Negócios

Caso de sucesso utiliza refugo de fertilizante

Em 2008, a família Pansa decidiu bater à porta da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pedir recursos para um plano de inovação bem peculiar: desenvolver uma tecnologia para ganhar dinheiro com o refugo da indústria de fertilizantes. Apresentou o projeto Brasfluor que, de uma maneira bem simplista, consiste em transformar o excesso de flúor proveniente dos fertilizantes fosfatados em insumo para indústria de alumínio e de borracha.

Por meio da Quirios, empresa da família que faz matéria-prima para as indústrias de química fina, conseguiu captar R$ 14 milhões com prazo de oito anos para pagar, construiu uma planta-piloto com tecnologia própria para produzir “fluoreto de alumínio” e “sílica precipitada”. Os dois produtos são usados, respectivamente, em indústrias como Alcoa, Alcan, Vale, Goodyear, Grendene e Alpargatas. Além de comprovar a viabilidade de fabricar os dois insumos na mesma unidade industrial, o projeto Brasfluor consegue eliminar um passivo ambiental, já que o excedente do flúor necessita de um método adequado para ser eliminado na água dos rios.

“O próximo passo é construir uma fábrica e fazer os produtos em escala industrial”, diz Ricardo Panso, presidente da empresa. Um dos caminhos para levantar os recursos necessários, da ordem de R$ 80 milhões, poderá ser o mercado de capitais – numa operação ainda não desenhada na cabeça do empresário. Até porque os negócios do grupo passaram por uma grande reestruturação este ano. A Quirios, de onde brotou o projeto Brasfluor, foi incorporada à Nutriplant – companhia da família que opera no segmento de micronutrientes para plantações.

A Nutriplant nasceu na década de 70, justamente de um projeto inovador de um pesquisador americano de usar a tecnologia de micronutrientes para aumentar a produtividade agrícola, quando ainda nem se falava sobre o assunto no Brasil. Os micronutrientes ampliam a produtividade de culturas por meio de componentes complementares aos fertilizantes. Depois que passou ao controle da família Pansa, em 2004, pavimentou um caminho de se diferenciar com técnicas novas para o campo.

Abriu seu capital em 2008, na Bovespa Mais, segmento da bolsa voltado para as empresas de menor porte, seduzindo investidores sobre o potencial do seu mercado. Captou R$ 21 milhões. Afinal, faz fertilizantes especiais e ainda pouco utilizados no Brasil, onde prevalece o uso dos convencionais (composto por nitrogênio, fosfato e potássio). “O setor de fertilizantes especiais vem crescendo a taxas de dois dígitos, movimentou US$ 1 bilhão no ano passado e tem apenas 30% do mercado total. Há espaço para avançar”, diz Pansa.

Nesse cenário, a companhia decidiu mudar. Acaba de vender, por R$ 24,5 milhões, sua unidade de produtos de solo localizada em Paulínia (SP) para a Mixfértil. Em paralelo, unificou as operações com a Quirios, que passou a ser subsidiária integral. Com isso, vai concentrar a atuação nos produtos foliares, aplicados diretamente sobre as folhas das plantas, que oferecem margens superiores.

Valor Econômico, 27/09/2012

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