaca o fertilizante, a soja, o milho, contêineres, álcool, veículos entre outras cargas.

 

Equipe GlobalFert, 31/10/2017

 



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