Importações de fertilizantes recuam 24% em agosto

As importações brasileiras de fertilizantes perderam força em agosto. A retraçãofoi registrada entre os principais produtos, com exceção do nitrato, e teve como principal destaque a forte redução das entradas de cloreto de potássio.
Considerando os segmentos de ureia, nitrato, sulfato, MAP e cloreto de potássio, o Brasil internalizou 2,27 milhões de toneladas em agosto, queda de 24,1% ante as 2,99 milhões de toneladas registradas em julho. O desembolso total também recuou, passando de US$ 1,30 bilhão para US$ 980,6 milhões, redução de 24,3%.
Análise por produto
A ureia registrou importações de 508,5 mil toneladas em agosto, queda de 8,3% frente às 554,5 mil toneladas de julho. Além da redução no volume, houve uma mudança importante no perfil das origens. A Rússia voltou a liderar os embarques, com 121,7 mil toneladas, seguida pela Nigéria, com 67,8 mil toneladas, e pelo Catar, com 65,4 mil toneladas. Em julho, a liderança havia sido de Omã, com 173,5 mil toneladas, seguido por Nigéria e Rússia. Em agosto, as compras de Omã recuaram para 63,8 mil toneladas, enquanto novas origens ganharam espaço, como Argélia, com 52,5 mil toneladas, e Uzbequistão, com 31,5 mil toneladas.
Mesmo com o recuo nas importações de ureia, o preço CFR médio ponderado avançou 1,4%, de US$ 437/t em julho para US$ 443/t em agosto, reforçando a mudança de direção dos preços após a queda observada no mês anterior.
O nitrato foi o único produto do grupo a apresentar crescimento mensal. As compras avançaram de 138,2 mil toneladas para 162,2 mil toneladas, alta de 17,3%. A Rússia continuou amplamente dominante no fornecimento, respondendo por 155,2 mil toneladas, ou cerca de 96% do total, enquanto a Bulgária respondeu pelas 7 mil toneladas restantes. Em julho, a Rússia também havia liderado, com 131 mil toneladas, acompanhada por pequenos volumes provenientes do Egito e da Suécia.
Apesar do aumento de volume, o preço ponderado do nitrato caiu de US$ 462/t para US$ 402/t, retração de 13,0% no mês. O movimento ajudou a conter o crescimento do desembolso com o produto, que ficou em US$ 65,2 milhões em agosto.
Já o sulfato apresentou uma redução mais significativa. As importações passaram de 483,2 mil toneladas em julho para 402,2 mil toneladas em agosto, queda de 16,8%. A China concentrou praticamente 100% das compras brasileiras, reforçando uma estrutura de fornecimento ainda mais concentrada. Em julho, a China já dominava as importações, com 482,5 mil toneladas, enquanto Alemanha, Espanha e Singapura apareciam apenas com volumes residuais. O preço médio permaneceu praticamente estável, recuando 0,8%, de US$ 241/t para US$ 239/t, mantendo o sulfato como o produto de menor preço entre os cinco insumos analisados.
O MAP também perdeu ritmo em agosto. Foram importadas 268,8 mil toneladas, ante 325,9 mil toneladas em julho, retração de 17,5%. Houve ainda uma alteração relevante entre as principais origens: a Rússia assumiu a liderança, com 119,9 mil toneladas, seguida por Marrocos, com 57,3 mil toneladas, Estados Unidos, com 48,6 mil toneladas, e Arábia Saudita, com 43 mil toneladas. Em julho, a Arábia Saudita havia ocupado a primeira posição, com 142,6 mil toneladas, enquanto a Rússia forneceu 101,9 mil toneladas.
O preço ponderado do MAP ficou praticamente estável, passando de US$ 862/t para US$ 866/t, alta de 0,5%. Com isso, o MAP permaneceu como o fertilizante mais caro entre os produtos considerados no levantamento.
A maior contribuição para a queda das importações em agosto, entretanto, veio do cloreto de potássio (KCl). O volume caiu de 1,49 milhão de toneladas em julho para 927,8 mil toneladas em agosto, retração de 37,6%, equivalente a cerca de 558,5 mil toneladas a menos em apenas um mês. A queda reflete a demanda brasileira e internacional desaquecida e os volumes de produto já internalizados no brasil.
O Canadá assumiu a liderança no fornecimento, com 431,3 mil toneladas, seguido pela Rússia, com 203,3 mil toneladas, Turcomenistão, com 190,9 mil toneladas, e Israel, com 102,4 mil toneladas. Em julho, Rússia e Canadá apresentavam volumes mais próximos, de 515 mil e 498,5 mil toneladas, respectivamente. Assim, a queda mensal do KCl foi marcada sobretudo pela redução das compras de origem russa, parcialmente compensada pela maior participação do Turcomenistão. O preço ponderado recuou 2,3%, de US$ 398/t para US$ 389/t.
Comparação anual mostra queda ainda mais intensa nos volumes
Na comparação com agosto de 2025, o resultado também aponta para uma redução significativa das importações. Os cinco produtos analisados haviam somado 3,41 milhões de toneladas naquele mês, contra 2,27 milhões de toneladas em agosto de 2026, queda de 33,5% em um ano.
O movimento foi puxado principalmente pelo sulfato, cujo volume caiu 56,1%, de 916,1 mil para 402,2 mil toneladas, e pelo cloreto de potássio, com retração de 37,7%, de 1,49 milhão para 927,8 mil toneladas. A ureia também apresentou queda relevante, de 16,7%, passando de 610,4 mil para 508,5 mil toneladas.
Na direção oposta, o MAP cresceu 11,3% na comparação anual, de 241,6 mil para 268,8 mil toneladas, enquanto o nitrato avançou 3,0%, de 157,4 mil para 162,2 mil toneladas.
Preços seguem pressionados frente a 2025
Apesar do expressivo recuo dos volumes, os preços permanecem superiores aos observados há um ano na maior parte dos produtos. O movimento mais intenso continua no nitrato, cujo preço ponderado passou de US$ 256/t em agosto de 2025 para US$ 402/t em agosto de 2026, alta de 57,0%.
O sulfato registrou valorização de 25,1%, enquanto o MAP avançou 18,0%. No cloreto, o preço médio subiu 9,0%. A ureia apresentou a menor variação anual do grupo, com alta de 2,1.%
A combinação de menores volumes e preços ainda elevados fica evidente no desembolso. Em agosto de 2025, as importações dos cinco produtos haviam movimentado US$ 1,19 bilhão. Em agosto de 2026, mesmo com uma redução de 33,5% no volume, o valor desembolsado caiu em proporção bem menor, 17,5%, para US$ 980,6 milhões.
GlobalFert 18/09/2026



