Senado debate necessidade de reduzir dependência nas importações de fertilizantes

O Senado promoveu, na quinta-feira (6), sessão de debate no Plenário com o tema “Os fertilizantes no Brasil”. Os participantes afirmaram que o país tem potencial de se tornar o maior produtor mundial de fertilizantes, mas atualmente produz apenas 20% do que precisa. A sessão foi ideia do senador Laércio Oliveira (PP-SE), que também presidiu a reunião.
“Apesar de alimentar cerca de 800 milhões de pessoas no mundo, o Brasil é dependente do mercado internacional e importa, pelo menos, 80% dos fertilizantes usados para melhorar a produtividade e a qualidade de nossas lavouras. Para complicar este cenário, a atual guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que já completou 16 meses, agravou a dependência e afetou a economia brasileira, com impactos na agricultura e na segurança alimentar”, afirmou Laércio.
De acordo com ele, a Rússia produz 23% dos fertilizantes importados pelo Brasil. No total, apenas em 2021, o Brasil gastou cerca de US$ 15 bilhões importando fertilizantes. O senador disse que o país precisa encontrar outros países que vendem esses insumos, para diversificar as importações, e aumentar a produção nacional de adubos orgânicos. Ele pediu apoio ao Plano Nacional de Fertilizantes, cujo objetivo é reduzir a dependência brasileira de fertilizantes estrangeiros para em torno de 50% até 2050.
O senador Mauro Carvalho Junior (União-MT) registrou que há “entraves ambientais para a produção de cloreto de potássio no Brasil”, produto muito usado como fertilizante na agricultura nacional.
O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Rodolfo Saboia, ensinou que a produção de fertilizantes usa muito gás natural, mas que a agência “não tem meios de garantir preços mais baixos especificamente para a indústria de fertilizantes”. Segundo ele, vem aumentando a produção e o número de indústrias de gás no Brasil, o que favorece a competição e ajuda na regulação dos preços.
O representante do Ministério de Minas e Energia, Marcelo Weydt, comentou que o Brasil produz diariamente 144 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural e tem potencial para chegar a 323 milhões diários no ano de 2032.
“Somos dependentes de praticamente 100% da tecnologia de fertilidade do solo. Os fertilizantes foram criados para outros ambientes, para outros solos, para outros regimes pluviométricos e não para as nossas condições. A gente precisa adequar essa cadeia para a nossa realidade tropical. Nós temos as condições para inovar, tropicalizar os insumos de nutrição de plantas com base em preceitos sustentáveis, desenvolvendo nosso país em termos econômicos, sociais e ambientais e dando condições para o nosso agronegócio ser ainda mais produtivo e ainda mais sustentável”, afirmou o representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Bruno Santos Abreu Calligaris.
InfoMoney, 11/07/2023.



