Sumário

Parte 2

Orgânico e Organomineral

Capítulo 9

ORGÂNICOS E ORGANOMINERAIS


Os fertilizantes orgânicos, tanto os sólidos quanto os líquidos, são originados a partir de resíduos animais ou vegetais com origem:

Rural

Urbana

Industrial

Esses resíduos podem ser enriquecidos com nutrientes minerais, os chamados organominerais.

Atualmente estão autorizadas pelo MAPA a produzir fertilizantes organominerais 347 empresas. Um crescimento de 9% em relação a 2020.

Os resíduos de produção animal, como o esterco bovino, suíno e a cama de frango são os mais utilizados na agricultura brasileira. Na produção de suínos cerca de 40 litros/dia de dejetos são produzidos por cada matriz. Nos bovinos de leite, a produção de dejetos varia de 45 a 48 kg/dia, já nos bovinos de corte, a variação fica entre 30 a 35 kg/dia por animal. Os resíduos de origem animal são bons fornecedores de fósforo e potássio.

Segundo a FAO, o Brasil e a Índia são os maiores produtores de bovinos do mundo. Juntos, são responsáveis por 26% de toda a produção mundial.

Em 2021, o Brasil deverá produzir aproximadamente 3,6 bilhões de toneladas de esterco bovino.

Fonte: MAPA. Adaptação GlobalFert

A cama de frango é composta principalmente por arroz, serragem, juntamente com fezes, urina, restos de ração e penas que se misturam e se acumulam nos pisos das granjas. Em decorrência do baixo custo e potencial nutritivo, este material vem amplamente sendo utilizado em culturas como cana-de-açúcar, pastagens, milho, hortaliças, algodão e café. Segundo a FAO, o Brasil é o quarto maior produtor de frango do mundo, atrás apenas da China, Estados Unidos e Indonésia.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção brasileira de carne de frango poderá alcançar 14,5 milhões de toneladas em 2021, número que superaria em 5,5% os números totais previstos para 2020. Já as exportações deverão chegar a 4,35 milhões de toneladas, superando em até 3,6% o total que deverá ser exportado pelo Brasil em 2020.

É esperado que em 2021 a produção de cama de frango seja de 26,48 milhões de toneladas.

Algumas vantagens da adubação orgânica:

Aumento da resistência do solo à alteração do pH

Aumento da biodiversidade do solo

Aumento de produtividade à longo prazo

Amenização da variação de temperatura do solo

Melhora na estrutura do solo

Aumento da capacidade de retenção de água

Os fertilizantes orgânicos simples, mistos, compostos e organominerais são classificados, de acordo com as matérias-primas utilizadas na sua produção:

Classe “A”: Produto que utiliza, em sua produção, matéria-prima gerada nas atividades extrativas, agropecuárias, industriais, agroindustriais e comerciais, incluindo aquelas de origem mineral, vegetal, animal, lodos industriais e agroindustriais de sistema de tratamento de águas residuárias com uso autorizado pelo Órgão Ambiental, resíduos de frutas, legumes, verduras e restos de alimentos gerados em pré e pós-consumo, todos isentos de despejos ou contaminantes sanitários.

Classe “B”: Produto que utiliza, em sua produção, matérias-primas orgânicas geradas nas atividades urbanas, industriais e agroindustriais, incluindo a fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos da coleta convencional, lodos gerados em estações de tratamento de esgotos, lodos industriais e agroindustriais gerados em sistemas de tratamento de águas residuárias contendo qualquer quantidade de despejos ou contaminantes sanitários, todos com seu uso autorizado pelo Órgão Ambiental, resultando em produto de utilização segura na agricultura.

Entre seus componentes estão nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e diversos micronutrientes. Diferente dos fertilizantes minerais convencionais, os orgânicos precisam passar por um processo de mineralização para que possam liberar esses componentes e permitir que as culturas os absorvam. Esse processo ocorre pelas bactérias, fungos, actinomicetos, protozoários, algas e insetos.

Atualmente, estão autorizadas pelo MAPA a produzir fertilizantes orgânicos 137 empresas. Uma queda de 22% em relação a 2020.

Fonte: MAPA. Adaptação GlobalFert

Os resíduos vegetais mais conhecidos para nutrição de plantas e solo são a vinhaça e a torta de filtro. A vinhaça é um resíduo produzido em quantidades elevadas nas destilarias de álcool. É rica em potássio, mas também possui nutrientes como enxofre e nitrogênio. Nos últimos anos, vem amplamente sendo utilizada por usinas como fonte de potássio, por ser uma prática bastante positiva do ponto de vista ambiental e produtivo.

A produção de vinhaça da safra 20/21 no Brasil deverá atingir 351,5 milhões de m³, queda de 14% em relação à safra anterior, devido à produção mais “açucareira”, em função da diminuição do consumo de etanol ao longo de 2020.

A torta de filtro é um resíduo proveniente da indústria açucareira, rica em fósforo, cálcio, cobre, zinco e ferro. No entanto, é deficiente em potássio, por isso normalmente é aplicada juntamente com a vinhaça. Cada tonelada de cana processada produz em média 30 kg de torta de filtro. Considerando esse rendimento, na safra 20/21 deverão ser produzidas 19,9 milhões de toneladas, um aumento de 8% em relação à última safra.

