CEO da Yara anuncia que pretende continuar a investir no Brasil
Nos últimos três anos, a Yara investiu mais de U$S 1 bilhão no Brasil, entre melhorais de processos e unidades, aquisição de empresas e novos empreendimentos. Se depender de Svein Tore Holsether, presidente da produtora de fertilizantes, cargo que assumiu em setembro último, o ritmo dos aportes no mercado brasileiro continuará acelerado. Em sua primeira viagem ao país como representante da multinacional, Holsether aproveitou a oportunidade para anunciar o investimento de R$ 41,4 milhões na construção da primeira fábrica de fertilizantes foliares e micronutrientes fora da Europa. A unidade será instalada em Sumaré, em São Paulo.
O investimento se soma ao U$S 1 bilhão que será destinados nos próximos anos às plantas de mineração de fosfato, em Minas Gerais e no Ceará, e ao R$ 1 bilhão programado para modernização e expansão da unidade de Rio Grande (RS). “Estamos comprometidos com o Brasil”, confirma Holsether. O CEO garante que nem mesmo as instabilidades políticas e econômicas que afetam o país atualmente afastam a confiança da empresa no mercado nacional. Afinal, a demanda mundial por comida é crescente e o Brasil tem uma das produções agrícolas mais abundantes e eficientes. “O país tem uma condição sui generis. É importante que estejamos aqui”, atesta Holsether.
Holsether confessou, em encontro com jornalistas nesta quinta-feira (10) em Porto Alegre, onde fica a sede da Yara no país, que tem uma “mala cheia de ideias” para novos investimentos no Brasil, mas que não há nada definido. De acordo com Lair Hanzen, presidente da Yara Brasil, a empresa está atenta a oportunidades ligadas a produção de fósforo, um dos três componentes utilizados para a fabricação dos fertilizantes. “Nosso apetite é mais na área de produção do que na de distribuição, na qual já estamos bem estruturados. Precisamos produzir para reduzir a necessidade de importação”, esclarece Hanzen. Hoje, o país importa 70% das matérias-primas que compõem o fertilizante (potássio, fósforo e nitrogênio). Com a aquisição de 60% da mineradora de fosfato Galvani no ano passado, a Yara Brasil duplicou sua produção para 2 milhões de toneladas por ano e espera chegar a 3,5 milhões de toneladas ao final das melhorias nas unidades mineradoras.
Investimento em Rio Grande
A Yara Brasil planeja um investimento de R$ 1 bilhão para a ampliação da produção de fertilizantes e da capacidade de recebimento de matérias-primas na fábrica de Rio Grande. Atualmente, a unidade consegue receber 2,5 milhões de toneladas por ano. Com a expansão, a capacidade aumentaria em 60% e a produção de 600 milhões de toneladas duplicaria. O objetivo da companhia é poder levar a produção gaúcha para outros locais, porém a alta tributação imposta na comercialização entre os estados dificulta a viabilidade financeira da operação. “Se produzimos e mandamos para Mato Grosso, por exemplo, pagamos ICMS. O mesmo produto, importado, não paga”, explica Hanzen. “Estamos prontos para investir. Mas é importante que tenhamos arcabouços confiáveis e sejamos tratados com igualdade {em referência à tributação}”, concorda Holsether.
Para concretizar o aporte, a Yara espera uma normativa que garanta a redução da tributação. No momento, a empresa conta com um decreto que reduz em 75% a alíquota do ICMS. “Mas um decreto pode ser cassado a qualquer momento. Precisamos de segurança para fazer um investimento desse porte”, cobra Hanzen. A Yara Brasil espera ter a definição até o fim de março de 2016 para dar o pontapé inicial no projeto que levaria cerca de seis anos para ser finalizado.
Amanhã, 10/12/2015



