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Vale está pronta para precificar projeto de potássio na Argentina

O projeto de potássio Rio Colorado, da Vale, na Argentina teve a fase inicial de avaliação concluída. Uma equipe composta por dez especialistas, liderados pelo consultor Ken Haddow, um ex-diretor da Rio Tinto, fez um inventário dos ativos que compõem o empreendimento. Com esses dados em mão, a mineradora parte para a próxima fase que é estabelecer um preço para o ativo.

Entre as alternativas da Vale estão a busca de um sócio com capital para o projeto ou vender o empreendimento. Durante as fases de pesquisa, desenvolvimento e construção a Vale gastou cerca de R$ 2,5 bilhões no projeto orçado em US$ 6 bilhões.

A Vale revisa o projeto após 2 anos e meio de inatividade, sabendo que ele deve ser reiniciado antes de 2017, data em que expiram algumas licenças. Na Argentina, as concessões minerárias são por tempo indeterminado. A companhia paralisou o projeto de potássio Rio Colorado em dezembro de 2012, quando não conseguiu obter os benefícios fiscais do governo de Cristina Kirchner que compensassem a perda devido à diferença entre o câmbio oficial e o real.

A auditoria, realizada em conjunto pela Serviço Geológico Mineiro Argentino (Segemar) e pelo governo da provínica, foi concluída em 19 de junho.

Cayetano Fusari, o responsável pela Segemar em Mendoza, afirmou que “segundo a lei, qualquer irregularidade pode ser motivo para a perda de benefícios”. A caducidade do empreendimento só pode acontecer após quatro anos de paralisação, o que acontece no início de 2017. Portanto, a província pode intimar a Vale a reativar o projeto de potássio em 2016, mas espera a notícia de uma possível mudança de mãos do projeto.

Na análise do projeto, Haddow considerou as condições do porto de Bahia Branca e da malha ferroviária de 800 quilômetros que liga o projeto ao sul de Mendonza e, depois, da planta localizada em Malargue, hoje paralisada, como parte de um investimento projetado em mais de US$ 3 bilhões em 10 anos.

Com as informações coletadas pela equipe independente de avaliadores, a Vale pode agora iniciar a auditoria técnica, ou due diligence, provavelmente em uma escala menor, o que no jargão de grandes aquisições de empresas e fusões, equivale a radiografar os bens envolvidos e oferecê-los a potenciais interessados.

“Temos a expectativa de uma possível venda. Sabemos que às vezes são processos longos e difíceis ter novidades em breve”, disse Patricio Olivares, representante de um sindicato dos trabalhadores de construção (Uocra) em Malargüe. De acordo com o artigo 217 do Código de Mineração argentino, “o comprador de minas abandonadas, vagas ou com concessão expirada, terá um período de um ano para atender e cumprir as obrigações” como obras de preparo do solo e investimentos.

O diretor de Mineração, Carlos Molina, disse que “poderia ser constatado que o projeto está totalmente inativo, embora tenhamos pedimos uma obra [de proteção catódica] que a empresa deve executar. Embora seja assunto privado, a Vale é obrigada a comunicar qualquer mudança de sócio. O prazo de paralisação segue correndo, seja quem for o comprador, para efeitos do fim da concessão”, disse Molina a um jornal local.

Quatro anos é o período máximo de inatividade do projeto e apenas seis meses antes que ele seja concluído, meados de 2016, a autoridade de mineração pode notificar a Vale ou quem esteja à frente do projeto, sobre a queda da concessão. 

De acordo com o relatório anual Form-20, emitido pela Vale no fim de março, a mineradora devolveu parte dos direitos de de mineração na Argentina devido às condições do mercado. “Temos honrado e honraremos nossos compromissos referentes às concessões de potássio no Rio Colorado e examinaremos as alternativas para aumentar as perspectivas do projeto”, diz o documento. Com informações são do jornal Los Andes, de Mendoza.

 

Notícias de Mineração, 30/06/2015

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