Outra importante fonte de matéria orgânica é a turfa, organomineral classe A, em que a parte orgânica corresponde de 70 a 90% da composição. Ela tem boa capacidade na retenção de água, minimizando consequentemente o processo de erosão. Na agricultura, a turfa é utilizada como um condicionador de solo, para aumentar a atividade microbiana e melhorar as propriedades físicas do solo. Muito utilizada em gramas de campo de futebol, árvores ornamentais e no cultivo de hortaliças.

Grafico aqui

Estudos afirmam que 40% das turfeiras encontram-se no Hemisfério Norte e apenas 5% no Hemisfério Sul. O Brasil possui reservas de turfa no total de 487 milhões de toneladas, uma das maiores produtoras está localizada em Balneário Arroio do Silva (SC), com capacidade de produzir 60.000 m³. As reservas mundiais estão estimadas em aproximadamente 12 bilhões de toneladas.

Em 2020, o Brasil importou 31,5 mil toneladas de turfa, volume 13% superior ao importado em 2019. O Porto de Santos foi o principal local de entrada do produto no Brasil, representando 65% de todo o recebimento.


O segmento de orgânicos movimentou R$ 5,8 bi no Brasil em 2020, montante 20% superior à 2019, segundo a Associação de Promoção dos Orgânicos (Organis). Para 2021, há uma expectativa de que o crescimento seja próximo de 10%, segundo a Associação.

Algumas desvantagens são levantadas pelos consumidores de fertilizante orgânico. Entre elas:

Disponibilidade mais lenta dos nutrientes, dificultando o controle de nutrientes para as plantas e a quantidade exata a ser aplicada. A degradação e disponibilidade dos nutrientes depende da composição do fertilizante e, da atividade microbiana do solo.

São menos concentrados em nutrientes que os fertilizantes minerais, por isso, necessitam ser utilizados em maiores quantidades que os fertilizantes minerais para ter o mesmo efeito.

Ao contrário dos fertilizantes minerais, a quantidade de nutrientes não é exata, pois depende diretamente da fonte que deu origem ao fertilizante, como por exemplo, o tipo de animal e criação.

Podem causar acidificação no solo e liberação de óxido nitroso à longo prazo.

Entrevista


A cultura do café é hoje a maior responsável pela demanda de organominerais no Brasil. Entretanto, os cereais, como soja e milho são os que têm o maior potencial de crescimento de uso devido às extensas áreas cultivadas e adoção de práticas visando aumentar cada vez mais a produtividade.

O mercado de organominerais tem como maior desafio captar e beneficiar a matéria-prima, realizando o correto processo de gerenciamento desses resíduos para transformá-los em matrizes orgânicas de qualidade, o que faz toda a diferença na obtenção de um bom fertilizante organomineral.

Em relação a parte comercial, o setor tem como desafio investir em pesquisas de validação agronômica e de posse dos resultados, saber comunicar de forma eficiente as vantagens competitivas dessa tecnologia, para que cada vez mais possa ser utilizada.

A vantagem para o produtor em optar pela utilização de organominerais, como os disponibilizados pelo Grupo Vittia, é que a matriz orgânica, além de proteger fisicamente os pellets, fornece elementos indispensáveis para as culturas, como os ácidos orgânicos e aminoácidos. A inovadora técnica utilizada na produção dos pellets permite uma excelente uniformidade do produto e, após a aplicação, a tecnologia de “Slow Release” garante maior disponibilidade de nutrientes durante todo o ciclo produtivo. Por conta de sua diferenciação, esses produtos atingem maior penetração ocupando espaço nos mercados de fertilizantes convencionais.

CARLOS A. PIMENTEL MENDES

Engº Agrº - Diretor de Fertilizantes
Orgânicos/INPAS







MERCADO DE FERTILIZANTES ORGÂNICOS


Ano passado, quando convidado a escrever sobre o mercado de fertilizantes orgânicos, que inclui organominerais, estávamos no início de pandemia e havia poucos economistas, estudiosos ou acadêmicos que se arriscavam a prever algum cenário para o restante do ano.

Em meio ao pessimismo que reinava até então, arrisquei o palpite de que o mercado do segmento de fertilizantes orgânicos iria se manter estável ou apresentar um leve crescimento em meio à turbulência do ano de 2020.

Agora, em meio ao recrudescimento da pandemia, já com os dados fechados, nossa previsão para o setor mostrou-se muito tímida. Dados levantados por nossa associação indicaram crescimento médio de 2019 para 2020 de 3 e 9% respectivamente, para condicionadores de solo e substratos, enquanto fertilizantes orgânicos surpreenderam com 22% de crescimento, tracionado pelos fertilizantes organominerais, que acompanhou o crescimento do segmento de fertilizantes como um todo.

Com a agricultura brasileira crescendo ano a ano, com ou sem pandemia, as entregas de fertilizantes prometem continuar evoluindo em 2021. Em janeiro deste ano, as importações totalizaram impressionantes 2,17 milhões de toneladas, um recorde.

A má notícia é que a dependência de insumos importados, que já era grande, cresceu ainda mais com fechamentos de fábricas, interrupção de investimentos e projetos em andamento em terras brasileiras de 5 anos para cá, o que nos deixa bastante vulneráveis no cenário geoeconômico.



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