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Brasil e Reino Unido anunciam iniciativa conjunta para melhorar o uso e a produção de fertilizantes

Na COP30, os governos do Brasil e do Reino Unido lançaram a “Declaração de Belém sobre Fertilizantes”, uma solicitação oficial dos governos para que medidas sejam tomadas a fim de aprimorar a produção e o uso de fertilizantes — sintéticos e orgânicos — com foco em segurança alimentar, preservação ambiental e redução de emissões. O Japão também apoiou a iniciativa, juntamente com organizações da sociedade civil.

Richard Waite, diretor de Iniciativas Agrícolas do World Resources Institute (WRI), destacou que, apesar de essenciais para altas produtividades agrícolas, os fertilizantes representam uma das principais fontes de emissões de gases de efeito estufa e contribuem para a poluição do ar e da água. Ele ressaltou que mais de 50% do nitrogênio aplicado globalmente é perdido para o meio ambiente, evidenciando grande ineficiência e impactos distintos ao redor do mundo — excesso em algumas regiões e insuficiência em outras.

Waite reforçou que melhorar a eficiência do uso de nitrogênio representa uma solução de múltiplos ganhos: redução de emissões, aumento da rentabilidade ao produtor, manutenção da produtividade, melhora da qualidade do ar e da água e fortalecimento da saúde do solo. Estudos mostram que elevar a eficiência global de menos de 50% para 70% poderia reduzir 0,6 Gt/ano de CO₂e, enquanto fertilizantes de menor intensidade de carbono poderiam ampliar ainda mais esse impacto.

Segundo ele, alcançar esses resultados exige uma gestão mais inteligente de nutrientes, maior uso de fertilizantes de eficiência aprimorada — como inibidores de nitrificação —, desenvolvimento de culturas que utilizem nitrogênio de maneira mais eficiente e ampliação do investimento em pesquisa e desenvolvimento, especialmente em inibição biológica da nitrificação e biofertilizantes. Waite enfatiza também a importância de políticas públicas mais alinhadas, com subsídios e incentivos voltados para a eficiência no uso de nitrogênio e para a redução das emissões na produção de fertilizantes.

A solicitação oficial dos governos para que medidas sejam tomadas pode influenciar diretamente o cenário global de fertilizantes. No curto prazo, a declaração tende a estimular discussões técnicas e regulatórias, direcionando investimentos para fertilizantes de menor emissão e práticas agrícolas mais eficientes. No longo prazo, a tendência é de transformação estrutural: fabricantes podem ser pressionados a adaptar processos produtivos, aumentando a oferta de fertilizantes de baixo carbono; tecnologias como inibidores de nitrificação e biofertilizantes devem ganhar espaço; e políticas públicas podem reestruturar incentivos e subsídios, afetando preços, competitividade e padrões de uso pelos produtores rurais.

WorldFertilizer, Adaptado por GlobalFert, 25/11/2025.

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