Efeito da volatilidade sobre as commodities depende do produto
Para dois grandes setores exportadores de commodities – minério de ferro e café -, o sobe e desce do real em relação ao dólar teve efeitos distintos. Para as mineradoras, o real mais desvalorizado de meses atrás, na casa dos R$ 2,40 por dólar, ajudou a compensar momentaneamente a baixa nos preços do minério de ferro. A atual valorização acabou com o alívio. Já para os exportadores de café, o real mais forte é uma boa notícia.
“O setor mineral passou a enfrentar dois fatores negativos, a valorização do real e a queda do preço do minério”, diz Cristiano Parreiras, diretor administrativo do Sindiextra, sindicato que reúne mineradoras em Minas Gerais. No início do ano, a tonelada do minério de ferro estava cotada a US$ 115 e hoje está ao redor de US$ 90.
Apesar da importância do câmbio para quem produz o principal item da pauta de exportação do Brasil, o que o incomoda mesmo é o preço. “Nosso maior problema hoje é o baixo valor da cotação do minério de ferro. O câmbio é secundário”, afirma Parreiras. Os preços da commodity não são influenciados pelo preço da moeda americana no Brasil, diz ele.
Segundo fontes do setor ouvidas pelo Valor, empresas de minério de ferro definiram em seus orçamentos deste ano um câmbio na faixa dos R$ 2,30.
No caso dos cafeicultores, “um câmbio muito desvalorizado prejudica”, diz Maurício Ribeiro do Valle, superintendente de finanças da Cooxupé, que se apresenta como a maior cooperativa de cafeicultores do Brasil.
“Apesar de sermos uma casa exportadora, prefiro o dólar a R$ 2,20, e não a R$ 2,40”, diz. Valle. A razão para isso, explica, é que 25% a 30% dos insumos consumidos pelos produtores de café são fertilizantes e defensivos, em grande parte importados e pagos em dólar.
Outra particularidade do setor do café é que, se o real cai em relação ao dólar, os produtores e exportadores não conseguem necessariamente aumentar sua rentabilidade, como acontece com a maioria dos demais setores exportadores.
Quando o real começa se desvalorizar, afirma Valle, os produtores de café aumentam a oferta do grão no mercado mundial na tentativa de aproveitar o momento. Mas como o Brasil é o maior produtor de café do mundo, com aproximadamente um terço da produção total, esse aumento de oferta acaba levando a uma tendência de queda da cotação internacional do produto.
Valor Econômico, 30/06/2014



