As misturadoras são responsáveis por criar as formulações necessárias para atender as diversas demandas. No Brasil, tem-se registradas 513 unidades de mistura, com a seguinte distribuição:
As principais empresas produtoras de NPK no Brasil são a Mosaic, Yara, Fertipar, Fertilizantes Tocantins (EuroChem Fertilizantes Tocantins) e Heringer. A multinacional Eurochem adquiriu a Fertilizantes Tocantins, elevando sua participação no mercado, com aumento de 6% em relação ao ano passado.
Fonte: MAPA. Adaptação GlobalFert
Além das matérias-primas e da produção nacional de formulações, o Brasil também importa fórmulas prontas. Em 2020, o volume importado foi de 1,44 milhão de toneladas de NPK, queda de 7% em relação a 2019. Os principais portos de entrada foram Paranaguá, Rio Grande e Santos, e os principais países de origem foram a Rússia, Finlândia e Marrocos.
Com os bons preços das commodities agrícolas, principalmente grãos, e os fertilizantes com preços abaixo da média, a relação de troca ficou favorável e impulsionou o retorno de investimentos nas lavouras.
Em 2020 a expectativa era de que os preços dos fertilizantes se recuperassem dos baixos patamares registrados em 2019. Entretanto, com o cenário da pandemia e incertezas do mercado, isso não ocorreu de forma significativa mesmo com a maior demanda brasileira no segundo semestre, e os preços se mantiveram abaixo da média de 2019.
O ano de 2021 começou com expectativa de preços mais altos e o mercado nestes primeiros meses têm demonstrado que a recuperação ocorrerá de forma rápida ao longo do ano. Os custos de produção subiram com a alta nos preços das matérias-primas, influenciados pelos aumentos no petróleo, carvão, enxofre e gás natural. O cenário logístico também encareceu os custos, aumentando os preços do frete marítimo por conta da falta de containers, que atrapalhou o embarque de cargas causando atrasos nos portos, além da alta do Brent e alta demanda de exportação pela China.
| Fórmula | 2019x2020 Comparativo |
JAN - MAR 2021 |
ABR - DEZ 2021*Previsão |
|---|---|---|---|
| 20.05.20 (NA) | 6% | ||
| 06.30.06 + micro | 3% | ||
| 12.31.17 | 3% | ||
| 00.18.18 | 2% | ||
| 04.20.20 | 13% |
A relação de troca para as principais commodities agrícolas deve ser menos vantajosa do que no ano de 2020. Para 2021, espera-se que novamente o Brasil tenha produções recordes no agronegócio, com a produção de grãos 4,2% superior à da safra anterior, impulsionando a demanda por fertilizantes.
Novas tecnologias em fertilizantes líquidos estão surgindo e devem conquistar o mercado em 2021. A Ubyfol lançou, no final de 2020, o Genizys, fertilizante líquido composto por molibdênio, níquel e aminoácidos. O produto auxilia no desenvolvimento inicial da cultura, e espera-se um melhor crescimento radicular e fixação biológica de nitrogênio.
Na cafeicultura, o uso de fertilizantes foliares é bastante difundido para suprir as exigências e fornecer maior eficiência fisiológica. Neste sentido, o produto Vorax Biofertilizante, da Microquimica se propõe a reduzir os danos causados por estresses, principalmente hídrico.
A Terrena Agronegócios afirmou que em 2020 o mercado de fertilizantes fluidos obteve crescimento, e que a empresa realizou investimentos em maquinários e ativos. Além da produção dos fertilizantes fluidos, a Terrena está atuando na prestação de serviços de precisão, e afirma que é uma tendência crescente no cenário agrícola.
No segundo semestre de 2020 a Cocamar, Cooperativa Agroindustrial de Maringá (PR), que fabrica uma gama de produtos, anunciou a entrada no segmento de fertilizantes foliares e adjuvantes. De início a fábrica possui capacidade de produção de 6 milhões de litros, e a nova linha de produtos conta com 13 fertilizantes foliares e 4 adjuvantes. O principal objetivo é fornecer aos seus mais de 15 mil cooperados acesso a esses produtos para obterem incrementos na produtividade.
Os elementos nitrogênio, fósforo e potássio têm sua importância, pois são nutrientes exigidos em maiores quantidades pelas plantas. É por isso que a formulação NPK é a mais difundida e a mais utilizada na agricultura.
“O rendimento de uma safra é limitado pelo elemento cuja concentração é inferior a um valor mínimo (...)” Justus von Liebig (1850). - A Lei de Liebig, também conhecida como Lei do Mínimo, refere-se à necessidade de os nutrientes estarem disponíveis em quantidades adequadas para a sobrevivência e produção das plantas
Cada cultura demanda um tipo de fertilizante mais adequado às suas necessidades de nutrição, em cada fase de seu ciclo fenológico. A tecnologia de aplicação a ser escolhida também é fundamental para que a área receba o adubo de forma homogênea, sem desperdícios e prejuízos. Além disso, para o adubo NPK sólido, conforme a relação custo/ benefício e os objetivos da adubação, pode-se escolher diferentes tipos físicos:
Mistura de grânulos: Dois ou três tipos de grânulos diferentes presentes na mistura, sendo que cada tipo é fonte de somente um nutriente;
Mistura granulada (NPK no grânulo): Os três nutrientes estão contidos juntos nos grânulos;
NPK + micronutrientes;
NPK de liberação lenta.
