Sumário

Parte 2

Micronutrientes

Capítulo 6

O MERCADO DOS MICRONUTRIENTES


A produção agrícola tem como um dos principais pilares a disponibilidade equilibrada de nutrientes no solo. Os micronutrientes, apesar de utilizados pelas plantas em pequenas quantidades podem ser limitantes ao seu desenvolvimento e, quando utilizados de maneira insuficiente, reduzem a atividade fisiológica das plantas impactando diretamente na produtividade. Dada sua importância, o uso de micronutrientes vem se tornando cada vez mais difundido no Brasil e no mundo.

Em 2020, a pandemia impactou fortemente o mercado de micronutrientes. Esses produtos, originados, em geral, da cadeia de metais, apresentaram significativa redução na demanda e consequentemente queda de aproximadamente 10% no preço das matérias-primas no primeiro trimestre

Passado o período mais crítico no primeiro semestre do ano, principalmente na China, o mercado voltou a se recuperar, a governo chinês estabeleceu medidas de incentivo em infraestrutura, o que favoreceu setores como o de construção civil, siderúrgico e de energia. A maior atividade desses setores retomou o consumo dos metais, o que fez com que os preços voltassem a subir. No mercado nacional, o consumo de micronutrientes apresentou queda no primeiro semestre em função da pandemia, no entanto, no segundo semestre houve uma rápida recuperação do mercado de fertilizantes, que consumiu micronutrientes em volumes próximos ao mesmo período do ano passado.


Zinco


No início de 2020, o fechamento da primeira fase do acordo comercial entre China e EUA desenhava um ano de recuperação para o Zinco, no entanto, o metal sentiu rapidamente o impacto da pandemia. Em março, o preço na LME (Bolsa de Metais de Londres) já havia caído 19% em relação ao início do ano. Em maio, com a paralisação de diversas unidades de mineração na América do Sul que produzem Zinco, a oferta do metal caiu, e os preços voltaram a subir, mantendo crescimento até o final do ano.

Fonte: LME



Boro


O mercado do Boro está relacionado com a mineração de produtos como Ulexita, Colemanita, Hidroboracita, entre outros. Além da Turquia, que detém as maiores minas de boratados do mundo, os EUA e a América do Sul têm produção significativa no mercado mundial. Grande parte dos produtos com Boro que o Brasil consome tem origem em países da América do Sul, como Argentina, Chile, Peru e Bolívia.

Em 2020, o mercado de mineração foi bastante impactado na América do Sul com a paralisação de diversas minas, tornando a oferta de matérias-primas reduzida. O Ácido Bórico, principal produto a base de Boro utilizado no mercado de fertilizantes, não sentiu um forte impacto dessa redução na oferta, já que o mercado consumidor, de fertilizantes e indústria cerâmica, também ficou fraco. Os preços ficaram equilibrados no primeiro semestre, voltando a subir apenas a partir de setembro, quando as indústrias voltaram a consumir.



A Turquia, que detém a maior reserva de Boro do mundo exportou 3,3 mil toneladas de Ácido Bórico para o Brasil em 2020.


Manganês


A África do Sul é a maior produtora de Manganês do mundo, extraindo o minério que é consumido principalmente no setor siderúrgico. Em 2020, em função da pandemia do novo coronavírus, o país decretou lockdown entre os meses de março e abril, o que paralisou toda a atividade mineira do país. A diminuição da oferta gerou um aumento de 74% no preço do minério sul africano no mês de maio, que impactou toda a cadeia de produção, incluindo os fertilizantes. Além da menor produção, o lockdown suspendeu a movimentação dos minérios nos portos, rota utilizada por diversos países africanos, o que travou a logística não só do Manganês, como de outros metais, como o Cobalto. Mesmo com grande produção nacional de minério, o Brasil importa parte do volume consumido de Sulfato de Manganês, a fonte mais utilizada para fertilizantes especiais.

*dmtu = tonelada métrica seca
Fonte: Jupiter Mines. Adaptação GlobalFert



Cobre


Fonte: LME

De todos os metais afetados pela pandemia do novo coronavírus em 2020, o Cobre foi o mais impactado. Ele é bastante utilizado nos setores de energia elétrica, construção civil, eletrônicos, entre outros. Somente a China consome 50% de todo o metal produzido no mundo e quando o país precisou paralisar suas atividades para conter o avanço do vírus, o preço do Cobre despencou no mercado internacional. Em abril, o preço já havia caído 17% na LME comparado a janeiro. Porém, o metal que foi o primeiro a apresentar queda nos preços, foi o primeiro a se recuperar. Com as medidas de incentivo do governo chinês em infraestrutura e o início da vacinação contra a Covid-19 no país asiático, o preço do metal subiu intensamente, atingindo em dezembro o maior valor dos últimos sete anos. O Brasil, que mesmo tendo produção nacional de produtos de cobre para o mercado de fertilizantes, como o Sulfato de Cobre, sentiu o impacto desse aumento no mercado internacional, e o Sulfato de Cobre no mercado nacional apresentou reajustes no preço próximos a 60% comparado ao início do ano.



