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Chineses apostam no mercado brasileiro de fertilizantes

O mau momento vivido pelo Brasil política e economicamente está ajudando a fortalecer os laços com a China. Os empresários chineses estão aproveitando as oportunidades que se abrem com a dificuldade financeira de grupos brasileiros para investirem no país. Os aportes asiáticos nas mais variadas áreas em terras brasileiras deverão superar os US$ 14 bilhões neste ano, conforme acredita o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), Charles Tang.

“A China confia no Brasil.  fato que essa crise não vai durar para sempre.  uma dificuldade que vai passar. E quando isso acontecer os investimentos já terão sido feitos”, afirma. Além da confiança no país, os chineses estão encontrando acima de tudo oportunidades de negócios abertas. A continuação das obras de infraestrutura que estão sendo feitas pelas empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, por exemplo, são algumas opções.

Além das obras de infraestrutura, o próprio fornecimento para a cadeia de petróleo e gás se tornou um mercado atraente para quem possui caixa robusto. “As empresas que fornecem hoje para essa cadeia vivem por um momento complicado. Muitas delas estão contratando empresas chinesas para honrar os contratos e terminar obras em andamento”, afirma.

Fato que desde janeiro a Petrobras tem recorrido a fornecedores estrangeiros para substituir os grupos empresariais em investigação, que foram afastados temporariamente das licitações por bloqueio cautelar imposto pela Justiça. Um exemplo é o contrato de construção dos módulos de compressão de gás antes contratados da Iesa Óleo e Gás, em recuperação judicial. Como o contrato de US$ 720 milhões foi rescindido pela Petrobras em novembro, a construção dos módulos de compressão de gás para seis plataformas flutuantes do pré-sal está novamente em licitação.

Fertilizantes 

Outros contratos estão na mesma situação, em busca de empresas capazes de terminá-los.  o caso das obras de montagem de uma unidade de fertilizantes da própria Petrobras em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. A Petrobras já vinha, inclusive, transferindo parte da construção de estaleiros para a China, para atender a demanda que surgiu com a exploração do pré-sal. Esse movimento está se intensificando nessa fase de investigações a importantes fornecedores do grupo.

Mas Tang explica que não somente na área de infraestrutura estão as oportunidades dos chineses no país. “O Brasil é muito estratégico para a China como aliado e como mercado consumidor. Além disso, é uma forma de os chineses terem acesso a produtos importantes que o Brasil tem em abundância como alimentos, minério e petróleo”, afirma.

Seguindo essa lógica, os asiáticos têm aproveitado o momento de baixa na economia nacional para investir em vários setores. “Para aproveitar o mercado consumidor, por exemplo, está sendo construída a fábrica da Jac Motors no Brasil. A LiuGong Machinery, fabricante de equipamento pesado para a construção, acaba de inaugurar uma fábrica em São Paulo. Estou falando de investimentos reais, que já estão em curso”, afirma.

Por essa razão, Tang aposta em aportes chineses superiores a US$ 14 bilhões diretamente no Brasil neste ano. E Minas Gerais deverá ser um dos destinos principais desses investimentos por ter à disposição recursos importantes para a China, como grãos e minério de ferro.

E para quem não acredita haver empresários interessados em apostar no Brasil em um momento econômico complicado, Tang lembra: “Quer prova de confiança maior do que o empréstimo de R$ 3,5 bilhões que o Banco de Desenvolvimento da China (CDB) aprovou para a Petrobras nesse momento em que a empresa passa por dificuldades no mercado de crédito? A China vai estender essa mão para o Brasil porque confia que as coisas vão mudar em breve”, afirma.

Diário do Comércio, 29/04/2015

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