Sumário

Parte 1

Tecnologia e Inovação em Grãos

Capítulo 1


MERCADO DE GRÃOS


A expectativa de aumento da área da safra de grãos no Brasil para 2020/21 em relação a 2019/20 é de 1,6%, o que passaria de 65,92 para 67 milhões de hectares. Culturas como o algodão, amendoim, arroz, aveia, canola, centeio, cevada, feijão, gergelim, girassol, mamona, milho, soja, sorgo, trigo e triticale são responsáveis pela safra brasileira de grãos, sendo que o milho e o feijão possuem três safras, o amendoim duas e todas as demais culturas possuem apenas uma safra.

Na safra 2020/21, a soja está sendo o destaque. Presente em 38,27 milhões de hectares nacionais, a área de sojicultura nacional expandiu 3,6% em relação a safra anterior.

Além do aumento na área, é importante ressaltar que a soja, juntamente com o milho de 2ª safra, representam 77,7% da área total cultivada de grãos no Brasil.


O QUE DEVEMOS ESPERAR NA SAFRA 2020/21?


Há expectativa de aumento da produção de grãos no Brasil de 3,1% na safra 2020/21 em relação a safra 2019/20, totalizando 264,8 milhões de toneladas, das quais 89% são de soja e milho.

O algodão, entretanto, deverá ter uma redução de 16% na produção da safra 2020/21, resultado da menor área de cultivo somada a menor produtividade. A Covid-19 reduziu as compras e negociações de algodão em 2020, elevando os estoques mundiais. Com este cenário de incertezas, os produtores reduziram a área de plantio em 2020/21. MERCADO DE GRÃOS É a primeira vez que o consumo industrial superou o alimentício Com o acordo comercial entre China e Estados Unidos, a China deve adquirir maior parcela de soja americana. As exportações dos Estados Unidos deverão aumentar 32,58% na temporada 2020/21. PRODU







Fonte : Conab adaptado


PREÇO


Ao longo de 2020, o preço da soja e do milho atingiram níveis recordes no mundo. O preço médio do milho em 2019 era de R$27,9 e subiu em 2020 para R$47,66 a saca de 60 quilos, uma elevação de 70,7%. Já para a soja, a elevação foi de 52,1%, passando de R$71,75 para R$109,13 a saca de 60 quilos.

Esses aumentos foram ocasionados pela:

Valorização cambial que elevou as exportações;

Exportação de soja para a China acima do previsto;

Baixa oferta nacional de grãos;

Alto consumo interno;

Impactos do La Niña na produção de milho.

Para 2021, a expectativa é que o preço do milho e da soja sigam em patamares elevados.


SOJA


Ao contrário do algodão, os bons resultados em 2019/20, somados à expectativa de alta demanda pela China, contribuíram para perspectiva de aumento da área e produtividade da soja.

Apesar do clima seco que prejudicou o início da safra 2020/21 de soja, com a retomada das chuvas a expectativa voltou a ser otimista. A safra deverá ser recorde, alcançando 133,817 milhões de toneladas. Aproximadamente 64% deste volume é destinado a exportação, principalmente para a China, e os demais 36% ao mercado interno para atender a maior demanda por farelo de soja para produção de ração para rebanhos e por óleo de soja para mistura do biodiesel, que passará de B12 para B13. Os estoques nacionais seguirão baixos e os preços em patamares mais elevados em 2021.

Consumo da safra nacional 2020/21
Total 48,1mi t 3,46%
Farelo de soja 18,5mi t 2,80%
Óleo de soja 7,7mi t 4,19%

É a primeira vez que o consumo industrial superou o alimentíco

Exportação da safra nacional 2020/21
Total 7,7%
Farelo de soja 4,0%
Óleo de soja 0,5%

Com o acordo internacional entre China e Estados Unidos, a China deve adquirir maior parcela em soja americana. As exportações dos Estados Unidos deverão aumentar 32,58% na temporada de 2020/21.


MILHO


A safra 2020/21 tem como expectativa um aumento de 0,1% na produtividade e de 3,1% na área plantada. Em função disso, a produção brasileira de milho crescerá 2,9% em relação à safra anterior

A cultura do milho é dividida em 3 safras. A produção total de milho em 2020/21 está prevista em 102,31 milhões de toneladas, 75,9% serão produzidas na 2ª safra, 22,4% na 1ª safra e somente 1,7% na 3ª safra.

Para a 1ª safra de milho há expectativa de redução da produção em 8%, devido ao clima seco que afetou o plantio e desenvolvimento do milho, principalmente no Sul.

Já para a 2ª safra de milho, devido aos preços atrativos deste cereal, a previsão é que a área cresça 4,4% em relação a safra 2019/20, a produtividade aumente 2,2% e a produção seja 6,7% maior. Porém, como a safra 2020/21 de soja foi mais tardia e lenta que nas safras anteriores, poderá haver impactos na semeadura e plantio da 2ª safra de milho. O plantio na safra 2020/21 se mostra mais atrasada que nos anos anteriores.


