Fertilizante ameniza impacto da seca e surpreende pesquisadores

A adubação pode proteger as plantas contra a seca. Esse foi o resultado inesperado de um estudo global liderado por pesquisadores de nove países, incluindo a professora Amber Churchill, da Universidade de Binghamton em Nova Yorque. O experimento revelou que a aplicação de nutrientes ajudou a manter o crescimento das gramíneas mesmo durante períodos curtos de estiagem extrema. A pesquisa foi realizada em 26 áreas experimentais distribuídas por todos os continentes habitados.
Cientistas testaram os efeitos combinados de seca severa e fertilização em ecossistemas de pastagens naturais. Em média, a seca reduziu o crescimento vegetal em 19%. A fertilização aumentou esse crescimento em 24%. Quando os dois fatores ocorreram juntos, o impacto médio foi nulo.
Gramas e outras plantas do tipo graminoide responderam de forma positiva à adição de nutrientes, mesmo com a escassez de água. Esse comportamento surpreendeu os cientistas. A expectativa inicial era de que, sob condições áridas, as plantas não reagiriam à adubação. No entanto, o resultado foi o oposto: elas conseguiram aproveitar os nutrientes disponíveis e seguir crescendo.
Os pesquisadores utilizaram nitrogênio, fósforo, potássio e uma dose única de micronutrientes. Cada local testou a mesma metodologia, o que deu ao estudo um alcance sem precedentes. As respostas das plantas variaram conforme o clima e o tipo de solo. Em regiões áridas, o efeito dos fertilizantes foi mais forte. Em áreas úmidas ou com solos já ricos em nutrientes, o impacto foi menor. Locais com maior diversidade de espécies mostraram maior sensibilidade tanto à adubação quanto à seca. Apesar do otimismo cauteloso, os autores alertam que os efeitos da fertilização em larga escala ainda carecem de análise. Além do custo elevado, há riscos ambientais associados ao uso excessivo de adubos.
Revista Cultivar, adaptado GlobalFert, 20/05/2025.



