Obras do gasoduto que passará por Uberaba não têm prazo para início, esse foi um dos motivos alegados pela Petrobras para a paralisação de sua unidade de fertilizantes
Não existe prazo para o início das obras do gasoduto que passará por Uberaba e se estenderá até Uberlândia. Quem informou foi a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), responsável pelo empreendimento de, aproximadamente, R$ 2 bilhões, cujo projeto passa por readaptações. Esse foi um dos motivos alegados pela Petrobras para a paralisação de outra obra, a unidade de fertilizantes em Uberaba (MG). A suspensão das obras da fábrica de amônia também tem ligação com os novos planos da estatal federal até 2019.
De acordo com a Gasmig, as mudanças no projeto visam minimizar seu custo de implantação e se adequar ao novo prazo da unidade de fertilizantes a ser fixado pela Petrobras. Questionados sobre esse prazo, a subsidiária mineira não deu retorno.
A informação contradiz a nota oficial da Petrobras, que parou a construção da planta de amônia na cidade vizinha a Uberlândia com 30% das obras concluídas. Segundo a estatal, “entre os fatores que levaram a esse estágio de hibernação está o adiamento sucessivo dos compromissos assumidos pela Gasmig para construção do gasoduto que forneceria gás natural à planta. A estatal mineira não apresentou evidências de que vai construir o gasoduto no prazo e nas condições acordadas no Contrato celebrado com a Petrobras”.
Ainda de acordo com a Petrobras, a demanda nacional por amônia caiu e o investimento “na construção desse projeto, com base na relação custo–benefício, não se mostra adequado em comparação a outros negócios da Companhia”.
Cortes
Até 2019, a Petrobras pretende investir US$ 130,3 bilhões, de acordo com o Plano de negócios e gestão anunciado em junho. O valor é 40% menor que o previsto anteriormente. A estatal informou que vai priorizar projetos de exploração e produção de petróleo no Brasil, com 83% dos investimentos, enfatizando o pré-sal, o que indica que a redução nos investimentos teve influência na paralisação das obras em Uberaba.
Uberlândia tem demanda de gás natural
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub), Fábio Pergher, aponta potencial de uso do gás natural, que poderá chegar ao Município por meio do gasoduto elaborado pela Gasmig. De acordo com ele, há grandes indústrias do setor agrícola, por exemplo, que poderiam usar a matriz energética. Pergher pondera, no entanto, que não existem novos planos no momento nem expectativas do setor na cidade, justamente pela incerteza de chegada do gasoduto. “Aqui tem demanda, mas não há expectativa. Nem em Uberaba é mais certeza, tanto que a Petrobras parou a planta de amônia por lá”, disse.
O gasoduto está previsto para ter 450 km de extensão e ligar o município de Queluzito, região metropolitana de Belo Horizonte, ao Triângulo Mineiro. O plano prevê que ele vá até Uberaba e chegue a Uberlândia por um duto que seria ligado à linha principal. Segundo o projeto, com a presença do gasoduto, 57 Municípios serão beneficiados direta ou indiretamente.
Prefeito de Uberaba pede ajuda em BH e Brasília
O prefeito de Uberaba, Paulo Piau, cumpre agenda nessa semana em Brasília (DF) e em Belo Horizonte para tentar agilizar o início das obras do gasoduto e também para que a construção da unidade de fertilizantes da fosfatados da Petrobras seja retomada. No início dessa semana, ele esteve na capital mineira para cobrar um posicionamento do Governo Estadual. Existe a expectativa de geração de 5 mil empregos com a fábrica.
Na quarta-feira (1º), foi entregue um documento com 70 assinaturas de prefeituras da região do Triângulo Mineiro ao Governo Federal com o pedido de ajuda para o início da obra em Minas Gerais. “A Petrobras avançou e o Governo (de Minas Gerais) ainda não sinalizou com sua responsabilidade”, disse Piau.
Correio de Uberlândia, 04/07/2015



