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Estoques altos devem pressionar as importações de fertilizantes durante o segundo trimestre

A sazonalidade do abastecimento de fertilizantes para a safrinha brasileira costuma concentrar as importações entre meados de outubro a fevereiro, período seguido por forte desaceleração. Isso ocorre porque a partir do mês de março, a demanda de primavera no hemisfério norte torna a disponibilidade de diversos compostos mais escassa e impulsiona seus preços, além de não haver necessidade imediata para aplicações, após encerrado o período de preparo do solo para a segunda safra.

O início do segundo semestre costuma representar a retomada das importações brasileiras, visando a reposição de nutrientes para a safra seguinte. Contudo, mesmo com a perspectiva de aplicações abaixo do ano anterior, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que as importações acumuladas entre janeiro/15 e fevereiro/15 somaram o total de 2,188 milhões de toneladas, 1,8% acima do registrado para o mesmo período em 2014.

Ainda, as entregas de fertilizantes acumuladas durante os dois meses iniciais de 2015 mostram um desempenho 8,5% abaixo do registrado no ano anterior, totalizando 3,862 milhões de toneladas.

Como esse descompasso entre importações e consumo aparente pode influenciar na dinâmica de importações nos próximos meses?

O descompasso entre as importações e as entregas para o aplicador final gerou uma situação de estoques confortáveis, que deve ser afirmada pela perspectiva de investimentos tímidos em insumos, uma vez que o preço dos grãos não tem conferido uma relação de incentivo ao aumento da tecnologia envolvida.

Por outro lado, a demanda internacional por fertilizantes tem sido pressionada não só pelos preços irregulares dos grãos, em especial, o milho, mas também pelo extenso inverno, que adia o retorno dos agricultores ao campo em grande parte da área agricultável . Desse modo, há perspectiva de um piso mais baixo para os nitrogenados e fosfatados, podendo ocorrer não só a postergação, como também a subtração dos volumes a ser aplicados. O cloreto de potássio fica excluído dessa dinâmica devido ao poder de oligopólio exercido pela indústria, que deverá ser capaz de sustentar seus preços.

Esse quadro pode constituir uma boa oportunidade para aquisições a preços mais baixos no Brasil e o adiantar das importações tradicionalmente ocorridas durante o segundo semestre. Porém, os dados parciais de line-up para o mês de abril sugerem que as importações deverão ocorrer em volumes ainda abaixo da tradicional retração notada para o período.

Ao todo, apenas 45 navios chegarão aos portos brasileiros em abril/15, contra 99 em abril/14. Em termos de toneladas, serão 613 mil toneladas, 63,2% abaixo das 1,664 milhão de toneladas durante o mesmo mês no ano anterior.

Nota-se, então, que mesmo com o recuo das importações, problemas de abastecimento serão improváveis, salvo por questões logísticas em regiões pontuais. É possível que o bom nível de suprimento atue em favor da ponta compradora para pressionar os preços das ofertas fornecedoras durante as próximas semanas.

As importações mais modestas em abril devem confirmar as aplicações mais fracas para a safra atual, considerando que o crescimento marginal do volume importado é pouco expressivo para ser interpretado como um adiantamento da demanda para a safra principal.

Mony Belon, 01/04/2015

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