Com Ormuz bloqueado e tensões globais em alta, Mercosul corre para selar acordo de potássio com o Canadá

O Brasil enfrenta a dependência quase total de fertilizantes importados. Essa fragilidade ficou ainda mais exposta com o conflito no Oriente Médio. O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã interrompeu uma rota por onde passava cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes.
É nesse cenário que o Mercosul acelerou as negociações com o Canadá para garantir fornecimento alternativo de potássio. A informação foi revelada pelo diplomata João Carlos Parkinson de Castro, coordenador nacional dos corredores bioceânicos, durante fórum realizado em Campo Grande (MS). Segundo ele, o bloco está prestes a anunciar a conclusão do acordo, com operações previstas para 2027.
As negociações entre Mercosul e Canadá foram formalmente retomadas em outubro de 2025 e ganharam ritmo incomum. Fontes dos governos brasileiro e argentino confirmaram à Reuters que um acordo pode ser assinado já entre setembro e outubro de 2026. Além do potássio, a mesa de negociações inclui acesso a mercados para açúcar, carne bovina e frango, além de capítulos sobre serviços, investimentos e propriedade intelectual.
A viabilidade logística do acordo depende, em parte, de uma obra em andamento: a Rota Bioceânica de Capricórnio. O corredor rodoviário de mais de dois mil quilômetros ligará o Centro-Oeste brasileiro aos portos chilenos de Iquique e Antofagasta, atravessando Paraguai e Argentina. Com a rota operacional, o potássio canadense poderia chegar ao Brasil pelo Pacífico, eliminando a exposição às outras rotas de importação atlânticas que cruzam o Oriente Médio.
A ministra do Planejamento Simone Tebet afirmou em abril que as obras têm orçamento assegurado no Novo PAC e que a conclusão pode reduzir em até 30% o custo do frete em relação às rotas atuais via Porto de Santos.
Campo grande News, adaptado por GlobalFert, 29/05/2026



