Vale busca parceiros para área de fertilizantes e Moçambique
Como parte do seu plano de desinvestimentos, a mineradora Vale deve fechar nos próximos meses a venda de participações de seus negócios de fertilizantes e na área de logística de sua mina de carvão em Moçambique, na África.
Segundo o presidente da mineradora, Murilo Ferreira, a companhia está negociando parcerias para sua área de fertilizantes, mas ainda não decidiu se venderá parte da Vale Fertilizantes (antiga empresa, hoje divisão da mineradora) ou fará joint ventures para projetos, como o de Carnalita, em Sergipe, ou o de Kronau, no Canadá.
Estima-se que o projeto de Carnalita tenha capacidade de produzir 2,2 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, já Kronau está entre 3 milhões e 5 milhões de toneladas/ano. Indagado sobre possíveis parceiros, Ferreira disse apenas: “estamos namorando ainda”.
Já a venda de metade de sua fatia no Corredor Nacala deve ocorrer mais rápido, ainda no primeiro semestre de 2014, afirmou Ferreira. A ferrovia de 900 km vai ligar a mina de Carvão de Moatize ao porto de Nacala, em Moçambique. “Estamos em tratativas concretas com um parceiro no Corredor, braço logístico do setor de carvão. Teremos um sócio”, disse.
A Vale detém 70% do empreendimento, os outros 30% pertencem ao governo do país e investidores menores. No entanto, a companhia responde sozinha pelos investimentos de US$ 4,4 bilhões. Como capacidade para cerca de 22 milhões de toneladas anuais, a ferrovia, que será um corredor aberto e transportará outros produtos, como alimentos e combustíveis, poderá ser expandida nos próximos anos.
Ferreira disse também que a empresa deve anunciar em breve a venda da última fatia na Valor Logística Integrada. Este ano, já foram vendidas parcelas para a Mitsui e para o FI-FGTS, da Caixa Econômica Federal.
Paralelamente, mantendo a estratégia da Vale de focar no minério de ferro, seu principal mercado, Ferreira confirmou que a capacidade de transporte da Estrada de Ferro de Carajás, no Pará, vai atingir 128 milhões de toneladas anuais em 2014. Este ano, a capacidade de transporte foi de 110 milhões de toneladas. Segundo ele, a capacidade será aumentada gradativamente devendo chegar a 150 milhões de toneladas, em 2015, e 230 milhões de toneladas, em 2017.
A empresa já obteve a licença de operação para a usina de um de seus projetos de expansão, o Adicional 40, que acrescentará 40 milhões de toneladas por ano à produção de minério de ferro em Carajás. Recentemente, a Vale disse que a expansão da produção ainda esbarrava na capacidade de transporte.
Segundo Ferreira, a Vale pode ainda reabrir sua unidade de pelotização de minério, pois o mercado voltou a aquecer, principalmente por conta dos Estados Unidos, que apresentam sinais de retomada. O primeiro passo, afirmou ele, foi a assinatura de contrato de fornecimento de minério pela Samarco, subsidiária da Vale, à americana Nucor.
Econômia IG, 19/12/2013



