Demanda por fertilizantes deve se manter em 2012
O consumo de fertilizantes em Goiás cresceu em 16% no ano passado, somando 2,4 milhões de toneladas. A alta é resultado do emprego de mais tecnologia e do manejo agrícola que estimulou também melhoras na produtividade e a manutenção da área plantada. Para 2012, a expectativa é de manutenção do consumo graças às altas nos preços das principais matérias-primas para a adubação agrícola.
O Estado é o sexto maior consumidor de fertilizantes como potássio, nitrogênio e fósforo e importa pelo menos 60% de toda a matéria-prima que utiliza para a correção agrícola. Em termos de consumo, Goiás fica atrás de Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná.
Ano passado, a agricultura goiana consumiu 351 mil toneladas de potássio, 206 mil toneladas de nitrogênio e 371 mil toneladas de fósforo, as três principais fontes de nutrientes para a produção de adubos que, somadas a outros nutrientes a eles misturados, totalizaram 2,4 milhões de toneladas, de acordo com o assessor técnico para a produção de adubos da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), Alexandro Alves dos Santos.
Esses elementos são extraídos diretamente da natureza ou elaborados como subproduto da extração de elementos minerais como o petróleo e gás natural. Por isso, representante da Faeg lembra que, com o preço do barril de petróleo na casa dos US$ 120, somando às variações cambiais das commodities agrícolas, além das dificuldades encontradas na infraestrutura, na passagem de 2010 para 2011 o preço desses insumos teve alta de 9% em média. “Estamos de forma evidente sujeitos às intempéries econômicas do mundo”, diz Santos.
O Brasil produz e exporta esses elementos, mas a carga de tributos que incide sobre os insumos nacionais torna os importados de países como Canadá, Rússia, Marrocos e Egito mais competitivos que os nacionais. “É mais barato importar que comprar de Estados produtores, como Sergipe e Minas Gerais”, completa o assessor.
Importações
Segundo a Secretaria de Indústria e Comércio (SIC), as importações goianas de fósforo, nitrogênio e potássio, somadas a outros 13 itens, entre misturas e compostos, alcançaram 121 milhões de toneladas já nos dois primeiros meses do ano, mostrando que o produtor está abastecendo seus estoques.
O professor de Economia Agrícola da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e consultor da MBAgro, Alexandre Mendonça De Barros, lembra que a oferta de fertilizantes vem crescendo, mas não consegue alcançar o ritmo de consumo. “No ano passado importamos 81% do nitrogênio, 66% do fósforo e 92% do potássio e o Brasil é hoje o quarto maior mercado de adubos, seguindo China, Estados Unidos e Índia”, diz ele. O crescimento da demanda desses insumos cresceu em todo o mundo graças à elevação das commodities dos produtos agrícolas. Em 2012, neste primeiro bimestre, já houve aumento da entrega de fertilizantes em relação ao mesmo período do ano passado, indicando aumento de 3,8 %, segundo dados da Associação Nacional de Difusão de Adubos.
O Hoje, 27/03/2012



