13º Congresso Brasileiro de Fertilizantes da ANDA destaca segurança de suprimento, descarbonização e agenda estratégica para o agro

O GlobalFert esteve em São Paulo no dia 25/08 para o 13º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) e traz os principais destaques do evento.
Realizado desde 2011, o evento reúne lideranças, especialistas e executivos do mercado nacional e internacional para debater desafios, oportunidades e estratégias voltadas ao fortalecimento da cadeia de insumos agrícolas no Brasil.
A edição de 2026 colocou em pauta temas como: geopolítica, segurança de abastecimento e a necessidade de reduzir a dependência externa do país. Veja os principais destaques:
Geopolítica continua no centro das preocupações
O principal tema da edição de 2026 foi a crescente influência da geopolítica sobre o mercado global de fertilizantes. Durante o painel de abertura, especialistas discutiram como o Brasil pode reduzir sua vulnerabilidade externa em um contexto marcado por incertezas comerciais, conflitos regionais e volatilidade logística. As discussões reforçaram a importância da diversificação de fornecedores, do fortalecimento de cadeias estratégicas e do avanço das diretrizes previstas no Plano Nacional de Fertilizantes.
A preocupação é justificada pela relevância dos insumos importados para o agronegócio brasileiro. O consenso entre os participantes foi que garantir o abastecimento de nitrogênio, fósforo e potássio continuará sendo um dos principais desafios para sustentar o crescimento da produção agrícola nacional nos próximos anos.
Economia global e demanda agrícola pressionam mercado
Outro destaque do congresso foi o debate sobre o equilíbrio entre oferta e demanda global de fertilizantes. Foi apontado que o crescimento contínuo da demanda por alimentos mantém o Brasil em posição estratégica no mercado internacional, mas também aumenta a necessidade de previsibilidade para produtores, distribuidores e indústrias.
Descarbonização ganha protagonismo
A agenda de sustentabilidade foi um dos pontos mais fortes do evento. O painel “Do Potencial à Escala: reindustrializar para crescer, descarbonizar para liderar” destacou a necessidade de o Brasil ampliar investimentos em tecnologias de baixa emissão de carbono e fortalecer sua competitividade global por meio da inovação industrial.
Entre os temas debatidos estiveram a produção de amônia verde, o avanço dos fertilizantes de menor pegada de carbono, o crescimento dos biofertilizantes e o uso crescente de tecnologias voltadas à eficiência nutricional das culturas. A agricultura de precisão foi apontada como uma ferramenta fundamental para melhorar o aproveitamento dos nutrientes e reduzir perdas ambientais.
Reindustrialização e produção nacional entram na pauta estratégica
O fortalecimento da indústria brasileira de fertilizantes foi apresentado como peça-chave para reduzir dependências externas, aumentar a segurança alimentar e gerar maior competitividade para o agronegócio.
A mensagem predominante foi que o país possui potencial para atrair investimentos em mineração, transformação industrial e infraestrutura logística, desde que sejam mantidas condições favoráveis para novos projetos e para a expansão da produção local.
Agenda política para os próximos anos
O encerramento do congresso foi marcado por discussões sobre os desafios do setor para os próximos ciclos políticos e econômicos. Lideranças da cadeia de fertilizantes defenderam políticas públicas voltadas à competitividade, segurança regulatória, inovação tecnológica e fortalecimento da produção doméstica.
A expectativa da indústria é que a agenda construída nos debates deste ano sirva de base para futuras ações governamentais, contribuindo para consolidar o Brasil como uma potência agrícola sustentável e menos exposta às oscilações do mercado internacional.
O que o produtor rural deve observar
Para produtores, cooperativas e distribuidores, a principal leitura do 13º Congresso da ANDA é que o mercado de fertilizantes entra em uma fase em que comprar bem exigirá mais planejamento, diversificação de origens e atenção constante aos riscos externos.
A geopolítica seguirá como um dos principais fatores de pressão sobre preços, fretes e disponibilidade, especialmente em cadeias dependentes de rotas marítimas estratégicas e fornecedores concentrados.
Nesse contexto, a eficiência no uso de nutrientes deixa de ser apenas uma agenda técnica e passa a ser uma ferramenta direta de proteção de margem, principalmente em momentos de volatilidade cambial, logística e de matérias-primas.
Ao mesmo tempo, soluções de menor pegada ambiental, como amônia verde, biofertilizantes e tecnologias de maior eficiência nutricional, tendem a ganhar espaço, ainda que sua adoção dependa de escala, custo competitivo e disponibilidade comercial.
Para o Brasil, o avanço da produção nacional permanece estratégico, mas não elimina a necessidade de gestão ativa de suprimento, já que a dependência externa continuará relevante no curto e médio prazo.
Assim, compradores devem acompanhar com maior proximidade indicadores de oferta global, custos de energia, fretes internacionais, câmbio e políticas públicas, incorporando esses fatores às estratégias de negociação e formação de estoques.
Em síntese, o Congresso da ANDA de 2026 reforçou que segurança de suprimento, sustentabilidade e competitividade industrial formarão o eixo central do mercado brasileiro de fertilizantes na próxima década. Para o comprador, a mensagem é objetiva: decisões antecipadas, gestão de risco e leitura estratégica do mercado serão cada vez mais determinantes para proteger custos e garantir abastecimento.
Congresso ANDA, adaptado por GlobalFert 26/08/2026



