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A alta no mercado de fosfatados é perene?

A China abriu sua janela de baixas tarifas de exportação de fosfatados no dia 16 de maio, e os agentes do mercado esperavam que o incremento à oferta internacional que vem a arraste desse evento fosse capaz de pressionar os preços, mas, até agora, isso não aconteceu. Não apenas a pressão não se materializou, como o mercado demonstra sinais de fortalecimento nas semanas recentes, com o preço do MAP, DAP e ganhando força. Os gráficos abaixo ilustram essa dinâmica.

MAP – Báltico (US$/tonelada FOB)

Fonte: ICIS

DAP – Golfo Estadunidense (US$/tonelada FOB)

Fonte: ICIS

TSP – Norte da África (US$/tonelada FOB)

Fonte: ICIS

Aponta-se as demandas de Índia e Paquistão por produto Chinês como principais razões para a reviravolta. Os indianos devem voltar ao mercado para novas aquisições à frente das aplicações de setembro, mas isso dependerá da qualidade das chuvas de monções. Nota-se, entretanto, que os estoques no país são avaliados como altos, o que pode limitar a demanda da Índia na abertura de seus próximos leilões por produto acabado. Além disso, o país segue comprando insumos para a produção doméstica de DAP, abrindo leilão para aquisição de 100 mil toneladas de rocha fosfática (incluindo opcionais) na última semana, com indicativos de que as negociações para preço de ácido fosfórico serão abertas no início de julho.

Outro comprador importante desta época do ano é o Brasil. A proximidade da safra de soja deve dar corpo às aquisições brasileiras no mercado internacional a partir de julho/agosto, em linha com a tendência histórica. Nota-se, entretanto, que as importações brasileiras de fosfatados (SSP, TSP, DAP e MAP) já estavam acumuladas em 1,54 milhões de toneladas em abril, adiantamento de 15,91% em relação à 2013. Além disso, há um total de 304,35 mil toneladas de NPs importados em 2014, 53,7% acima das importações das mesmas misturas no ano passado. Nota-se, além disso, que apesar de um recuo nas importações de abril, o estoque acumulado de pentóxido de fósforo está 26,8% acima de 2013, como ilustra a tabela a seguir.

Estoque de p2o5 (mil toneladas)

Fonte: Siacesp/ANDA

Imagina-se, desta forma, que a demanda somada de ambos os países, que agrega suporte significativo ao mercado internacional neste meio de ano, fique aquém do que se verificou em anos anteriores, mitigando uma retomada mais firme, ou ao menos colocando um teto baixo no mercado. Caso os preços ganhem mais força, há de se supor que a produção chinesa ganhará corpo. Com a janela de baixas tarifas aberta até o dia 15 de outubro, a alta recente no mercado internacional ainda não é vista como uma tendência perene, o que deve fazer com que os preços recuem no médio prazo, voltando a se fortalecer apenas no fim de novembro, quando os Estados Unidos iniciam o período de aquisições para sua próxima safra de primavera.

 

INTL FCStone, 09/06/2014

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