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China prioriza mercado interno, impactando disponibilidade de fertilizantes para o Brasil

A China reforçou sinais de priorização do mercado doméstico na exportação de fertilizantes, com relatos recentes sobre a suspensão de envios de misturas nitrogenadas e potássicas, além de algumas variedades de fosfato. A medida contribui para um cenário global mais restrito, impactando diretamente o Brasil, que depende do país asiático para cerca de 24% das importações de fertilizantes e 28% dos fosfatados. Produtos como superfosfato simples (SSP), superfosfato triplo (TSP) e NP (nitrogênio e fósforo) podem ter sua oferta reduzida, pressionando custos e planejamento no agronegócio brasileiro.

A escassez de insumos também é reforçada por fatores geopolíticos. Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia em 2022, o preço do enxofre, utilizado na produção de fertilizantes fosfatados, saltou de cerca de US$ 100/t para aproximadamente US$ 500/t no início de 2026, chegando a US$ 700/t após ataques dos EUA ao Irã. Com cerca de 400 kg de enxofre necessários para cada tonelada de fertilizante, empresas como a Mosaic Fertilizantes suspenderam temporariamente unidades produtivas, evidenciando a sensibilidade do setor a custos elevados e à instabilidade internacional.

A pressão se estende aos fertilizantes nitrogenados e ao potássio. Nitrogenados dependem de derivados de petróleo e gás natural, enquanto o potássio tem produção concentrada em regiões como Israel (5% da oferta global). A China firmou contratos antecipados de potássio com fornecedores russos para 2026, movimentação que reforça a percepção de oferta apertada e sinaliza riscos de volatilidade adicional.

O Oriente Médio, fornecedor estratégico de ureia, também permanece sob atenção do mercado global, concentrando mais de 40% das exportações do produto. O estreito de Ormuz, rota crítica, já foi fechado em função da escalada recente de tensões, reforçando o impacto da geopolítica sobre a disponibilidade e o custo de fertilizantes. Nesse contexto, o Brasil precisa acompanhar a diversificação de fornecedores e estratégias de abastecimento para mitigar riscos e volatilidade nos preços agrícolas.

CNN Brasil, adaptado por GlobalFert, 20/03/2026

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