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CEO da Phosfaz fala sobre o mercado de fertilizantes no Brasil e atuação da empresa no mercado


Em entrevista ao GlobalFert, Marcelo Cabral, CEO da Phosfaz, falou sobre a visão da empresa sobre o mercado de fertilizantes no Brasil e perspectivas futuras do mercado e para a empresa.

Marcelo Cabral é formado em engenharia agronômica pela ESALQ/USP - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Possui  uma formação baseada no Agronegócio atuando na área desde 2008 e desde 2016 é CEO na Phosfaz, parte grupo BTG Pactual.

 

O Brasil é considerado um grande importador de fertilizantes e os fosfatados são o de maior parcela de produção nacional. Dentro destes produtores nacionais, a Phosfaz atua desde 2012, no segmento de fosfato. Neste contexto, como a empresa vê o mercado para produção de fertilizantes fosfatados no Brasil e como a Phosfaz se insere nesse mercado? Quais são as expectativas para o ano de 2019 e próximos anos para a empresa?

Acreditamos na agricultura brasileira que cresce a uma taxa de 5% a.a., e por consequência, a demanda por fertilizantes fosfatados pegará carona nesse crescimento. Isso deve acontecer porque essa expansão continuará ocorrendo por meio da conversão de novas áreas e/ou aumento de produtividade. Em ambos os casos a demanda por nutrientes continuará sendo imperativa. Apesar da ampliação da demanda, entendemos também que o contexto para aumento da produção interna é cada vez mais restrito devido a consolidação do mercado de fertilizantes – temos poucos e grandes grupos concentrando o mercado - diminuição das reservas a serem exploradas e o histórico aumento das exigências legais para implementação de novos projetos. No caso da Phosfaz entendemos que a maturação das nossas reservas e lançamento de novos produtos deve viabilizar a ampliação da nossa capacidade produtiva em 2019, e além disto, permitirá que atuemos de forma mais competitiva nas regiões Sudeste e Centro-Oeste – nos setores sucroenergético e de grãos. 

A Phosfaz atua com um produto 100% nacional, desde a mineração até o produto final. De que forma isso beneficia na competitividade da empresa no mercado interno? Quais são as maiores variáveis que podem impactar no preço nacional do produto?

 Em linhas gerais, atuar de forma verticalizada, com um produto 100% nacional nos traz vantagens competitivas como maior capacidade de planejamento em longo prazo e redução às exposições, principalmente àquelas relacionadas aos insumos que viabilizam a nossa operação . Para os nossos clientes, isso se traduz em mais segurança de continuidade da nossa operação e pontualidade no fornecimento de fertilizante, independente de qualquer fator externo. Já com relação ao preço do produto, a principal variável que nos impacta como produtor nacional é o custo do frete. Dependendo da localização do cliente, o frete chega a representar um terço do valor do produto entregue, e nos últimos tempos temos visto grandes oscilações nos seus preços, tanto pela sazonalidade do mercado quanto pela incerteza que envolve o setor.

 O solo no Brasil é deficiente em fósforo, o que faz com a aplicação dele no solo seja necessária para quase todas as culturas. A Phosfaz trabalha com termofosfato, o qual é resultado de um tratamento térmico da rocha fosfática. Quais as vantagens das utilizações desse produto em relação as outras formas de aplicação de fósforo?

 O Brasil é um país de clima tropical e as principais fontes de fósforo possuem alta solubilidade em água. Isto, entre outros fatores, faz com que o aproveitamento do nutriente pela cultura seja muito baixo. Uma das principais características do Phosfaz é sua alta solubilidade em citrato neutro de amônio (“CNA”), que resulta em uma liberação gradual do fósforo, minimizando a fixação do nutriente no solo e fornecendo fósforo para a cultura ao longo de todo seu ciclo. Outra caraterística do Phosfaz é a ausência de acidez residual, ou seja, devido ao seu pH neutro, o seu uso de forma continuada não contribui para acidificação do solo, reduzindo assim a necessidade de práticas corretivas ao longo do tempo. Por fim, do ponto de vista de aplicação e armazenamento, o Phosfaz é um produto hidrofóbico, ou seja, ele não absorve umidade. Isto permite o armazenamento do produto sem risco de perda de qualidade por empedramento, além de garantir um ótimo rendimento operacional na hora da aplicação, já que não “mela” ou “empasta” durante a aplicação, reação típica de fertilizantes acidulados.  

A logística de fertilizantes é algo muito impactante no preço final do produto. Atualmente estamos passando por um período de instabilidade nos preços do Diesel e com isso no frete rodoviário. Qual a visão da Phosfaz nesse cenário e qual seria uma boa estratégia para os consumidores finais mitigarem os riscos logísticos?

Embora haja instabilidade no preço do diesel, entendemos que esse, embora relevante, é apenas um dos fatores que impactam de forma negativa a logística no Brasil e que é preciso somar a isso a infraestrutura precária das rodovias, ausência de modais alternativos eficientes e a insegurança jurídica que envolve esse setor desde a última greve dos caminhoneiros, tornando o mercado mais caro, instável e imprevisível para a indústria. Nesse cenário, o produtor pode reverter as consequências negativas se for capaz de aproveitar os momentos de baixa demanda antecipando a contratação de fretes e entregas de seus insumos. No caso dos fertilizantes fosfatados, o Phosfaz é um dos poucos produtos que possibilita adotar esta estratégia, já que não absorve umidade e pode ser armazenado por períodos mais longos sem perda de qualidade.  

É esperado que a demanda por fertilizantes cresça nos próximos anos. Dentro desse cenário a Phosfaz possui planos para se expandir a produção ou atuar em mais mercados?

Sim. Considerando a solidez do agronegócio e seu potencial de crescimento, enxergamos muitas oportunidades para crescermos além das nossas 100 mil t/ano atuais. Além da nossa unidade no PA, já estamos produzindo no Triangulo Mineiro e temos planos de, ainda em 2019, ampliar essa atuação na região Sudeste. A ideia é chegarmos a 300 mil toneladas por ano e entendemos que esse volume nos dá uma boa musculatura, permitindo que nos consolidemos no mercado de fertilizantes especiais. Neste momento, estamos explorando atuação apenas com fontes de fósforo, mas para os próximos anos temos planos de trabalhar também com produtos que atendam a necessidade de nossos clientes por NPK e micronutrientes no grânulo, porém, em um enfoque que foge do mercado de commodities. A nossa ideia é consolidar uma marca que remeta a soluções feitas sob medida para o agricultor.

Sobre a Phosfaz

A Phosfaz é uma empresa do grupo BTG Pactual, nascida em 2012 do sonho do ex-CEO da Vale Roger Agnelli de transformar o Brasil, que já era potência agrícola, em uma potência também em fertilizantes. Hoje é a maior empresa de termofosfato do Brasil, produzindo e comercializando 100.000/t. de termofosfato por ano. 

Por meio de um processo único e inovador, a solubilização do fosforo contido na rocha é realizada somente com calor, sem adição de qualquer outro produto químico. Esse processo gera um produto de alta eficiência agronômica, que se destaca pela menor fixação do nutriente no solo e pela liberação gradual e total do P2O5, nutrindo a planta durante todo seu ciclo.

 Equipe GlobalFert, 10/05/2019

 



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