Ativos de fosfato da Anglo American pode atrair Yara e Mosaic
Segundo o jornal Valor Econômico, a Yara e a Mosaic seriam as candidatas naturais e com “maior poder de fogo” para uma possível aquisição dos ativos de fosfato da Anglo American no Brasil, disse uma fonte do setor. Contudo, a desvalorização dos fertilizantes nos últimos meses pode diminuir esse interesse de compra.
A mineradora anglo-sul-africana anunciou em dezembro que plano de reestruturação de seus negócios, que inclui vendas de ativos no valor de US$ 4 bilhões, as quais contemplam as operações de nióbio e fosfato no Brasil.
No último ano, os preços do fosfato, derivado do fósforo, caíram 26% no mercado internacional. “Se a Anglo American está saindo do negócio, é porque considera outros investimentos [mais importantes]. Então, outros grupos podem também não estar olhando para esse negócio. Não sei se seria uma venda fácil”, afirma a fonte.
Thadeu Silva, diretor de inteligência de mercado da consultoria FCStone, discorda. Ele lembra que grandes multinacionais do segmento não têm muita produção de SSP (superfosfato simples, tipo de fertilizante fosfatado), por isso uma negociação como essa poderia ser estratégica para ganharem mais espaço no país. “As vendas de fertilizantes caíram no Brasil em 2015, mas a demanda é forte e tende a crescer no longo prazo. Então, certamente é um ativo que interessa às grandes empresas transnacionais do setor”, afirma.
A norueguesa Yara concluiu no fim de 2014 a aquisição de 60% da brasileira Galvani, por US$ 318 milhões. Com isso, passou a ter acesso a uma produção integrada: da mineração da rocha até a produção de adubos fosfatados em regiões de expressivo crescimento agrícola, como Centro-Norte e Nordeste. A Galvani tem capacidade para fazer cerca de 1 milhão de toneladas por ano de superfosfato simples nos complexos industriais de Paulínia (SP) e Luís Eduardo Magalhães (BA). E tem novos projetos.
A americana Mosaic não tem mina de fosfato no Brasil, mas traz o produto dos EUA. Ela controla a Fospar, de Paranaguá (PR), que pode fazer 450 mil toneladas de superfosfato simples ao ano. Em sua página na internet, informa ser líder na produção e comercialização global de fosfato concentrado.
Procurada, a Mosaic informou que “não comenta rumores de mercado”. A Yara, por sua vez, afirmou que “está aberta para oportunidades que possam surgir no mercado, mas no momento não há nada de concreto”.
Valor Econômico, 19/01/2016
Imagem: Valor Econômico



