Fertilizantes especiais podem trazer crescimento de 40% no agronegócio até 2020
Olhar para a frente e tomar providências agora para crescer 40% até 2020. Com esta receita o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, abriu o XIX Congresso Brasileiro de Sementes nesta segunda-feira (14) na cidade de Foz do Iguaçu (PR). O evento estende-se até está quinta-feira (17).
Rodrigues reconheceu que o momento mundial é difícil, elogiou o perfil e o conhecimento da atual ministra da pasta, Katia Abreu, e apresentou alguns cenários contrapondo as condições macroeconômicas, os riscos, os desafios e as oportunidades para o agronegócio brasileiro.
Ele assinalou que é preciso estar atento aos movimentos socioeconômicos globais como a mudança de eixo do comércio global, apesar da desaceleração da economia chinesa, “eles ainda têm 1,36 bilhão de pessoas para comer”. Listou entre os riscos o perfil demográfico mundial, tendências migratórias e o ritmo de crescimento da população, a falta de líderes globais, o desenvolvimento tecnológico e a conectividade e a urbanização. Contudo, observou que o Brasil faz parte dos oito países com mais de 140 milhões de hectares e mis de 200 milhões de habitantes, “o que precisa ser considerado”. Apresentou dados que mostram 43% do valor das exportações de 2014 serem representadas pelo agronegócio e declarou que a eficiência e a competitividade brasileira no setor são impressionantes ao lembrar que os países emergentes são grandes demandantes do agronegócio brasileiro.
Segurança alimentar
Ao apresentar a projeção da OCDE até 2020, Rodrigues mostrou que, por questão de segurança alimentar, o mundo deverá aumentar em 20% a produção de alimentos para atender o crescimento e o Brasil está entre os países que mais deverão ampliar a produção, uma vez que tem previsão de crescer 40% neste período. Para alcançar esta estimativa, o ex-ministro listou desafios a serem superados.
Com uma mensagem positiva aos cerca de 1.400 presentes no Congresso, uma plateia composta de docentes, pesquisadores, técnicos, industriais e produtores do setor de sementes, Roberto Rodrigues assinalou que nos últimos 25 anos, o País cresceu 50% em área plantada e graças à tecnologia, alcançou uma produtividade tão significativa que preservou 69 milhões de hectares, situação que traduziu como um trabalho de sustentabilidade. Relembrou que o Brasil tem 851 milhões de hectares dos quais 80 milhões são de área plantada, o que representa 9,4% do total.
Pensar diferente
Agora, é preciso considerar a revolução tecnológica do mundo agro no Brasil e mudar o pensamento para focar na necessidade de produzir sementes selecionadas de novas variedades, empregar fertilizantes especiais, defensivos pouco agressivos, reduzir as perdas na colheita e no transporte, ter gestão de custos eficiente, enfim, produzir mais com menos. Com estas considerações, é possível, na avaliação do ex-ministro, que a agricultura nacional cresça 40% nos próximos 10 anos. É fundamental também que se olhe para a infraestrutura e logística do País, o crédito rural e o seguro, a política comercial, a tecnologia, as questões institucionais e a comunicação que tem o papel de sensibilizar a sociedade para que tenha a visão adequada sobre a importância da agricultura para si própria.
Ao concluir que produzir mais é buscar a paz, Rodrigues frisou que agricultura não é só comida, está em tudo.
Brasil Agro, 17/09/2015



