Alta do dólar tem reflexo no custo dos insumos agrícolas
A sucessiva alta do dólar em relação ao real está impactando de forma significativa no preço de insumos agrícolas, especialmente fertilizantes que têm seus componentes importados. Alguns comerciantes calculam de 20% a 30% de aumento nos insumos. Para se ter uma ideia, o dólar comercial fechava ontem a R$ 3,29. Além do valor da moeda norte-americana, o produtor rural contabiliza prejuízos com as chuvas e sofre com o aumento do diesel que é repassado aos fretes. “Faltou chuva antes e sobrou agora. Até o milho safrinha está atrasado. A vida do agricultor depende do tempo. E, independente do preço, têm que comprar (insumos) para garantir o plantio”, ressalta o produtor de soja Nelson Francisco Nunes de Oliveira, de Salto de Pirapora.
O presidente do Sindicato Rural de Sorocaba, Luiz Antonio Marcelo, explica que na época da colheita, não raro, o valor do dólar sofre alteração e, dificilmente, o agricultor consegue repassar para o produto. Em plena colheita as ofertas são maiores, observa. Os preços de cereais, por exemplo, estão mantidos. Nesta safra a moeda norte-americana subiu demais, assim como o diesel, destaca. Marcelo acredita que a partir de agora a maior parte dos produtores devam sentir o drama, pois tem início a procura por insumos (adubo e calcário) e sementes. “Lá atrás, em setembro, quando o produtor de soja iniciou o plantio, no mês de outubro, o dólar custava de R$ 2,20 a R$ 2,40. Hoje tem também a alta significativa do diesel”, observa.
Algumas lojas de defensivos agrícolas podem estar comercializando estoques, mas novos pedidos não absorverão essa alta, acredita. Têm produtores que empenham sua safra antes, por meio de acordo formal, inclusive com empresas de insumos, revela. “Que setor no mundo consegue se equilibrar e sobreviver com tamanha dificuldade?”, questiona. Ele ainda cita o aumento da mistura de etanol na gasolina. “O campo produz, faz uma balança cambial sustentável, mas o governo demora demais para tomar atitudes que possam amenizar a situação do produtor. Às vezes isso acontece quando já está à beira da falência”, critica.
Prejuízos
As chuvas prejudicaram vários produtores de soja da região, destaca Nelson Oliveira. O agricultor explica que desta vez teve de acionar o seguro, pois a colheita passou do ponto e atrasou o plantio do milho safrinha. Ele explica que a corrida para a compra de insumos começou, mesmo com os “preços absurdos”. Em alguns lugares está em falta alguns produtos como o adubo. “Usava o adubo orgânico, mas não está compensando porque está muito caro. Agora só uso o químico.” Oliveira ainda explica que os produtores estão plantando cada vez menos. “Ano passado já tive prejuízo e desta vez foi maior.” O agricultor Hélio Minoro, de Piedade, que cultiva planta hidropônica, explica que não há como repassar essa alta dos insumos.
Minoro conta que alguns produtores trabalham conforme o pedido, de forma a garantir a venda, no entanto, não conseguem garantir preço. Como a verdura é produzida o ano todo, o agricultor sente mais rápido o impacto, observa. “A gente fica espremido na margem de lucro. Agora, com a chuva, também tivemos prejuízos.”
Impacto do dólar
As compras de insumos, principalmente de fertilizante, até o mês de janeiro não sofreu tanto aumento, mas a partir de fevereiro os preços devem atingir os 30%, calcula Lucas Fernando, de uma loja do segmento do agronegócio, em Itapetininga. “Para quem está comprando agora ou vai comprar complicou.” Ele explica que o foco dos agricultores está voltado para a cultura de inverno. Marco Antonio Guarento, do setor de logística de outra empresa do segmento, em Sorocaba, afirma que por enquanto o insumos não sofreram aumento em sua unidade porque continuam com estoque, no entanto, a alta deve chegar aos 20%, calcula. Um dos produtos comercializados o ano todo que deve sofrer aumento é o fertilizante Multi, adianta.
Cruzeiro do Sul, 20/03/2015



