A área brasileira de laranja na safra 2020/21 é de 644,1 mil hectares, cerca de 0,09% inferior à safra de 2019/20. Os estados de São Paulo, Bahia e Minas Gerais correspondem a 79,6% da área citrícola nacional.
A região do cinturão citrícola de São Paulo e triângulo/ sudoeste mineiro representam 61,43% da área citrícola do país. Nestas regiões, entre 2015/16 e 2020/21, houve um recuo de 8,1% na área plantada. Vale destacar que dos 395,7 mil hectares na safra 2020/21, cerca de 92,1% são de áreas produtivas.
Já a produção da safra 2020/21 está estimada em 269,36 milhões de caixas de 40,8 kg de laranja, um recuo de 30% em relação à safra anterior, a maior quebra desde a safra de 1988/89
A alternância da produção e os fatores climáticos ocasionados pelo La Niña e Oscilação Multidecadal do Atlântico, que reduziram as chuvas e elevaram as temperaturas, são os fatores responsáveis pela queda. Vale destacar que a La Niña se iniciou em setembro de 2020, quando apenas 30% da produção havia sido colhida
As variedades mais impactadas pela menor produção em relação a safra anterior foram as variedades precoces Hamlin, Westin e Rubi, reflexo da queda de 39,6% na produtividade.
As variedades Pera Rio, Valência e Folha Murcha representam, aproximadamente, 64% da produção nacional da safra 2020/21.
Para 2021, a menor oferta da fruta deverá reduzir a produção de suco, porém, com a demanda seguindo estável, os preços da laranja deverão aumentar
O Brasil deverá responder por ¾ das exportações mundiais de citros.
Devido à menor safra nacional, a expectativa é que a produção de suco reduza 26,2% entre as safras 2019/20 e 2020/21.
Já a demanda no mercado internacional deverá seguir estável e se aproximar de 1.070 mil toneladas e 80 mil toneladas no mercado nacional, totalizando 1.150 mil toneladas de FCOJ equivalente a 66º Brix.
Na safra 2019/20 o volume total exportado foi de 1,071 milhão de toneladas, que gerou um faturamento de US$ 1,751 bilhão. Em comparação à safra anterior, o aumento foi de 3% na receita e de 17% no volume. Apesar da elevação no faturamento e na exportação, a receita por tonelada exportada recuou cerca de 12% entre 2018/19 e 2019/20.
Com uma participação de 69,7%, a Europa é o principal destino do suco de laranja nacional, seguida pelos EUA, com 16,3%, Japão 5,3%, China com 3,9% e demais países com 4,9%. Vale destacar que em comparação a 2018/19, os Estados Unidos foram os únicos que reduziram o volume importado em 2019/20, reflexo do maior estoque de suco de laranja
Apesar da valorização no preço da caixa de laranja, o aumento no preço do fertilizante foi mais acentuado, em função disso, a relação de troca fechou em dez/20 aproximadamente 0,8% mais desfavorável que em jan/20.
Média de preço das fórmula 20.05.20 (Fonte de N-Nitrato); 08.28.16 e 04.20.20
O Brasil é o maior produtor de citros, seguido pela China, União Europeia e Estados Unidos.
Segundo o Serviço de Agricultura Estrangeira do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a produção de laranja na China deve crescer em 2020/21 acima dos 7,4 milhões de toneladas. O aumento da área plantada em Jiangxi e outras províncias foi o fator que mais influenciou para isso.
No entanto, esse crescimento na área plantada deve desacelerar, pois a alta produção do último ano contribuiu para uma queda no preço do produto.
A projeção é que a safra americana de 2020/21 recue 12,7% em relação a 2019/20.
Com a menor disponibilidade de laranja para processamento, a produção deverá reduzir para 250 mil toneladas, uma queda de 16%.
A previsão é que a safra europeia de 2020/21 aumente em 5,6% na produção de citros comparado a safra 2019/20 e de 3% em relação a média dos últimos 3 anos.
O único país cuja produção deverá reduzir devido à problemas climáticos é Portugal.
É previsto aumento de 8% na produção de suco de laranja comparado à safra 2019/20, reflexo principalmente da Espanha que quer aumentar o processamento de suco e reduzir as importações. Vale destacar que 20% do suco processado é proveniente da Espanha
Em 2019/20 uma seca afetou a safra de citros no México e reduziu a produção de suco. No entanto, para a safra 2020/21 é previsto que a produção de suco de laranja duplique, alcançando 200 mil toneladas.
Os principais fatores que definem o potencial de produção agrícola são: condições edafoclimáticas (água, disponibilidade de luz e solo), genética e nutrição. Dessa forma, o emprego de fertilizantes é um investimento necessário para que qualquer lavoura possa expressar seu potencial produtivo. No caso dos pomares de citros, por ser uma cultura perene, este investimento deve ser bem planejado e pensado a longo prazo, para que o sistema produza em quantidade e qualidade por anos a fio, tendo em mente que, quanto mais produtivo, maior a demanda por nutrientes.
Um manejo de adubação eficiente começa na determinação das quantidades necessárias do insumo, o que exige análises representativas. No caso dos citros, são armazenadas grandes quantidades de nutrientes na biomassa, sendo imprescindível a realização de análise foliar para o programa de adubação.