RELAÇÃO DE TROCA


O aumento mais expressivo no preço do milho e soja em relação ao preço dos fertilizantes entre 2019 e 2020 fez com que a relação de troca fi casse mais favorável para o produtor em 2020.

Enquanto a soja subiu 52,1%, o preço médio anual em reais do fertilizante aumentou apenas 4% entre 2019 e 2020, desta forma, a relação de troca com a soja melhorou em 28,5% em 2020.

A cultura do milho foi ainda mais beneficiada, entre a média anual de 2019 e 2020, a relação de troca ficou 37,3% mais favorável, resultado do aumento de 70,7% no preço da commodity, enquanto que o preço do fertilizante subiu apenas 5%.

*Média de preço das fórmulas 00.18.18; 02.20.20; 02.20.18; 04.30.10; Cloreto de potássio; MAP; TSP e SSP.

*Média de preço das fórmulas 08.20.20; 10.15.15; 10.30.20; 12.31.17; 30.00.20e Uréia.


DEMANDA DE FERTILIZANTES


As culturas da soja e do milho demandam aproximadamente 61% do total de fertilizantes consumidos nacionalmente.


DEMANDA NAS CULTURAS


Com a previsão de aumento na área de soja na safra 2020/21, somada a maior capitalização do produtor, a expectativa é que a demanda por fertilizantes para soja e milho continue aumentando. Em 2021, a demanda por fertilizantes poderá ultrapassar 17 milhões de toneladas na cultura da soja e 7 milhões de toneladas no milho.


TECNOLOGIA E INOVAÇÃO EM GRÃOS


No início do Capítulo foi tratado sobre a relevância da produção nacional de grãos. O Brasil tem posição de destaque nos rankings de maior produção e exportação de soja e milho, juntamente com as grandes potências Estados Unidos e China. Essas culturas têm gerado boa rentabilidade ao produtor e, cada vez mais, investe-se em aumento de produtividade.

Neste sentido, as instituições de pesquisa públicas e privadas desenvolvem produtos que proporcionam melhor desempenho da cultura. Na nutrição vegetal de grãos, o mercado visa oferecer produtos com alta solubilidade, absorção e translocação, com formulações completas (multielementares) e com compatibilidade físico-química com defensivos, para não só atender a demanda por nutrientes, como também reforçar a planta, diminuindo a suscetibilidade a doenças e aumentando sua resistência.

Outra tecnologia, a aplicação de nutrientes via foliar, já é uma prática bastante difundida, principalmente para suprir as necessidades de micronutrientes. Entretanto, o magnésio, que é um macronutriente secundário de grande importância para as plantas, acaba sendo negligenciado, de forma que ainda é comum nos depararmos com deficiência deste nutriente nas culturas. Isso acontece porque apenas a aplicação de calcário para correção do pH nem sempre é capaz de suprir toda a necessidade. Dessa forma, a aplicação foliar de sulfato de magnésio no período de florescimento e/ou início do enchimento de grãos é uma boa alternativa para evitar ou corrigir esse problema e deve fazer parte do manejo nutricional de uma lavoura produtiva.

O GAPE (Grupo de Apoio a Pesquisa e Extensão da ESALQ-USP), tem em campo alguns experimentos para a soja, safra 2020/21, dentre eles, a identificação do potencial de uso de biofertilizantes e avaliação da eficiência agronômica de fertilizantes organominerais. Ambos mostram uma tendência cada vez mais forte de utilização de outras formas de adubação que não somente os tradicionais fertilizantes minerais. Além disso, aproveitar os dejetos da pecuária e suinocultura nas plantações é uma solução eficiente para manejo de resíduos e integração de sistemas, gerando incrementos produtivos nas lavouras.

Os biofertilizantes aumentam o aporte de microrganismos benéficos que atuam na reciclagem de nutrientes. Na soja, experimentos demonstraram aumento no número de grãos por planta na aplicação de biofertilizantes quando comparada ao controle. Dentre os benefícios de seu uso na agricultura, pode-se listar:

Retenção da umidade do solo;

Melhorias biológicas, químicas e físicas no solo;

Melhoria na estrutura orgânica e prevenção de erosão;

Liberação gradual de nutrientes.

Da mesma forma, os ácidos húmicos e fúlvicos têm conquistado espaço nas culturas do milho e da soja. Na cafeicultura a aplicação já é comum e proporciona excelentes resultados, melhorando o sistema radicular, o crescimento de brotos e diminuindo a bienalidade. Esses compostos promovem melhorias na física do solo, como na textura, umidade e aeração, e na química do solo, atuando na estabilidade do pH e aumentando a CTC (Capacidade de troca catiônica), favorecendo a disponibilidade de nutrientes.

