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Crédito rural recua no início do Plano Safra 2025/26 e reflete ambiente financeiro mais restritivo

O desembolso de crédito rural pelas linhas tradicionais caiu cerca de 15% na primeira metade do Plano Safra 2025/26, totalizando R$ 188 bilhões, abaixo dos R$ 220,3 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior. O recuo ocorre em um contexto de juros elevados, maior endividamento no campo e exigências mais rígidas de provisionamento por parte das instituições financeiras, o que tem dificultado o acesso dos produtores ao financiamento.

A retração foi mais intensa nas operações de investimento e entre grandes produtores. Os financiamentos voltados a investimentos caíram quase 29% nos primeiros seis meses da safra, para R$ 42,4 bilhões, dando sequência à tendência observada no ciclo anterior. Esse grupo tem recorrido com maior frequência às Cédulas de Produto Rural, cujo volume cresceu 30% até novembro de 2025, superando R$ 101 bilhões, como alternativa ao crédito rural tradicional.

Nas demais modalidades, as operações de custeio apresentaram queda de 15%, somando R$ 127,1 bilhões, enquanto o crédito para comercialização recuou 9%, para R$ 18,1 bilhões. O único avanço foi observado nos financiamentos para industrialização, que cresceram 40% e alcançaram R$ 19 bilhões no período. A elevação das taxas de juros e a compressão das margens têm levado produtores a adiar investimentos de longo prazo, como a renovação de máquinas e equipamentos.

Entre médios e pequenos produtores, a retração do crédito foi mais limitada. A agricultura familiar manteve relativa estabilidade, com desembolsos de R$ 37,6 bilhões entre julho e dezembro de 2025, apoiados por juros subsidiados e programas de renegociação de dívidas. A repactuação via Desenrola Rural favoreceu o retorno de produtores ao sistema financeiro, ampliando contratos do Pronaf e mitigando parcialmente as restrições de crédito no campo.

Esse cenário tende a sustentar a demanda por fertilizantes em segmentos de menor escala, reduzindo o risco de queda mais acentuada no consumo e contribuindo para uma base mínima de compras, especialmente em culturas de ciclo curto e sistemas mais dependentes de crédito oficial.

Globo Rural, adaptado por GlobalFert, 19/01/2026.

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