Sementes e herbicidas puxam alta de custos da próxima safra de soja
O preço mais alto de sementes e herbicidas têm puxado os custos dos produtores de grãos que já se preparam para plantar a próxima safra do país, disseram especialistas, apontando uma oferta mais apertada dos produtos.
Por outro lado, os gastos com fertilizantes –que respondem pela maior fatia na tabela de custos dos produtores– ficaram praticamente estáveis este ano.
O pacote de insumos –que inclui fertilizantes, sementes e defensivos– está 8 a 10 por cento mais caro para a safra 2013/14 de soja, que começará a ser plantada no quarto trimestre, segundo levantamento do Cepea, centro de pesquisas da Universidade de São Paulo.
Para o milho, a elevação de custos é de 5 por cento.
A estimativa do Cepea, que mede mensalmente os custos de produção no país, engloba os meses de março a junho, período em que os agricultores concentram as compras.
Entre os itens com maior aumento para a soja, segundo o centro, estão os herbicidas –elevação de 30 a 40 por cento, dependendo da região– e as sementes, com aumento de 15 a 20 por cento.
Os agricultores de Mato Grosso, Estado com a maior colheita de soja no país, sentiram altas mais significativas, com valores de custos considerados recordes pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ligado à federação de produtores.
O custo com o pacote de insumos aumentou 24,3 por cento, em relação à safra passada. A maior alta foi observada nas sementes, quase 49 por cento, segundo o Imea.
“Este ano a gente teve um problema na Bahia, onde há a maior produção de sementes, e aqui em Mato Grosso também. Houve problemas na colheita dessa safra 2012/13 e as principais variedades disponíveis no mercado tiveram uma escalada no mercado”, explicou o gestor do Imea, Daniel Latorraca.
Além da oferta mais apertada, os especialistas apontam o aumento da área destinada à oleaginosa como outro fator de alta dos preços.
Consultorias estimam um plantio de mais de 29 milhões de hectares em 2013/14, crescimento de mais de 1 milhão de hectares ante a temporada anterior.
Em relação aos herbicidas, o analista Victor Ikeda, do Cepea, explica houve uma alta nos preços devido a uma restrição na fabricação de glifosato, um dos químicos mais utilizados, na China.
Em Mato Grosso, as sementes de soja e os herbicidas respondem por uma fatia de pouco mais de 11 por cento dos custos com insumos, cada um. Fertilizantes são 50 por cento dos custos, segundo o Imea. O peso de cada item varia de acordo com cada região.
DÓLAR E FERTILIZANTES
O Cepea estima que cerca de 80 por cento dos insumos para a próxima safra já foram adquiridos, o que permitiu a muitos produtores evitarem efeitos do real desvalorizado sobre os preços dos fertilizantes.
A moeda norte-americana subiu mais de 10 por cento ante o real em dois meses e a alta não será revertida no próximo ano, podendo acelerar ainda mais com a redução do estímulo à economia dos Estados Unidos, segundo pesquisa da Reuters publicada nesta quarta-feira.
Boa parte dos fertilizantes utilizados no Brasil são importados.
As entregas de fertilizantes nos primeiros cinco meses do ano avançaram 3 por cento ante igual período de 2012, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), que reúne as empresas do setor.
A Informa Economics FNP, que elaborou estimativa de custos em maio –antes do maior impacto da alta do dólar–, estimou que os preços deste insumo recuaram de 1 a 5,4 por cento ante a safra anterior, dependendo da região.
“O produtor que fez as contas dele e já fez a aquisição de adubo, ele necessariamente fez uma grande operação. As traders de adubo começam a mudar as tabelas de preços de adubos. O adubo tende a ficar mais caro neste segundo semestre”, disse Aedson Pereira, analista da consultoria.
Com uma metodologia diferente, o Cepea estimou estabilidade nos preços.
“A gente já reparou em junho que em alguns casos aceleraram as vendas de fertilizantes. Quem estava em dúvida, já fechou negócios de fertilizantes”, disse o pesquisador do Cepea Victor Ikeda, citando produtores que tentaram evitar altas ainda maiores do produto.
Segundo ele, nas últimas semanas o Cepea recebeu notícias de revendas reajustando os preços dos fertilizantes quase todos os dias.
Reuters, 03/07/02013