Cobalto


Após o ano de 2019 de preços mais baixos, a expectativa para o mercado do Cobalto em 2020 era de recuperação. O setor de baterias, maior consumidor do metal, era o principal responsável por essa expectativa, em meio a políticas de incentivo ao uso de energia limpa como veículos elétricos em países europeus, asiáticos e nos EUA. No entanto, a pandemia do novo coronavírus impossibilitou esta recuperação, e com as medidas de isolamento, as vendas de veículos elétricos despencaram, o que reduziu a demanda por Cobalto. O preço do metal na LME se manteve estável durante a maior parte do ano, assim como os preços nacionais do Sulfato de Cobalto, principal fonte de Cobalto utilizada no setor de fertilizantes. No fim do ano, o preço do Sulfato caiu, reflexo do menor consumo nacional.

Este consumo mais fraco em 2020 contribuiu para a redução da importação da matéria-prima, o Hidróxido de Cobalto, que caiu 70% em relação à 2019, fazendo com que fornecedores comercializassem apenas seus estoques. Com a expectativa de aumento no consumo para este ano, o Hidróxido importado já virá com preços mais altos, refletindo o mercado do Cobalto na LME, que voltou a subir em 2021.

Fonte: LME



Molibdênio


O Molibdênio tem como principal consumidor o setor siderúrgico, sendo utilizado na fabricação de aços especiais, como os utilizados em equipamentos de perfuração e em refinarias de petróleo. O aço também apresentou um desempenho fraco no início do ano, o que reduziu a demanda do metal. No entanto, no segundo semestre, fortes chuvas causaram inundação em minas de Molibdênio da China, incluindo a da JDC Moly, maior produtora de Molibdênio da Ásia com produção de 30 mil toneladas/ano. A paralisação da mina, que durou uma semana, reduziu a oferta e preocupou consumidores. Além da China, parte do Molibdênio é extraída em minas da América do Sul, como a Chuquicamata, Los Perambles e Sierra Gorda, todas no Chile. A extração, realizada juntamente com o Cobre, foi reduzida devido às medidas de contenção da pandemia. Essa menor oferta deu suporte aos preços, fazendo com 2020 terminasse com a cotação mais alta na LME.



Tendências

O fim de 2020 foi marcado pela retomada da produção industrial elevando o consumo de metais, assim como os preços. O mercado deve manter a alta em 2021 e as campanhas de vacinação contra a Covid-19 em diversos países trazem otimismo para produtores e consumidores, melhorando a expectativa de sustentação dos preços durante todo o ano. No Brasil, o produtor agrícola, beneficiado pela alta do dólar em 2020, está capitalizado e deve investir mais em insumos agrícolas neste ano, o que representa maiores investimentos em culturas como a soja, cana-de-açúcar e café, que demandam principalmente Zinco, Boro, Manganês e Cobre. Com um consumo mais alto, preços maiores devem ser observados no segundo semestre deste ano.

RENATO ENDRES

Diretor Executivo - Sinproquim



OS MICRONUTRIENTES NA AGRICULTURA


A produção e os preços das commodities agrícolas, apresentam tendência de crescimento em torno de 15% a.a., considerando particularmente, a crescente adoção das tecnologias no setor pelos agricultores. Essa tendência de crescimento favorece o consumo dos micronutrientes, em função do uso de novas tecnologias e, em consequência, o crescimento dos investimentos nesse segmento.

Uma das principais razões para o crescimento do mercado de micronutrientes é o uso dos quelantes que proporcionam maior solubilidade à calda, resultando na redução do custo operacional e a otimização da eficiência quando associada aos orgânicos. Os principais micronutrientes usados são: Zinco, Boro, Cobre, Molibdênio e Manganês.

Os fertilizantes foliares podem conter ampla gama de macro e micronutrientes, até mesmo enriquecidos com extrato de algas marinhas. Este tipo de fertilizante detém em torno de 25% do mercado com tendência de crescimento

A cultura de grãos lidera o consumo de fertilizantes foliares e de fertilizantes organominerais para solo.