Em 2019, a área plantada florestal brasileira totalizou 9 milhões de hectares, abrangendo Eucalipto, Pinus e outras espécies. Esta área está concentrada nas Regiões Sul e Sudeste com 70% do total.
Na Região Sul, 49% da área florestal é composta por Pinus, 46% Eucalipto e 5% outras espécies. Já na região Sudeste, 92,2% da área é composta por Eucalipto, 7,5% por Pinus e 0,3% por outras espécies. A região Norte é a região de maior variedade de outras espécies que compõe 26% da área florestal.
Mesmo assim, majoritariamente a cultura do Eucalipto é a que representa maior área no Brasil. Quando comparado a 2015, a área plantada foi 24% maior
A expectativa é que o governo brasileiro invista no plantio do eucalipto, pinus, acácias e outras espécies para reflorestamento de áreas degradadas ou prejudicadas pelas queimadas que ocorreram em 2020.
Além disso, questões econômicas também devem contribuir para o avanço do setor florestal no próximo ano. Após um período de queda na demanda mundial de celulose e, consequente redução nas exportações durante o ano de 2020, o preço da commodity já apresenta sinais de recuperação no mercado internacional em 2021.
Isto ocorre, pois, a celulose é uma matéria-prima utilizada não só na fabricação de papéis, mas também na confecção de máscaras, aventais e outros tipos de embalagens. Com a forte queda nos estoques Europeus da commodity, a demanda pelo produto no país está elevada. Além disso, devido aos impactos da pandemia do COVID-19, a disponibilidade mundial de embalagens permanece reduzida, sendo outro fator de impacto para manter a demanda pela celulose aquecida e o preço em maior patamar.
O aumento no preço da celulose no início de 2021 já se reflete na relação de troca do fertilizante. Em janeiro de 2021, comparado a dezembro de 2020, o produtor precisou vender menos toneladas de celulose para comprar a mesma quantidade de fertilizante. Já em relação a janeiro de 2020 o produtor está 15% mais capitalizado.
Fonte : IBÁ, 2021
9 milhões de hectares de área plantada no Brasil em 2019
Média de preço das fórmulas 06.30.06+0,5%B+0,3%Zn, 20.00.20+0,7%B, SSP
Com a perspectiva de maior área plantada em solos degradados, que têm a necessidade de recuperação e adubação constante e, a espectativa de maior demanda por celulose, há perpectiva de aumento no consumo de fertiulizantes para o sertor de flotetal. Além da previsão de maior área plantada, o setor prevê um investimento de aproximadamente R$ 36 bilhões envolvendo expansões e novas fábricas.
Em sua maioria, os solos utilizados para o plantio florestal são solos empobrecidos nutricionalmente, podendo ser de pastagens degradadas ou utilizados anteriormente por outro tipo de atividade agrícola ou agropecuária. Desta forma, a maior deficiência de nutrientes que está relacionada com os solos florestais é de fósforo (P) e potássio (K). Isto reforça a importância da adubação não apenas no plantio do eucalipto, mas também durante o seu desenvolvimento.
As áreas florestais estão aumentando cada vez mais no território nacional. No entanto, os solos mais utilizados para este cultivo ainda são da conversão de terras mal aproveitadas, marginais ou já utilizadas por outras culturas, até mesmo pastagens. Equipamentos automatizados de plantio têm demonstrado ampliação de até 70% no rendimento já utilizadas por outras culturas, até mesmo pastagens. Isso faz com que a qualidade do solo seja relativamente baixa para um bom desenvolvimento das árvores, principalmente na quantidade de fósforo (P) e potássio (K) disponíveis. Isso faz com que a o custo da nutrição em áreas florestais representem de 30%-35% do custo de produção por hectare.
Para garantir o desenvolvimento de florestas em regiões do Centro-Oeste e abastecer as indústrias da região com matéria-prima de qualidade como fonte energética, houve um investimento reforçado em tecnologias como clones, que melhor se adaptam as restrições hídricas e climáticas da região.
No entanto, não foram apenas avanços tecnológicos que possibilitaram o aumento de produtividade na região do cerrado. Segundo Ronaldo Vaz de Arruda Siqueira e Vanderlei Benedetti, consultores da RR Agroflorestal, o ganho de produção está atrelado ao tripé: genética, nutrição e qualidade nas práticas operacionais. O uso mais eficiente dos nutrientes gerou um aumento significativo na produtividade do Eucalipto.
Ações como:
Utilização de gesso agrícola para resistência física aos déficits hídricos;
Boro no período seco via foliar;
Reformulação dos NPKs aplicados na adubação de base, com maior quantidade de nitrogênio e potássio;
Uso de fósforo solúvel;
Maiores doses de cobre e zinco;
Acompanhamento nutricional de rotina, utilizando análises químicas foliares.
Além disso, o investimento nos implementos de aplicação dos fertilizantes estão cada vez mais acentuados. Equipamentos que permitem a combinação de diferentes fontes de nutrientes durante a aplicação evitam a aquisição de formulações e ampliam o leque de opções no campo, além de melhorar operacionalmente a logística e estoque desses insumos.