Além das tão conhecidas análises de solo e foliar, outras tecnologias de avaliação da fertilidade podem ser colocadas em práticas, como a análise da seiva. Esta é mais recente e tem se destacado pela sensibilidade na determinação dos nutrientes no solo disponíveis para as plantas. É empregada principalmente em sistemas de fertirrigação, para identificar as variações nos teores de nutrientes evitando perdas ou excessos e garantindo maior eficiência de adubação. A análise da seiva é utilizada como ferramenta auxiliar na avaliação do estado nutricional de plantas cítricas
O advento da inteligência artificial e sensores também está chegando aos pomares e promete otimizar a produtividade, reduzindo custos. É possível monitorar continuamente todo o pomar, analisando o crescimento e saúde dos frutos de forma detalhada, identifi cando anomalias rapidamente e possibilitando a aplicação de doses precisas nos locais necessários.
Para um bom manejo da adubação em citros devese levar em consideração, além das análises, a idade do pomar, as características do porta-enxerto, estado nutricional da planta, finalidades do produto e as escolhas das formas de aplicação. A fertirrigação é uma maneira comum e eficiente para fornecer os nutrientes adequados ao longo do ciclo produtivo e a quantidade é calculada conforme a marcha de absorção da variedade plantada. O método permite que se faça adubação fracionada, de modo que seja mais fácil corrigir eventuais deficiências ou excessos. Os fertilizantes mais utilizados na fertirrigação em citros são: ureia, nitrato de amônio, nitrato de cálcio, nitrato de potássio, MAP purificado, cloreto de potássio, sulfato de magnésio e ácido bórico.
Outro manejo importante é a adubação foliar, feita para complementar a adubação via solo, principalmente de micronutrientes. Os fertilizantes foliares podem ser fornecidos com dois objetivos:
Corretivo: Quando está ocorrendo deficiência de nutriente na planta;
Preventivo: Evitar a falta de nutrientes e limitação da produção.
Para os citros, a adubação foliar é recomendada na aplicação de Zinco, Manganês, Cobre, Molibdênio, Ferro e Cobalto. O Boro também pode ser aplicado via foliar, entretanto, estudos recentes mostraram que o elemento possui mobilidade muito restrita nas plantas cítricas, ficando concentrado nas folhas e não obtendo resultados de aumento de produção de frutos quando aplicado dessa forma. Assim, a aplicação de Boro via solo é mais eficiente, pois possui maior mobilidade no xilema, sendo distribuído da raiz até os principais drenos.
Em relação aos macronutrientes, o Cálcio e o Nitrogênio precisam de atenção especial na citricultura. O Cálcio é mais exigido do que em outras culturas e neste caso não é totalmente suprido apenas com a correção do solo via calcário, sendo necessário aplicações foliares. Dessa forma, a aplicação de Nitrato de Cálcio fornece cálcio 100% solúvel e o nitrogênio, mostrando-se mais eficaz do que o Nitrato de Amônio, não acidificando o solo e auxiliando no pegamento e aumentando o número de frutos por planta. O melhor momento para aplicá-lo é pouco antes e durante o florescimento, resultando em bons resultados na citricultura.
Além dos adubos químicos, a adubação verde tem feito parte das lavouras e pomares e seus benefícios já são bem conhecidos pelos produtores: melhora nas condições físicas, químicas e biológicas do solo, controle de plantas invasoras, retenção de umidade e aumento de produtividade com custo baixo. A reciclagem de nutrientes e fixação biológica de nitrogênio enriquece o solo, disponibilizando-os para os citros.
A citricultura brasileira é bastante técnica e busca cada vez mais melhorar os resultados e obter produtividade e rentabilidade. Dessa forma, as inovações tecnológicas e científicas são rapidamente introduzidas ao campo, demonstrando resultados positivos. A nutrição adequada não só é importante para o estabelecimento do pomar e produção dos frutos, como também auxilia na obtenção de um pomar saudável e na qualidade do produto.
FLÁVIO DE CARVALHO P. VIEGAS
Presidente da Diretoria Executiva
Associtrus
O Brasil é o maior produtor mundial de laranja, suco de laranja e seus subprodutos. Apresentou, nos últimos 5 anos, uma produção média de 17,123 milhões de toneladas de laranja, que corresponde a 34% da produção mundial do fruto e uma produção média de 1,128 milhão de t de suco de laranja (65°brix) e uma exportação de 1,058 milhão de t, o que corresponde, respectivamente, a 62% da produção e 76% das exportações no mesmo período.
A citricultura brasileira, como vários outros setores da nossa agricultura, vem enfrentando os desafios do mercado, do clima, pragas e doenças com novas tecnologias, novos insumos e práticas culturais para manter sua competitividade e liderança mundial.
“A citricultura é uma atividade que se destaca na agricultura brasileira pela sua capacidade de inovação e pela inteligência da produção, que encontra oportunidade para estabelecer pomares produtivos, com qualidade e sustentáveis. Essa característica se firmou no fato de o citricultor enfrentar pressões de mercado e desafios fitossanitários e, então, otimizar investimentos, como aqueles inerentes ao uso de corretivos e fertilizantes. Assim, verificam-se estratégias para manejo específico da fertilidade do solo e, às vezes, fontes de fertilizantes adequadas. Exemplos disso, são ganhos obtidos com a aplicação de nitrogênio, buscando a relação ótima entre o suprimento de nitrato de amônio, para o qual os citros são bastante responsivos, assim como o fornecimento de cálcio solúvel às plantas, o que promove a formação de tecidos íntegros e favorece a resistência de folhas e flores às doenças que têm causado prejuízos à cadeia de produção.”
Dirceu de Mattos Júnior
Engenheiro Agrônomo, Dr., Pesquisador Científico e Diretor
do Centro de Citricultura Sylvio Moreira (CCSM/IAC)
Cordeirópolis – SP