Em 2014, Vale deve vender ativos para fazer frente a investimentos
O ano de 2014 continuará a ser um ano de corte de gastos e venda de ativos para a Vale. Analistas que acompanham a empresa apostam que os próximos passos da companhia será se desfazer de sua operação em bauxita (matéria-prima para o alumínio), de fatias em projetos logísticos e de participações em minas de fertilizantes. Em 2013, a companhia vendeu cerca de US$ 5 bilhões em ativos. O objetivo é fazer frente aos elevados investimentos planejados para os próximos anos e enfrentar o fim do “superciclo” das commodities. Estimativas apontam que o preço da tonelada do minério de ferro, carro-chefe da Vale, ficará entre US$ 110 a US$ 140 nos próximos dois anos, bem abaixo dos US$ 180 atingidos em 2011.
Empresa leiloa ações da Log-in
Os desinvestimentos fazem parte da estratégia que Murilo Ferreira implementou desde que assumiu presidência da Vale, em maio de 2011. Ao contrário do antecessor, Roger Agnelli, que buscou diversificar os negócios da companhia, Ferreira elegeu áreas prioritárias e abandonou segmentos como caulim e alumínio. A última operação da cadeia do alumínio que resta no portfólio da mineradora é a Mineração Rio do Norte (MRN), que tem minas de bauxita no Pará. A Vale tem 40% da empresa. A mineradora realiza hoje leilão de ações ordinárias (com voto) da Log-in, empresa de soluções logísticas. A Vale tem 31,3% da Log-in.
Na área de logística, a Vale vendeu 36% da VLI, sua subsidiária para transporte de carga geral (de terceiros), por R$ 2,7 bilhões para a japonesa Mitsui e para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa Econômica Federal. Na ocasião do anúncio, feito em setembro, a mineradora adiantou que ainda negociava a venda de 26% da VLI com a Brookfield.
A mineradora pretende também vender metade de sua participação em uma ferrovia em Moçambique, que integra o chamado corredor Nacala, que trasportará o carvão das minas de Moatize até o litoral moçambicano.
– A Vale fechou o espectro e está se concentrando em ativos de classe mundial. Tem priorizado projetos com elevado retorno para compensar o fim do superciclo das commodities e o investimento que fará nos próximos anos – diz Luiz Caetano, analista de mineração da Planner.
O maior projeto da Vale é o S11D, expansão do complexo de Carajás em Serra Sul, no Pará, orçado em U$ 19,5 bilhões (incluindo mina e logística) e com previsão de entrar em operação em 2016. Com isso, deve ampliar a dependência de sua receita em relação ao minério de ferro e da China, principal destino dos embarques de minério da companhia. Ano passado, a China respondeu por 34,2% . Considerando a receita por segmento, minério de ferro e pelotas representaram 68,2% do total.
Para Victor Penna, analista de mineração do Banco do Brasil, a elevada dependência em relação à China é um risco, mas mudanças no direcionamento da economia chinesa a partir da última reunião do Partido Comunista (PC), em novembro, podem abrir espaço para novos investimentos no país e para manutenção do apetite chinês por minério.
– O principal consumidor de commodities no mundo é a China. A Vale não tem como fugir dessa dependência. Para os próximos dois anos, acredita-se que os preços do minério fiquem entre US$ 100 e US$ 140 a tonelada, abaixo do pico, mas ainda em um bom patamar. O problema é depois de 2015. Mas a promessa de abertura da economia chinesa, feita na última reunião do PC chinês, pode favorecer a Vale, na medida em que novos investimentos sejam feitos no país – avalia Penna.
À procura de sócios
O diretor de Ferrosos e Estratégia da Vale, José Carlos Martins, minimiza eventuais riscos da elevada dependência chinesa:
– Ninguém se preocupa que a Austrália (principal concorrente do Brasil no fornecimento de minério à China) seja dependente dos chineses. Por que a Vale se preocuparia?
A Vale também pretende atrair sócios para a área de fertilizantes. A empresa avalia vender parte da Vale Fertilizantes, holding que reúne os ativos de fertilizantes, ou atrair sócios para projetos isolados de potássio e fosfato. A companhia tenta ainda passar adiante o projeto Colorado, na Argentina, que foi suspenso em março, após aumento de custos locais.
O Globo, 03/01/2014



