Impactos geopolíticos e climáticos no preço e oferta de Ureia em 2025

O cenário geopolítico e climático tem afetado diretamente os preços da ureia em 2025, enquanto a demanda pela commodity na Índia intensifica a tendência de alta. Vivemos um ano atípico, marcado por um período de chuvas de monções excepcional no país, vital para a irrigação agrícola e, por consequência, no aumento do consumo de fertilizantes. Os recordes históricos reforçam o cenário climático: o mês de maio registrou o maior volume de chuvas em um século, e junho, o maior em dez anos. Além disso, as monções chegaram mais cedo ao país, antecipando o ciclo agrícola e pressionando o mercado global de fertilizantes.
Esse período de grande demanda indiana coincidiu com a intensificação dos conflitos entre Irã e Israel (iniciados em meados de junho), trazendo problemas para a produção iraniana, um dos grandes produtores do fertilizante, e para o Egito, outra peça-chave na exportação do produto. O impacto geopolítico provocou sucessivas altas no mercado.
Nas primeiras semanas de setembro, ao negociar volumes abaixo do esperado no último leilão de compra, a Índia influenciou um cenário de queda de quase 70 dólares abaixo do preço mínimo do último leilão ocorrido em agosto. No entanto, esses fatores ainda tem potencial de repercutir nos preços da ureia.
De um lado do conflito no Oriente Médio, temos Israel, relevante para o fornecimento de matéria-prima por meio de seus campos de gás natural que abastecem países do Norte da África, como o Egito, grande produtor de amônia e ureia. Durante conflitos, Israel costuma suspender temporariamente o fornecimento de gás natural, direta ou indiretamente, para diferentes países. Do outro lado está o Irã, um dos maiores produtores globais de ureia, com forte presença no mercado internacional e influência direta sobre o abastecimento de países como Brasil e Índia.
Atualmente, o cenário geopolítico segue instável, atravessando barreiras territoriais, com ataques de Israel ao Catar, responsável por 14% das importações brasileiras de ureia em 2024, e novas ofensivas terrestres em Gaza (16/09). Esses eventos se somam a um momento de tensão crescente, com potencial para gerar consequências tão significativas quanto as observadas em junho.
No caso do Catar, a produção de ureia é concentrada em Mesaieed, localizada na costa leste do país, cerca de 40 km ao sul de Doha. A região não foi alvo direto das ofensivas, que se concentraram em áreas próximas à capital, com foco em alvos ligados ao grupo Hamas, dentro de uma escalada regional e não como parte de um conflito bilateral direto.
E quanto à Índia, apesar de o período de maior consumo estar finalizando, com dois grandes leilões que somam 4 milhões de toneladas de ureia adquirida, um novo leilão é aguardado entre o fim de setembro e início de outubro. A janela de importação do produto para atender os volumes necessários para a safrinha de milho no Brasil, torna-se cada vez menor, especialmente diante da queda de 15% nas importações de ureia entre janeiro e agosto, na comparação ano a ano.
Somado a isso, é esperado que a China restrinja novamente as exportações de fertilizantes a partir de outubro, priorizando o consumo interno, após retomar a relação diplomática com a Índia e voltar a exportar para o país no último leilão, fator essencial para a queda recente dos preços. Aliado a esse cenário, o preço da amônia no Oriente Médio apresentou alta de cerca de 16,5%, impulsionado pela demanda indiana para a produção de fertilizantes fosfatados e por problemas produtivos enfrentados por grandes players do setor. Em um ano em que as variáveis geopolíticas tem sido importantes direcionadores, o acompanhamento estratégico e o fortalecimento da produção nacional de fertilizantes ganham ainda mais relevância e discussão, tornando-se peças-chave para garantir segurança e competitividade no campo.
GlobalFert, 18/09/2025.



