Cenário do mercado de fertilizantes em dezembro e janeiro
Nesses meses a demanda era fraca e os estoques das empresas eram relativamente altos, mas mesmo assim as empresas relutavam para não abaixarem os preços, em função principalmente do dólar.
No Brasil, grande parte dos fertilizantes são importados. O potássio, por exemplo, chega a 90,0% de importação de produtos, o nitrogênio e o fósforo em torno de 55,0% a 60,0%, ou seja, o dólar tem forte impacto nos preços dos adubos no mercado brasileiro.
Assim, apesar de demanda enfraquecida, os preços não caíram em dezembro e janeiro. Em fevereiro iniciou-se um recuo do dólar e março vem acompanhando, conforme a figura 1, principalmente devido ao cenário político brasileiro que tem grande influência sobre o câmbio, portanto uma pressão de baixa se inicia no mercado de fertilizantes.
Cotação diária do dólar em 2016, em R$.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, as cotações dos fertilizantes nitrogenados caíram, em média, 1,7% em fevereiro, em relação a janeiro deste ano. Para os adubos potássicos e fosfatados, as quedas foram de 0,6% e 0,5%, respectivamente, no mesmo período.
Entretanto, se comparar fevereiro deste ano com fevereiro de 2015, o produtor está pagando entre 7,0% e 16,0% a mais por esses insumos. Então, apesar de queda em curto prazo, temos patamares de preços elevados para esse ano.
O cenário internacional é de preços para baixo de adubos por conta da produção crescente e demanda pelos produtos se mantendo ou até mesmo em queda, por exemplo: Estados Unidos, Índia, Brasil e China demandando menos fertilizantes, câmbio e preços do petróleo em recuo, influenciando principalmente os fertilizantes nitrogenados.
A baixa demanda também atua positivamente para a entrega e logística da chegada do produto até a fazenda, dando melhores condições para a entrega do produto nesse primeiro semestre.
Em anos de incertezas e expectativa de patamares elevados para os preços, no caso dos adubos, comumente ocorre antecipações, quando se tem esse movimento de antecipação bastante forte como foi 2013 e 2014 (anos recordes de vendas), tem-se também antecipações de altas de preços. O agricultor já compra então os adubos para a safra de verão (abril, maio, junho), ou seja, antecipa de dois até três meses as compras.
Portanto, a curto e médio prazo o cenário é baixista, a demanda nesse ano é mais fraca, mas talvez alguns setores como o de cana-de-açúcar com alguma recuperação possa demandar um pouco mais, mas boa parte dos adubos para a safra de inverno ou segunda safra já foram adquiridos no segundo semestre de 2015, então se deve ter um mercado mais calmo até o final de março, ou seja, oportunidades de compras podem aparecer.
Scot Consultoria, 11/03/2016



