Negócios

Aposta firme em adubos especiais

A recente tendência de crescimento da demanda por fertilizantes especiais, capazes de ampliar a produtividade e a qualidade das lavouras, revigorou as perspectivas de negócios de mais uma empresa que durante anos encarou um mercado restrito para esses produtos no país.

Há uma década no Brasil, a Tradecorp, empresa de nutrição vegetal do grupo belga Sapec, confia no segmento para duplicar seu faturamento no país nos próximos três anos, para cerca de US$ 45 milhões. Paralelamente, planeja a construção de uma fábrica e estuda entrar no mercado de defensivos.

Criada na Espanha como Agtech, a companhia foi rebatizada como Tradecorp quando foi adquirida pelo Sapec, em 1985. No Brasil, já comercializa cerca de 40 produtos da área de micronutrientes e fertilizantes especiais, cuja aplicação pode ser concentrada em pontos que facilitam a absorção pelas plantas, o que eleva sua eficiência.

Cerca de 90% das vendas da empresa no Brasil são atendidas pelas unidades da Espanha e o restante por meio de parcerias com empresas locais. Por isso, a companhia avalia erguer uma fábrica no Brasil. Antes de instalar a filial brasileira, a Tradecorp trazia seus produtos diretamente da Espanha; hoje conta com 24 regionais instaladas em polos de produção agrícola.

Mário Fernando Franchi, diretor-geral da Tradecorp no Brasil, diz que a companhia não quer apenas crescer organicamente, mas com estratégia. “Trabalhamos com diferenciação para depois vendermos a melhor solução”.

Em 2012, prevê, o faturamento da Tradecorp no Brasil deverá aumentar cerca de 30% na comparação com 2011, para entre US$ 20 milhões e US$ 22 milhões. A expectativa é que esse montante dobre até 2015. Desde 2006, o crescimento médio registrado pela empresa no Brasil é de 40% ao ano, conforme Franchi.

Os investimentos no país somaram cerca de €10 milhões nos últimos anos. Franchi explica que, somente no ano passado, os acionistas passaram a ter retorno. Para os próximos três anos, ele estima que os aportes industriais e em pesquisa e desenvolvimento deverão superar a marca de €10 milhões.

Outro foco da empresa é inovação tecnológica. Atualmente, cerca de 20% do resultado da companhia provém de vendas de produtos com menos de cinco anos no mercado, informa Luiz Fernando Schmitt, diretor comercial da Tradecorp. As pesquisas são realizadas em um laboratório próprio na Espanha e com parceiros no Brasil. Na Índia, há pesquisadores envolvidos no desenvolvimento de novas moléculas de defensivos.

Franchi, o diretor-geral da Tradecorp, acena, ainda, com a possibilidade de que a expansão da empresa leve à construção de unidades industriais também no México e na região da Ásia/Pacífico, além do Brasil.

Com duas fábricas na Espanha, a Tradecorp atua em 64 países na Europa, África, América Latina e Ásia/Pacífico. Desde o segundo semestre deste ano, o Brasil – que responde por cerca de 25% da receita da Tradecorp Internacional – é a sede da companhia para a América Latina.

Além dos planos de expansão no Brasil, a Tradecorp enuncia que pode fazer parcerias ou comprar outras empresas. “O grupo está sempre aberto a joint ventures ou a aquisições que estão sendo estudadas”, considera Franchi.

Na frente dos defensivos, a Tradecorp já aguarda no Brasil a aprovação de alguns produtos. A Sapec Agro mantém sociedade com uma empresa em Macau, na China, para o desenvolvimento e produção de moléculas genéricas para defesa vegetal.

O conglomerado familiar, com sede em Portugal, só perde em defensivos na Península Ibérica para as grandes multinacionais. Com forte presença no agronegócio, que representa cerca de 30% da receita do grupo, o Sapec é uma holding industrial e de serviços que atua também em segmentos como logística e distribuição, tratamento de resíduos, energias renováveis e no ramo imobiliário.

Listado na bolsa de Bruxelas e com faturamento global de € 516,1 milhões (2011), o grupo é controlado pela família belga Velge e tem como sócios um grupo de investidores da Bélgica e o Banco Espírito Santo.

Valor Econômico, 20/09/2012

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