Espanhola Agritecno desembarca no Brasil
A Agritecno, empresa espanhola que atua no segmento de aminoácidos e micronutrientes para o setor agrícola, desembarcou no Brasil por meio de uma joint venture com a Aspebio Brasil Comércio e Importação de Agroquímicos. A nova companhia aportou no país com perspectivas positivas de crescimento na comercialização de fertilizantes especiais que otimizam a nutrição das plantas. A meta é aumentar em dez vezes o faturamento com as vendas no Brasil em cinco anos.
A Aspebio atua como uma subsidiária da Agritecno, que está presente em cerca de 40 países e pertence ao também espanhol grupo Dadelos, fabricante e distribuidor de matérias-primas para as indústrias alimentícia e animal e de formuladores de fertilizantes. Considerada uma companhia de médio porte no segmento, a Agritecno fatura cerca de € 30 milhões por ano, de acordo com Miguelangelo Barros Basso, diretor de vendas e operacional da Aspebio/Agritecno.
Basso conta que a empresa espanhola foi criada há nove anos de olho em fertilizantes de alta concentração “complexados” com aminoácidos, que são produzidos a partir de cereais. O processo de “complexar” os produtos consiste em evitar a perda de nutrientes por parte da planta. Os dez produtos de solo e foliares comercializados no Brasil ainda são importados.
O diretor da Aspebio/Agritecno expõe que a meta é vender neste primeiro ano no Brasil cerca de R$ 5 milhões, com volume de 200 mil litros dos produtos – 2% das exportações totais da Agritecno, de 10 milhões de litros. As operações começaram oficialmente em dezembro de 2011, embora o processo de registro de produtos tenha começado há três anos. O plano é crescer 900% daqui a cinco anos e atingir R$ 50 milhões em vendas no país.
Basso acredita que a demanda por estes produtos tende a aumentar, já que, na sua avaliação, somente com o uso de fertilizantes especiais e com manejo especializado de pragas e doenças é possível ter grandes saltos na produtividade agrícola. A estratégia também permite o cultivo de duas a três safras de ciclo curto por ano.
O mercado de fertilizantes especiais e outros produtos de nutrição cresceu a uma taxa de 10% nos últimos dez anos no Brasil, segundo Gilberto Pozzan, diretor de fertilizantes foliares da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). A associação deve fazer um levantamento mais preciso sobre o mercado, que chegou a ser estimado em aproximadamente R$ 2 bilhões ao ano somente o segmento de micronutrientes.
Pozzan explica que, além dos micronutrientes, os extratos vegetais e os aminoácidos contribuem para uma melhor defesa vegetal e para o equilíbrio da nutrição da planta, como vitaminas. Ele lembra que o segmento tem atraído investimentos de fundos e empresas de defensivos.
Valor Econômico, 31/07/2012



