Bahia pode se transformar em polo produtor de fertilizantes
A Bahia, como grande detentor de terras agrícolas aptas para a expansão do agronegócio nacional, juntamente a com a região do chamado MAPITO, se credencia como um dos grandes protagonistas de nossa agropecuária (não se deve esquecer o Mato Grosso), e isso a transformará em grande usuário das tecnologias (convencionais e da biotecnologia) e insumos industriais impulsionadores da produtividade setorial, sendo tal evolução já reconhecida inclusive no plano internacional.
Não queremos insinuar que todas as indústrias desses insumos virão para a Bahia, mas que sendo grande usuário deles, este fator pode ajudar a atrair muitas empresas para Bahia.
Tal raciocínio, de grande demandante, se estende aos demais insumos, como fertilizantes, corretivos de solos, inoculantes, defensivos químicos e biológicos, equipamentos de irrigação e máquinas, vacinas, rações, medicamentos e produtos veterinários, sementes, mudas e outros.
Agora, o diretor da ANDA-Associação Nacional para Difusão de Adubos, David Toquetti Filho, acaba de publicar estatísticas que constatam a Bahia e a região do MAPITO como os Estados que tiveram incrementos em suas demandas de fertilizantes muito acima dos observados nos demais Estados e regiões brasileiras, no período dos últimos 22 anos, sempre na casa dos 2 dígitos.
Com efeito, no intervalo entre 1989 e 2011, o consumo deste insumo cresceu 10 % ao ano na Bahia, que já detém uma base de demanda expressiva no universo brasileiro, mercê principalmente das novas fronteiras agrícolas. O Maranhão, Piauí e Tocantins, com menor consumo ante a Bahia (e menor base de comparação, portanto), ostentaram, contudo, taxas de crescimento da demanda significativas, da ordem de 16,2%, 19% e 15%, respectivamente, no período aludido.
Mais ainda, esses números devem se manter e manter o quarteto na dianteira do processo expansivo do uso deste insumo, dadas as disponibilidades de terras planas com aptidão agropecuária, a preços imensamente mais baratos que os das áreas tradicionais do Sul do País.
Lembremos que uma indústria de fertilizantes já se instalou em Candeias, neste ano, mirando os mercados crescentes nas terras de grãos e fruteiras do Estado. Diante desses fatos, nada mais natural que a Bahia deva, efetivamente, pensar em por em prática ou intensificar uma estratégia de promoção e atração das indústrias de fertilizantes, ao menos em algumas etapas da cadeia setorial.
Tal cadeia produtiva, como se sabe, compreende diversas fases, desde as matérias-primas (gás natural, enxofre natural, rochas fosfática “in situ” e potássica), passando pelos produtos intermediários (como amônia, enxofre e rocha fosfática) e pela produção ácido nítrico, ácido sulfúrico e ácido fosfórico), até chegar aos fertilizantes básicos (como ureia, sulfato de amônia, superfosfatos simples e triplo, cloreto de potássio) e às etapas finais, da granulação e misturas de adubos compostos e formulados NPK.
Lembremos que, além de produzir fertilizantes nitrogenados, a Bahia tem jazidas de fosfatados no Oeste (Campo Alegre de Lourdes), e, segundo estudo da CONAB, se descobriu recentemente a possibilidade de dispor de jazidas expressivas de potássio no Recôncavo, cujas magnitudes e extensão necessitam de melhor quantificação (ver trabalho da CONAB, de Ali A. Saab, no livro “Abastecimento e Segurança Alimentar”, 2008, página 362).
Portanto, pensamos que a Bahia, pode, no médio prazo, se converter em importante polo de fertilizantes. Em prazo mais curto, todavia, parece-nos mais realista apostar e tentar atrair ao menos parte dos segmentos de granulação e misturadoras, até para reduzir os custos de transportes desses insumos até as regiões produtoras do Estado.
SUDIC, 13/08/2012



