Sebastião Marcos Vilela Junior – Superintendente de Fertilizantes da Coopercitrus comenta sobre as perspectivas de mercado


O mercado de fertilizantes segue no centro das atenções do agronegócio brasileiro, especialmente diante da volatilidade na relação de troca entre insumos e commodities agrícolas, das incertezas geopolíticas que afetam a oferta internacional e do avanço de discussões sobre políticas públicas e investimentos na produção nacional.
Dessa forma, entender como cooperativas e produtores estão se posicionando, torna-se essencial para dimensionar os desafios e as perspectivas da safra 2026/27.
Assim, para discutir esses temas, conversamos com Sebastião Marcos Vilela Junior, engenheiro e superintendente de fertilizantes da Coopercitrus.
1. Diante da piora na relação de troca, a cooperativa percebe uma tendência do cooperado em reduzir a área de plantio ou o consumo de fertilizantes?
Sim. O discurso do produtor, de forma geral, é de redução de plantio. Porém, acredito que a área não deva diminuir significativamente, pois ninguém costuma deixar áreas paradas e todos têm compromissos financeiros. A tendência é buscar a redução do custo por hectare, utilizando menores doses ou produtos menos concentrados. Com a queda dos preços dos nitrogenados após o acordo, não acredito em redução no consumo desses produtos. A atenção agora está voltada para o plantio; se não houver redução nos preços, é provável que ocorra um menor consumo de P₂O₅.
2. Vocês enxergam os fertilizantes orgânicos e biológicos como uma saída para reduzir a dependência de importação, ou ainda como insumos complementares que não substituem os fertilizantes químicos tradicionais?
Sim. Sem dúvida, esses produtos vêm demonstrando, ano após ano, ganhos de eficiência, permitindo um uso mais racional dos nutrientes. Isso contribui para uma agricultura mais sustentável e reduz a dependência de importações e dos riscos internacionais.
3. Como o setor cooperativo enxerga o avanço das políticas públicas e os investimentos na indústria nacional de fertilizantes?
Os investimentos nacionais são sempre bem-vindos. Uma maior oferta de produtos fabricados no Brasil traz mais segurança ao mercado. Ainda existem dúvidas sobre a competitividade da indústria nacional, mas, para os consumidores brasileiros, isso pode ser muito positivo, principalmente em momentos de instabilidade geopolítica e de restrição da oferta internacional.
4. Como a Coopercitrus avalia o cenário global de fertilizantes até esse momento e quais são as perspectivas para o mercado desse insumo?
O cenário geopolítico atual preocupa. No entanto, experiências anteriores mostram que o mercado tende a se ajustar, encontrando rotas alternativas, seja na logística, seja na oferta de produtos. Após alguns meses de conflito, normalmente há uma acomodação do mercado. Nossa expectativa é que o mercado seja menor do que o do ano anterior, em torno de 45 milhões de toneladas, mas ainda acreditamos na recuperação das importações. Permanecemos otimistas e entendemos que a queda esperada pode ser menor devido ao ajuste nos preços dos nitrogenados.
5. O que a Coopercitrus vê como principais desafios na rentabilidade do cooperado para a safra 2026/27, e como auxiliam o produtor nesse quesito?
O principal desafio do agro continuará sendo produzir. O equilíbrio financeiro está diretamente ligado à produtividade alcançada por hectare. Reduzir investimentos pode comprometer a produção. Nossa orientação é manter um controle rigoroso dos custos, mas sem deixar de fazer o básico bem-feito e de investir nas tecnologias que garantem maior produtividade.
Equipe GlobalFert, 14/05/2026



