Relações de troca mais favoráveis podem impulsionar a demanda de fertilizantes
As relações de troca com os produtos agrícolas atuam como fator limitante da demanda de fertilizantes, pois sinalizam para a capacidade do produtor em adquirir insumos. A piora dessas relações ao longo de 2015 foi um dos fatores responsáveis pelo atraso registrado na compra de fertilizantes neste ano, gerando também a perspectiva de redução efetiva da demanda.
Nesse contexto, é importante analisar que o terceiro trimestre sazonalmente representa um momento de desaceleração da demanda internacional, devido à saciedade de grande parte das necessidades para a próxima safra . Assim, a disponibilidade mais confortável em âmbito global tem pressionado os preços dos fertilizantes e proporcionado a melhora das relações de troca com o milho e a soja.
Atualmente, a relação de troca entre o milho e os fertilizantes é de 41,90 sacas de 60 kg/tonelada de mistura em Paranaguá, valor 12,5% acima da média histórica de 37,24 sacas de 60 kg/tonelada de mistura para essa relação.
Esse movimento tende a contribuir para acelerar as compras de fertilizantes, fator acentuado pelo estreitamento da janela de importações para as aplicações da safra de verão, que vai até meados de setembro.
No entanto, o hiato temporal entre a efetivação das compras e a importação e distribuição de fertilizantes acentua a possibilidade de sobrecarga dos sistemas logísticos brasileiros, o que pode resultar em escassez doméstica às vésperas do principal período de demanda.
Os valores preliminares dos line ups de navios de fertilizantes para julho/2015 evidenciam que a retração das importações será mantida ao longo deste mês, reforçando a perspectiva de complicações logísticas. Ao todo, 88 navios chegarão aos portos brasileiros, contra 105 em julho/2014. Em termos de toneladas, o total previsto é de 1,893 milhão de toneladas em julho/2015, contra 1,988 milhão no mesmo período de 2014.
Mony Belon, 09/07/2015