As substâncias húmicas também melhoram o aproveitamento dos fertilizantes minerais, uma vez que promovem maior disponibilidade do fósforo adsorvido e diminuem problemas de salinização do KCl.

Para a cultura da soja, estudos comprovaram que a interação das bactérias fixadoras de nitrogênio com os ácidos húmicos faz com que a nodulação e a fixação sejam mais eficientes e, portanto, os resultados produtivos sejam maiores. Além disso, a maior região produtora de soja no Brasil se encontra no Cerrado, que se caracteriza por ser pobre em matéria orgânica, assim, a aplicação de ácidos húmicos consegue grandes respostas pela cultura.

Os ácidos fúlvicos auxiliam na entrada de macro e micronutrientes no interior da planta, promovendo maior desenvolvimento vegetativo e das raízes. Como resultado tem-se maior número de vagens por planta, aumentando a produtividade de grãos. A aplicação se dá por pulverização foliar, sendo econômica e eficiente, pois o ácido fúlvico penetra facilmente a cutícula das folhas.

Com o emprego de tecnologia nas culturas de grãos cada vez mais presente, desde o melhoramento genético até a eficiência na colheita, fica evidente que apenas a adubação mineral convencional não é mais sufi ciente para os produtores que almejam ganhos em produtividade a cada safra. Aplicações complementares com fertilizantes organominerais, biofertilizantes e fertilizantes foliares com formulações cada vez mais completas que supram as necessidades de macro e micronutrientes, são tecnologias fundamentais para que a planta expresse o seu potencial ao máximo.

ADRIANO BARZOTTO

Presidente da APROSOJA-GO (Associação
dos Produtores de Soja e Milho de Goiás)


ADRIANO BARZOTTO FALA SOBRE OS DESAFIOS NA PRODUÇÃO DE GRÃOS


Nossas perspectivas seguem positivas em 2021, mas aproveitar o momento continuará exigindo a dedicação integral dos produtores rurais, ainda mais com a grande elevação dos custos de produção, fortemente impactados pelo dólar. Talvez o maior desafio dentro da porteira seja manter a propriedade lucrativa, por isso, planejamento, gestão e prudência são os pilares para a longevidade do negócio.

A cada dia surgem tecnologias, consultorias e uma infinidade de produtos e serviços que nos são oferecidos e, claro, têm seu custo. Assediado por todos os lados, o produtor acaba comprometendo sua margem de lucro na esperança de que o uso intensivo de novidades resulte em maior produtividade, mas não é bem isso o que se vê no campo. A produtividade não aumenta na mesma proporção que as novidades aparecem.

Fora da porteira o desafio não é menor e a união dos produtores e suas entidades representativas também seguirá sendo decisiva no processo de expansão da atividade. Temos um longo caminho a ser trilhado em busca de política agrícola adequada, crédito acessível, logística eficiente e muitos outros desafios precisam ser superados coletivamente para manter o Brasil no rumo da liderança global de produção de alimentos.

“Além de perfil de solo corrigido, para permitir o adequado enraizamento em profundidade, a obtenção de altos níveis de produtividade de sistemas soja-milho requer reposição anual dos nutrientes exportados pelas colheitas. Em solos pouco férteis, em início de cultivo, é necessário um investimento ainda maior para elevar os teores de nutrientes para valores acima do nível crítico. A partir daí, é caprichar na escolha do fertilizante que supra as demandas nutricionais e se preparar para boas colheitas. Porém, atualmente, agricultores modernos não devem se preocupar somente com o fertilizante NPK. É necessário ir além. Se preocupar também com os demais elementos, com destaque para Ca, Mg, S e os tão falados micronutrientes.

Ou seja, para obtenção de elevadas produtividades, também devemos nos preocupar com adequado fornecimento de Mg, elemento tão esquecido nos programas de adubação. Outro nutriente em destaque é o enxofre, elemento móvel que não se acumula no solo por longos períodos, precisando de reposições contínuas. Para isso, tem crescido o uso de adubos que contenham parte deste nutriente na forma elementar, com maior efeito residual no solo. E, falando de micronutrientes, o B tem chamado atenção por apresentar sempre teores baixos no solo, devendo ser reposto preferencialmente via adubação sólida (via solo) tanto em soja, quanto em milho e algodão. Para os demais micronutrientes, como Zn, Mn e Cu, além da aplicação via solo, pulverizações foliares em estágios específicos da cultura têm ganhado importância. A mensagem final é que agricultores que buscam níveis mais altos de produtividade devem se preocupar com outros nutrientes além do tradicional NPK!”

Prof. Dr. Rafael Otto
Professor de Adubos e Adubação do Departamento de
Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura Luiz de
Queiroz (ESALQ/USP)