Além do NPK em forma sólida, o mercado oferece oproduto em sua forma líquida, que pode ser aplicada via solo, fertirrigação ou adubação foliar. Tem-se registradas no Brasil atualmente 275 empresas produtoras de fertilizantes líquido
No Brasil, os preços médios das formulações líquidas em 2020 começaram a subir em fevereiro, atingindo valores máximos em maio. A partir de então, com a menor demanda no início do primeiro semestre, os preços apresentaram queda, voltando a subir a partir de agosto, com preços elevados em outubro. Essas curvas de preços acompanham a sazonalidade da demanda conforme o plantio das principais culturas brasileiras.
Fonte: MAPA. Adaptação GlobalFert
Os preços de 2020 aumentaram em relação a 2019 e a tendência para 2021 é de manutenção da tendência de alta.
| Fórmula | 2019x2020 Comparativo |
2020x2021 Previsão |
|---|---|---|
| URAN | 6% | |
| 12.03.12 | 3% | |
| 20.00.10 | 3% |
Para a correta aplicação dos fertilizantes líquidos é fundamental conhecer a formulação e especificações do produto, as necessidades da cultura e escolher a máquina adequada para a operação. A formulação e a diluição do produto determinam se é ou não necessário agitação.
O equipamento utilizado deve promover distribuiçãouniforme na planta, prezar pela segurança dos operadores e menor contaminação ambiental. No caso de fertilizantes foliares, a escolha da ponta de pulverização correta é essencial para o sucesso da aplicação.
Assim, é possível listar as vantagens e desvantagens para os tipos de NPK:
| Vantagens | Desvantagens | |
|---|---|---|
| NPK Líquido |
Facilidade de manejo e aplicação; Aplicação uniforme; Maior rendimento operacional Absorção mais rápida. |
Menor concentração de nutrientes; Dificuldades de transporte; Necessidade de tecnologias de aplicação; Não substitui adubação de base |
| NPK Sólido |
Efeito a longo prazo; Facilidade de logística e transporte; Produtores têm mais familiaridade. |
Menor eficiência de absorção, perdas por lixiviação, adsorção, volatilização Menor eficiência de aplicação; Maior tempo de reação. |
O uso de fertilizantes NPK líquidos como forma de complemento da adubação de base deve ser cada vez mais comum nas lavouras para fazer um ajuste fino e obter ganhos de produtividade.
CARLOS E. LUSTOSA FLORENCE
Diretor Executivo da AMA Brasil
O país, de importador de alimentos então, passa a ser o segundo maior exportador e o quarto maior produtor mundial
Quem atua na agro atividade constata com nitidez a efetiva revolução ocorrida nos campos das ciências, pesquisas e fomentos agronômicos, nos últimos cinquenta anos, trazendo benefícios ao meio ambiente, à sociedade e à economia. Este marco básico e significativo se incrementou com os trabalhos da Embrapa focados nas condições tropicais do país. Gradativamente, assistimos neste período aumentos na produção e na produtividade em progressões geométricas.
O país, de importador de alimentos então, passa a ser o segundo maior exportador e o quarto maior produtor mundial. Esta revolução exigiu entrosamento e predisposição tempestiva de segmentos ligados às sementes adequadas, maquinários específicos, fertilizantes e corretivos de solos, defensivos e todas as demandas inerentes ao processo da cadeia.
Paralelamente, toda uma infraestrutura robusta ligada à comercialização, crédito, hedge, se instalou e vem estruturando-se com firmeza para suporte da atividade. Apesar destes incrementos, há um espaço a ser redimensionado para o seguro rural ainda insuficiente. Sabemos também que há largo campo a ser incrementado no uso de tecnologias digitais para atender a demanda da agricultura 4.0. Nesta evolução que assistimos e com estes reordenamentos pontuais, o Brasil ocupará em curto espaço a posição de líder mundial de produtor e exportador, como previsto por órgãos internacionais inclusive
É neste cenário que o setor de fertilizantes marca sua presença de forma significativa pelo que trouxe e tendo ainda muito a contribuir. No Brasil, há trinta anos, acompanhamos que a safra de 1989/90 atingiu 114 milhões de toneladas na produção Agro-Vegetal. Em 2019/20 produziu 347 milhões de toneladas. Aumento de 204%. A produção de grãos, nestes trinta anos, saiu de 65 milhões de toneladas, para alcançar 236 milhões de toneladas. Incremento de 263%. A produtividade média saltou de 2,2 toneladas por hectare para 4,6 toneladas por hectare. Acréscimo de 109%, ou seja, dobrou a produtividade. Já a área utilizada para plantio passou de 50 milhões de hectares para 75 milhões de hectares. Incremento de somente 50% em comparação com os ganhos de produção e produtividade expostos. Neste contexto permitiu-se evitar desmatamento de mais de 100 milhões de hectares com certeza.
Em termos de fertilizantes, nutrientes, NPK, para respaldar estes ganhos, aplicou-se ao solo em 1989/90 3,6 milhões de toneladas e se entregando na safra de 2019/20 15,5 milhões de toneladas, aumento de 330%. Em 2020, dados ainda não finalizados, se entregará entre 39 e 40 milhões de toneladas, previsão de aumento entre 8% e 10%, o que explica a colheita recorde prevista, pela Conab, de 268,3 milhões de toneladas de grãos.
Lógico que só o conjunto sistêmico dos fatores acima mencionados, atuando integrados na atividade agrícola, poderiam contribuir de forma orgânica nesta dinâmica e refletir os benefícios. No entanto, consideram os profissionais e pesquisadores da área, que fertilizantes e corretivos contribuem com 50% do aumento da produção e da produtividade.
A AMABRASIL – ASSOCIAÇÃO DOS MISTURADORES DE ADUBOS DO BRASIL – se rejubila realmente em ser representante de empresas deste elo chave da cadeia que se encarrega em atender a agricultura nacional no seu trabalho e luta reconhecidos exemplarmente em prol da paz, da melhor igualdade social e do crescimento econômico.