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Demanda por fertilizantes volta a crescer e deve seguir ritmo em 2017

O mercado brasileiro de fertilizantes vinha passando, pela primeira vez em 15 anos, um período de retração.  A grande volatilidade cambial provocou impactos no mercado, já que 70% dos produtos consumidos internamente são importados. Em 2016, a demanda voltou a crescer e, no acumulado do ano, gerou um aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A análise realizada por Victor Ikeda, do departamento de Pesquisa e Análise Setorial do Rabobank Brasil, e inclui perspectivas promissoras para 2017. Segundo ele, “esmos otimistas em termos de volume. O mercado deve manter a tendência de crescimento, esperamos um novo aumento da demanda por fertilizantes. Pode ser um ano recorde novamente”.

Ikeda ressalta que, em 2016, a entrega de fertilizantes esperada pelo mercado se concretizou e houve um movimento dos próprios fabricantes de fertilizantes em ofertar crédito ao produtor rural. Ele ressalta que o endividamento do produtor aumentou nos últimos anos, enquanto os bancos mantiveram a participação, porém sem expansão do crédito.

“De um modo geral, todos os integrantes do setor agrícola dependem do produtor rural, que dependem do produtor rural, que desempenha um papel fundamental nessa engrenagem. Como os bancos mantiveram sua participação, sem crescimento na oferta de crédito, o setor busca alternativas de financiamento”, afirma.

Para 2017, “os preços no próximo ano vão ficar próximos da estabilidade, voltaremos a ter uma boa demanda por fertilizantes. Nos últimos 15 anos, com exceção de 2015, o mercado de fertilizantes cresceu anualmente, em média, 5%, enquanto, no mundo, esta taxa variou de 2% a 2,5%. Parte desse crescimento está ligado à expansão de áreas agrícolas, à conversão de áreas de pastagem para áreas agrícolas”, disse Ikeda.

A demanda na região Nordeste deve fugir deste padrão em virtude da seca que atinge as áreas rurais dessa parte do país, apesar de o cenário nacional ser promissor.

O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Diniz Junqueira, observa que a demanda por fertilizantes varia de acordo com o tipo de cultura com a “área agricultável de cada propriedade”. Segundo Junqueira, no caso do cultivo de grãos, os fertilizantes representam 25% do custo de produção. Também é comum o pequeno produtor não ter acesso à tecnologia para identificar a necessidade de investimento para recuperar determinadas áreas. Ele ainda ressalta que no Brasil, ainda há áreas muito extensas com altos índices de degradação. “Por isso, é preciso que o produtor tenha um investimento maior nos fertilizantes, Atualmente, a demanda por crédito é grande, mas nem todos têm acesso por questões como inadimplência ou falta de capacitação para apresentar um orçamento ao banco”, conta.

Análises da Diretoria de Agronegócios do Branco do Brasil (BB) indicam que, na maior parte dos casos, os financiamentos para fertilizantes estão inseridos em crédito de custeio, pois são utilizados para a formação da lavoura, em conjunto com sementes, defensivos, entre outros. Nos últimos três anos, o volume total desembolsado pelo BB para custeio foi de aproximadamente R$ 141 bilhões. Desse total, o percentual usado para aquisição de fertilizantes representa 40%.

O BB trabalha com oito linhas de financiamento disponíveis para aquisição de fertilizantes, sendo quatro desenvolvidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES). As taxas de juros ficam, em média, em torno de 8,5% ao ano. De acordo com os dados gerados pela Diretoria de Agronegócios do BB, a principal demanda do setor agrícola, com relação a fertilizantes, refere-se à disponibilidade de recursos no tempo adequado para a aquisição desses insumos, a fim de garantir maior rentabilidade na atividade.

 

Valor Econômico, 28/11/2016

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