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PCS retira proposta de US$ 8,8 Bi pela K+S

A desistência causou reações variadas nos especialistas, incluindo a da consultoria financeira Kepler Cheuvreux, que disse não estar surpresa com a decisão da PCS, tendo em vista as condições do mercado de potássio, em especial no Brasil.

“Nossa proposta [que era de 41 euros por ação] refletia o valor completo e justo e foi estabelecida dentro de um processo colaborativo de due diligence [auditoria técnica]”, afirmou Jochen Tilk, presidente da PCS. A empresa canadense também disse que a oferta beneficiaria ambas as companhias e os acionistas, acrescentando que estabeleceria “compromissos factíveis com os empregados, sindicatos e demais públicos da K+S”.

A K+S tem um valor de mercado, nesta segunda-feira (5), de aproximadamente US$ 5,06 bilhões. O da PCS é de cerca de US$ 17,4 bilhões, na cotação de hoje. Se fosse adquirida, a K+S passaria a fazer parte do cartel Canpotex, controlado, além da PCS, pelas canadenses Mosaic e Agrium.

A empresa alemã avaliou as ofertas de garantia de empregos da PCS como “não confiáveis” e reagiu à notícia de retirada da oferta dizendo que a proposta “não refletia seu valor fundamental e ameaçava a produção na Alemanha”. O anúncio feito pela PCS, após semanas de impasse entre as duas companhias, levou as ações da K+S a caírem 21% na manhã de hoje.

Ao longo das últimas semanas, a administração da PCS chegou à conclusão de que uma oferta de 41 euros por ação já não era financeiramente sensata, depois de as ações do setor terem caído cerca de 40%. A oferta representaria um prêmio de 59% sobre o preço da ação da K+S com base no preço médio ponderado pelo volume (VWAP, na sigla em inglês) dos 12 meses que antecedem a proposta.

A união da K+S e da Potash representaria o maior negócio de mineração desde a aquisição da Xstrata pela Glencore por quase US$ 30 bilhões, em fevereiro de 2012. Ambas as empresas produzem potássio, matéria-prima para a produção de fertilizantes, e uma fusão teria criado uma empresa com potencial para controlar até 30% do mercado global.

Os preços do potássio globais têm diminuído ao longo do ano, em meio a preocupações sobre a economia global e demanda mais fraca nas principais regiões consumidoras. Analistas disseram que o preço à vista de potássio na América do Sul caiu para cerca de US$ 310 por tonelada, ante aproximadamente US$ 360 durante o verão.

O executivo do grupo financeiro BMO, Joel Jackson, comentou que a retirada da oferta da PCS pela K+S não surpreende o mercado, considerando que a queda nos preços tanto do potássio como das ações da companhia tornaram mais difícil justificar a proposta. Contudo, ele acrescentou que a empresa canadense “realmente deseja a operação com a K+S, a fim de conquistar maior influência no mercado e nos preços do potássio”, o que significa que a empresa poderia voltar a fazer uma oferta.

O Société Générale disse que a desistência da PCS é uma “oportunidade desperdiçada” para os acionistas da K+S. Segundo a instituição, o sentimento negativo do mercado pode resultar em uma queda de até 30% no valor das ações em relação ao último fechamento. 

A Kepler Cheuvreux afirmou que a oferta da PCS confirma que a K+S é atraente, porém, a gestão da empresa alemã terá que provar para os investidores que pode criar, pelo menos, o mínimo de valor que a PCS estava disposta a pagar. As informações são da Bloomberg e do Dow Jones Newswires.

 

Notícias de Mineração, 05/10/2015

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