Outra forma de otimizar a operação no campo é a adoção do sistema de cultivo mínimo (SCM), que consiste no uso mínimo de operações de preparo do solo e prioriza-se a manutenção dos resíduos vegetais. Desta forma, se mantém os restos vegetais da colheita e outros resíduos de matéria orgânica sob o solo, e se realiza o preparo de solo localizado nas linhas ou nas covas de plantio. Assim, para manter o número reduzido de operações na área e garantir a produtividade no plantio florestal, os produtores de eucalipto vem investindo em NPK no grão com micronutrientes nos últimos anos.
O NPK no grão é um fertilizante composto por nitrogênio, fósforo, potássio e micronutrientes em quantidades proporcionais no mesmo grão. Isto permite a aplicação única e uniformiza a disponibilidade de nutrientes para a cultura do eucalipto. Além disso, este tipo de fertilizante permite a aplicação sob condições climáticas adversas devido à sua elevada solubilidade e a resistência à volatilização.
WALTER VIEIRA DE REZENDE
Presidente da Comissão Naciona
de Silvicultura e Agrossilvicultura da
Confederação da Agricultura e Pecuária
do Brasil (CNA)
Equipamentos automatizados de plantio tem demostrado ampliação de até 70% no rendimento
Apesar de embrionária, a Silvicultura 4.0 apresenta-se como uma alternativa para o aumento da eficiência da produção florestal no Brasil. Diante de um cenário de constante redução de mão-de-obra e aumento dos custos de produção, a utilização de mecanismos para o aumento da agilidade, autonomia e integração dos processos produtivos tem surgido como uma alternativa na produção florestal.
Diferente do que ocorre na Agricultura 4.0, a silvicultura ainda caminha a passos lentos. No entanto, a utilização de tecnologias como internet das coisas, inteligência artificial e big data já são utilizadas, incipientemente, em operações de plantio, adubação e o manejo de pragas e doenças no setor florestal.
No caso do plantio, a execução por meio de equipamentos automatizados tem aumentado e demonstrado ampliação do rendimento em até 70%. A eficiência dessa operação associada ao cruzamento das informações de fertilidade do solo, topográficas e meteorológicas para a automação de operações na comunicação entre máquinas (M&M) têm apresentado resultados significativos e tem sido a aposta setorial para aumento da produtividade, redução de desperdícios e por consequência dos custos de produção.
Conforme levantamento de custos do Projeto Campo Futuro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os custos com mecanização e fertilizantes, juntos, podem chegar a 84% dos custos de implantação de florestas de eucalipto em áreas não automatizadas, podendo ultrapassar R$5 mil/ha. Essa informação demonstra o potencial de economia do aumento de eficiência de uso desses dois fatores de produção por meio da automação e melhoria dos processos de gestão.
Outras iniciativas já são verificadas para a colheita e operações de manejo florestal. No entanto, a CNA acredita que evoluções mais expressivas na silvicultura 4.0 ocorrerão para as operações de adubação e manejo de pragas e doenças. Essa afirmação se baseia na possibilidade de aproveitamento e adaptação de equipamentos e tecnologias já consagrados na agricultura e que encontram com custos mais acessíveis.
No entanto, a CNA apoia a imersão tecnológica e tem desenvolvido uma série de ações para ampliar e acelerar o acesso à essas tecnologias como a Rede Nacional de Inovação para o Agronegócio (Agroup), que objetiva a transformação digital da agricultura, silvicultura e pecuária. Ainda, diferentes ações são executadas para melhoria das infraestruturas de apoio, como a rede de conectividade para internet, que é um dos principais limitantes para a evolução das tecnologias 4.0 no meio rural.
Para o plantio das árvores adota-se o sistema de cultivo mínimo (SCM), que consiste no uso mínimo de operações de preparo do solo e prioriza-se a manutenção dos resíduos vegetais. Desta forma, se mantém os restos vegetais da colheita e outros resíduos de matéria orgânica sob o solo, e se realiza o preparo de solo localizado nas linhas ou nas covas de plantio.
“Quando nos perguntam sobre como serão as florestas plantadas do futuro, a maior parte das pessoas vislumbram que serão 'tecnológicas e digitais'. Mas não podemos nos esquecer que estas florestas irão carregar inovações e desenvolvimentos tecnológicos que vêm se acumulando há mais de 40 anos no Brasil. Demos imensos saltos tecnológicos ao adotar no segmento flrestal práticas como: a clonagem em larga escala; o cultivo mínimo, com ganhos significativos de produtividade, e com a utilização de informações precisas sobre interações dos materiais genéticos aos diferentes ambientes de plantio e de manejo. Hoje temos fertilizantes mais eficientes, com menor impacto ambiental, com liberação mais lenta, equipamentos e máquinas programadas com algoritmos específicos (IA) para aplicação de insumos e defensivos agrícolas, entre outras inovações. Porém a gestão destas inovações nos diferentes elos da cadeia florestal, responsáveis pela manutenção e pelo aumento da produtividade florestal ainda deixam a desejar. Mas estes desafios não devem ser encarados como 'rocket science' pelos profissionais da área florestal: temos tudo em nossas mãos, mas precisamos ser mais inteligentes e melhores gestores da inovação para definitivamente adotarmos o que já está ao nosso alcance dentro dos diferentes contextos do setor florestal brasileiro.“
Weber A. N. do Amaral
Professor Departamento Ciências Florestais, ESALQ, USP
PhD – Harvard University, EUA