Itataia revolucionará a economia dos sertões
Investimento da ordem de R$ 750 milhões, capaz de gerar 1.200 empregos diretos e outros 3.000 indiretos, no pico da obra, além de 820 quando entrar em operação, possivelmente no segundo semestre de 2017. Este é um pequeno resumo dos números sobre a mina de Itataia, localizada na região limítrofe entre os municípios de Santa Quitéria, Madalena e Itatira, nos sertões de Canindé, que deverá produzir, nos primeiros cinco anos – cerca de 1.200 toneladas de urânio e 170 mil toneladas de ácido fosfórico, além de 600 mil toneladas de minério fosfatado anuais -, que deverão ser revertidas em diversos outros produtos. Ao seu lado também será construída uma fábrica de fertilizantes, para consumir parte do material retirado do subsolo. A jazida de Itataia fica dentro de uma fazenda de 4.000 hectares e ocupa uma área com um quilômetro de extensão por 800 metros de largura.
Por iniciativa do deputado federal Danilo Forte, foi realizado o seminário ‘Retomada do projeto de exploração da mina de Itataia e sua importância econômica para o Ceará’, que contou com a participação das duas empresas integrantes do Consórcio Santa Quitéria – a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e a Galvani Fertilizantes. Ele vem brigando para que o projeto saia do papel, desde 2003, mas a jazida de urânio foi descoberta em 1976, no governo César Cals, mas desde então, diversos entraves atrapalharam o início de sua exploração comercial, que poderia gerar uma série de benefícios para os moradores de uma das áreas mais castigadas pela estiagem no Ceará. “Trata-se de um projeto de grande importância para esta que é uma das regiões mais pobres do Ceará – entre os sertões Central e dos Inhamuns -, onde há uma carência muito grande de investimentos como este, que alavanca vários outros”, disse.
De acordo com os integrantes do Consórcio Santa Quitéria, quando estiver em pleno funcionamento, a fábrica de fertilizantes deverá ter um faturamento que deverá ficar entre R$ 600 milhões e R$ 1 bilhão por ano, dependendo da taxa cambial, além de gerar uma arrecadação de ICMS da ordem de R$ 125 milhões aos cofres públicos cearenses. Outro dado revelado por eles é que a região Nordeste, especialmente os estados do Ceará, Piauí, Maranhão e Bahia, além de Tocantins (Centro-Oeste) receberiam os fertilizantes produzidos na região de Itataia. Já o fosfato bicálcico, utilizado na fabricação de ração para bovinos, caprinos e ovinos, deverá ser vendido para o estado do Pará, na região Norte.
APRESENTAÇÃO
Segundo o parlamentar cearense, o seminário serviu para fazer uma apresentação do desenvolvimento do projeto, do ponto de vista técnico e industrial, separação dos minérios, processo de exploração, infraestrutura, demanda de mão-de-obra necessária, além da qualificação de jovens da região. “Também haverá necessidade de parceria com as prefeituras da região e empresas, para contribuírem na formatação e desenvolvimento do empreendimento, dirimir as dúvidas com relação ao processo industrial”, afirmou Danilo Forte, lembrando que o próximo passo é a liberação das licenças ambientais, que devem demorar cerca de um ano.
Dentre as principais obras de infraestrutura necessárias para a implantação da mina estão a adutora com cerca de 42 quilômetros de extensão, entre o açude Edson Queiroz e a Lagoa do Meio; oito quilômetros de rodovia com capacidade para suportar o trânsito de caminhões com até 45 toneladas de carga, ligando a mina até a BR-020, além do fornecimento de energia elétrica. “Estamos trabalhando neste projeto há dez anos e vimos que a INB não tinha condições de realizar, sozinha, a exploração da jazida de urânio. Aqui temos uma riqueza extraordinária, devido ao calcário utilizado na fabricação de cimento e fertilizantes. Assim que as licenças ambientais forem liberadas, o Governo do Estado inicia as obras estruturantes”, destacou o deputado federal.
Para Ronaldo Galvani Júnior, gerente de suprimentos da fábrica de fertilizantes, como o protocolo de EIA-Rima foi entregue no mês passado, a partir de agora, tudo é uma questão de tempo. “O trâmite para a expedição da licença prévia deve demorar de seis meses a um ano e, em meados de 2015, deverá ocorrer o início das obras. Nossa empresa será responsável pelo investimento de R$ 750 milhões e, em contrapartida, terá direito ao fosfato mineral da jazida”, explicou. Já a INB – que é uma empresa estatal, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia -, realizará a exploração de urânio, que é monopólio. “O urânio extraído daqui irá abastecer a usina de Angra III e mais alguma que o Governo Federal venha a construir”, afirmou José Roberto de Alcântara e Silva, coordenador do Projeto Santa Quitéria, por parte da INB.
PREFEITOS DA REGIÃO APOIAM A EXPLORAÇÃO CONSCIENTE DA MINA
Diversos prefeitos da região também estiveram presentes ao seminário sobre a mina de Itataia, objetivando dar apoio ao projeto, bem como saber o que poderá ser proporcionado à população que reside no entorno da mina, como a transformação social que poderá oferecer melhor qualidade de vida a todos. Eles disseram que há o interesse de desenvolver programas de qualificação da mão-de-obra local, bem como fornecedores na região (comércio, indústria e serviços), além de estabelecer parcerias. Tudo visando ao crescimento da economia daquela área do Estado, de maneira geral.
Segundo Fabiano Magalhães, prefeito de Santa Quitéria, onde está localizada a entrada da mina, é preciso democratizar a informação, desmistificando inverdades que vêm sendo levadas ao conhecimento da opinião pública, afirmando que a exploração da mina provocará a poluição e a degradação do meio ambiente. “Minha preocupação é fazer com que aquela área não torne-se uma zona portuária, onde engrandece a desagregação social, a violência e a prostituição. Queremos ser facilitadores de toda a infraestrutura e desenvolvimento para a região e o Ceará. Santa Quitéria é a Minas Gerais do Nordeste, pois temos urânio, fosfato, calcário, granito e ferro no nosso subsolo, ou seja, muitas riquezas. A exploração da mina será um divisor de águas para nosso município, gerando benefícios não apenas econômicos, mas também sociais.”, afirmou.
Já para o prefeito de Canindé, Celso Crisóstomo Secundino, o tema da mineração é muito interessante e a mina de Itataia é como um porto, uma refinaria, pois pode trazer inúmeros benefícios, melhorando a qualidade de vida da população residente no seu entorno. “Poderemos ter um avanço enorme nesta questão, se nos incluirmos neste processo de desenvolvimento, do Ceará e do País. Os jovens precisam estudar, porque o futuro está abrindo-se para nós. Temos cerca de 65% de nossa população em idade economicamente ativa, por isso precisamos ter um novo processo de inserção dessa mão-de-obra aqui na região de Canindé. Acredito que a mina também promoverá o fortalecimento de toda a infraestrutura desta área do Estado com estradas melhores, ferrovias, telecomunicações, hotéis, restaurantes, transporte. Um crescimento salutar, com empresas que irão se instalar ou serem criadas para tender à demanda”, destacou.
Estado do Ceará, 14/10/2013



