Preços dos fosfatados podem sofrer pressão altista, diz Marcos Stelzer, Diretor da CMOC Internacional Brasil


Em entrevista ao GlobalFert, Marcos Stelzer, Diretor Executivo da CMOC International Brasil, falou sobre a importância do segmento de fertilizantes para a empresa, os planos de investimento e a tendência para o mercado de fosfatados para os próximos meses. 

Marcos Stelzer, trabalhou por 27 anos na Anglo American, sob o cargo de Diretor Comercial e Supply Chain da Anglo American Níquel, Nióbio e Fosfato. Atualmente é o Diretor Executivo da CMOC International Brasil, responsável pelas operações de Fosfato e Nióbio no país. 

1. A CMOC International Brasil, braço internacional da China Molybdenum, adquiriu as operações de fosfatos da Anglo American em 2016. Qual a visão da empresa em relação à produção brasileira de fertilizantes? Atualmente, quais são os maiores desafios de se produzir no país?

A CMOC adquiriu as operações da Anglo American motivada, principalmente, pela qualidade dos ativos das operações e do time da empresa. A aquisição posiciona a CMOC como o segundo maior fornecedor de fosfatos no Brasil e vislumbra um grande potencial para o mercado de fertilizantes. O Brasil, por suas características e peculiaridades é um dos grandes produtores de alimentos do mundo e, com isso, a potencialidade dos fertilizantes está assegurada. Atualmente, o grande desafio do setor é conseguir expandir a sua capacidade produtiva e atender à crescente demanda do mercado doméstico. Atualmente as importações de fertilizantes fosfatados estão ao redor de 60% da demanda nacional. Em 2017, enxergamos que o mercado de fertilizantes deve apresentar um desempenho mais comedido em relação ao ano anterior, muito em função dos menores preços das principais commodities agrícolas, mas nossas vendas têm avançado em linha com o nosso planejamento. 

 2. Além de atuar no mercado de fertilizantes a CMOC International Brasil atua em diversos setores. Qual a participação dos fosfatos nos negócios da empresa e de que forma o segmento de fertilizantes é visto dentro da empresa?

Além de produzir fertilizantes de alta e baixa concentração, produzimos em nossas operações fosfato bicálcico (DCP), os ácidos fosfórico, sulfúrico e fluossilícico; barita e fosfogesso. No Brasil, a CMOC International Brasil também atua na produção de nióbio através da Niobras, que posiciona a empresa como a segunda maior fornecedora mundial. (Em receita líquida, a participação de fosfatos é de 70%.) O segmento de fertilizantes é visto como importante e estratégico para o portfólio da CMOC, em função da oportunidade de diversificação e da participação de uma indústria que apresenta robustos fundamentos de longo prazo.

3. A CMOC - Copebrás possui uma mina em Ouvidor, além das plantas industriais em Catalão e Cubatão. Apesar do recente início no mercado brasileiro de fertilizantes, a empresa possui planos para expandir sua capacidade produtiva?

Desde que a CMOC adquiriu os ativos da Anglo American, em outubro de 2016, nosso foco sempre foi continuar o processo de melhoria e estabilidade de nossas operações. O nosso objetivo é atingir o pleno potencial dos ativos, melhorando cada vez mais o nosso desempenho em segurança e contribuindo com o desenvolvimento social das comunidades aonde estamos inseridos. Contudo, faz parte da nossa estratégia, projetos para aumentar a nossa capacidade produtiva de fosfatados para suprir a crescente demanda do mercado do Centro Oeste.

4. A comercialização de fosfogesso tem aumentado no mercado brasileiro nos últimos anos. Quais são as expectativas de longo prazo em relação a capacidade produtiva da Copebras para esse produto? 

O gesso agrícola é um importante insumo para a produtividade na agricultura. Através da gessagem, há o fornecimento de cálcio para camadas mais profundas do perfil do solo e diminuição do teor de alumínio em profundidade do mesmo - este elemento é uma verdadeira barreira química contra penetração das raízes. Assim, com maior penetração das raízes as plantas tornam-se mais resistentes à secas e mais produtivas. Adicionalmente, é uma fonte rica em enxofre que, por estar em forma de sulfato (SO4-2), faz com que as plantas absorvam este nutriente mais rápido e com ação imediata. Com a perspectiva de crescimento do setor agrícola nos próximos anos, a expectativa é que a demanda continue a crescer, assim como ocorre com a demanda de fertilizantes. Atualmente nós produzimos fosfogesso nas duas unidades da Copebras, e sua comercialização é realizada em nossa área de influência. Com a nova estratégia e nosso potencial aumento da capacidade produtiva, também teremos uma maior disponibilidade de fosfogesso que nos permitirá atender o crescimento da demanda nas principais regiões produtoras do país. 

5. A instabilidade da taxa de câmbio e as restrições de crédito deixaram os produtores de soja cautelosos e atrasaram as compras de fertilizantes para a nova safra. Qual é a sua visão em relação aos preços dos fertilizantes fosfatados nos próximos meses com o início do plantio da soja? 

 Os preços estão estáveis e devem permanecer desta forma. No entanto, não descarto uma pressão altista sobre os preços em função de uma concentração das compras em prazo curto para movimentação do produto causada exatamente pela decisão dos agricultores de atrasar a decisão de compras.  

Sobre a CMOC International Brasil

A CMOC International Brasil é uma subsidiária da CMOC International, companhia criada na República Popular da China em 2006, e atua no Brasil com mineração e beneficiamento de nióbio e fosfatos. A companhia iniciou suas atividades no Brasil em 2016 com a aquisição das operações de nióbio e fosfatos da Anglo American no Brasil. 

 

Equipe GlobalFert, 30/08/2017

 



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