Produção

Diretora de Exploração e Produção da Petrobras admite a existência de “barreiras culturais” sobre a venda UFN3 em Três Lagoas

A Petrobras vai aumentar a oferta de ativos à venda sempre que houver risco de não atingir a meta de obter US$ 14,4 bilhões previstos para este ano. Esse ponto foi enfatizado pelos diretores financeiro, Ivan Monteiro, e de Exploração e Produção (E&P), Solange Guedes, em encontros com analistas e jornalistas na sexta-feira.

Hoje estão sendo ofertados entre 20 e 30 ativos, incluindo a Braskem, Liquigás, BR Distribuidora, TAG, e os terminais de GNL do Rio e Pecém, segundo apurou o Valor.

Os executivos não confirmam nem desmentem que ativos estão à venda. Monteiro disse que a companhia recebeu na semana passada a primeira análise da instituição contratada para analisar a Transpetro, braço na área de transporte marítimo que também é dona de uma rede de oleodutos e terminais de armazenamento.

O diretor se disse surpreso com as manifestações de interesse pelos negócios de fertilizantes. Segundo Solange, os ativos chamaram a atenção de empresas de fora do setor de petróleo, mencionando segmentos ligados à fertilizantes, infraestrutura e energia.

Com três fábricas de fertilizantes (Fafen), na Bahia, Sergipe e Paraná, a Petrobras suspendeu em 2014 as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, em Três Lagoas (MS). Outra parada é a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados V, em Minas.

Solange admitiu a existência de “barreiras culturais” na Petrobras para se desfazer dos negócios, mas avalia que isso pode ser visto de forma positiva por ser algo que diferencia a empresa de outras que já fizeram forte gestão de ativos do portfólio. Sobre as dificuldades enfrentadas atualmente para vender uma quantidade tão grande de negócios.

Segundo a executiva, nas conversas que teve no fim do ano com investidores, percebeu que muitos veem a crise como oportunidade de entrar ou voltar à América do Sul, já que conhecem os ciclos da região. Monteiro acrescentou que investir no país está barato.

“Tem investidor que ama uma crise porque compra mais barato na moeda dele”, disse o diretor, destacando que a contrapartida ruim para a Petrobras é a perda do grau de investimento do Brasil. Se conseguir cumprir a meta de vender ativos que rendam ao menos US$ 14,4 bilhões, a estatal conseguirá chegar até julho de 2017 com caixa mínimo de US$ 15 bil

Monteiro afirmou que pode voltar a cortar investimentos se houver consolidação de novo patamar do preços do petróleo. Até o momento, a estatal trabalha com o preço médio de US$ 45 para o Brent em 2016. Para enfrentar a pressão da queda, a companhia tem feito economia de custos junto com a venda de ativos. Além de renegociar contratos e postergar projetos a Petrobras iniciou a devolução de prédios, como o Torre Almirante, no centro do Rio, e a demissão de terceirizados.

Agora, Monteiro não descarta o que chama de uma “segunda onda de demissões”. Sob forte pressão financeira, ele admite a possibilidade de precisar rever investimentos em 2016 se os preços do Brent continuarem a cair.

Solange esclareceu um dado que intrigou o mercado: a meta de redução de US$ 32 bilhões nos investimentos programados até 2019 impactando em apenas 100 mil barris a meta de produção. Ela explicou que dois terços do corte da área de E&P, onde estão previstos US$ 80 bilhões entre 2015 e 2019, são resultado da otimização de projetos do pré-sal.

A companhia trabalha com a expectativa de redução para 30 dias no prazo de perfuração, além disso a construção dos poços passa a acontecer “just in time” com a instalação de plataformas. O novo plano embute os preços oriundos da renegociação de contratos com fornecedores, notadamente proprietários de sondas, equipamentos, barcos e helicópteros, principalmente, que são os grandes contratos da área de E&P. Também foi adiada, de 2019 para 2020, a primeira fase da revitalização do campo de Marlim.

O planejamento financeiro divulgado na semana passada prevê economia de US$ 21,2 bilhões até 2019 decorrente de otimizações e US$ 10,7 bilhões da variação cambial. Sobre o fato de o investimento de 2016 ter aumentado US$ 1 bilhão, para US$ 20 bilhões em 2016, Monteiro explicou que foi necessário transferir alguns investimentos de 2015.

 

 

Jornal Dia a Dia, 28/03/2016

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