Navios “passam” a vez no Porto de Paranaguá
Nos últimos meses, a movimentação recorde de grãos, junto com a greve dos fiscais da Anvisa e o tempo chuvoso, provocaram uma espera maior aos navios com destino a Paranaguá, no Litoral do estado. Nessas duas últimas semanas, no entanto, a causa da fila foi outra. Segundo a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) e também alguns produtores do estado consultados pela Gazeta do Povo, houve uma procura maior pelos últimos estoques da safra 2011/2012 de soja e pela produção da safrinha – agora “safrona” – do milho paranaense em função da quebra da safra norte-americana, onde as regiões produtoras sofrem com uma das piores secas dos últimos 70 anos.
Em um intervalo de seis dias (de 22 a 27 de agosto), 26 navios que aguardavam ao largo do terminal e foram chamados para atracar – alguns há mais de um mês – “passaram” a vez por ter não carga suficiente para receber. “Mesmo ficando na fila por mais tempo, os navios sabem que aqui há a certeza da carga, então vale a pena esperar”, ressalta o superintendente da Appa, Luiz Henrique Dividino.
Até o mês de julho, 1,3 milhão de toneladas de milho passaram por Paranaguá, um crescimento de 65% em relação ao mesmo período do ano passado. Os números de agosto ainda não estão fechados, mas devem surpreender.
Do lado dos produtores, o problema está sendo a falta de vagões e, principalmente, caminhões para o envio dos produtos. “Muitos dos caminhões previstos para voltar [ao campo] estão demorando mais que o esperado”, diz um produtor do Oeste do estado. Essa volta a que o produtor se refere é o retorno do caminhão com o fertilizante necessário ao plantio da próxima safra. Há dias, a principal movimentação vista no Porto de Paranaguá é a da descarga de ureia e outros componentes de adubo.
O atraso dos transportadores está sendo causado por mais de um fator. O primeiro ainda é um reflexo dos caminhões represados nas manifestações dos caminhoneiros acerca da regulamentação da função por uma nova lei federal. O segundo fator é a própria demora no carregamento do fertilizante.
Embora o porto esteja dando prioridade para o desembarque do produto, destinando mais berços à movimentação, a prática do carregamento envolve uma série de pormenores que atrasa o processo. Não há, por exemplo, uma forma de pesar exatamente quanto de fertilizante cada caminhão carrega. Ao passar pela balança, já na saída do porto, alguns são obrigados a voltar e reverter um pouco da carga excedente. Esse processo somado ao tempo da liberação fiscal da carga, que é importada, faz o caminhão demorar mais que as 24 horas normalmente previstas. Santos, no litoral paulista, estaria passando pelo mesmo problema.
Gazeta do Povo, 31/08/2012



