Mercado

Antecipação de compras da safrinha impulsiona mercado de fertilizantes

O plantio da safra de verão já superou 90% e, mesmo assim, as entregas de fertilizantes subiram 29,2% em novembro em relação ao mesmo mês de 2015. Para driblar a tendência de alta nos preços do insumo em 2017, o setor antecipou as compras da safrinha.

A janela de semeadura da segunda safra (safrinha), composta majoritariamente pelo milho, só começa entre fevereiro e março, após a colheita da soja. Sendo assim, os agricultores poderiam aguardar o recebimento das receitas com a oleaginosa para adquirir os insumos do ciclo seguinte. “Mas os fertilizantes nitrogenados e de potássio tiveram quedas muito acentuadas e sinalizam mudança para os próximos meses. O momento é oportuno para o produtor que quer se adiantar nas compras”, explica a analista da consultoria Globalfert, Graziela Contiero Talarico.

Nesta semana, a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) informou que entre os meses de janeiro e novembro as entregas do produto somaram 31,4 milhões de toneladas, 11,4% a mais que no mesmo período de 2015. O volume está apenas 800 mil toneladas abaixo do ápice atingido no fechamento de 2014, de 32,21 milhões de toneladas.

Para a especialista, se o resultado consolidado de 2016 não bater o recorde, ficará bem próximo. Vale lembrar que do total de adubos entregue neste ano, 22,35 milhões de toneladas é proveniente de importação, que cresceu 12,6%.

Expectativas

O planejamento das safras norte-americana e europeia, duas das grandes consumidoras de fertilizantes, devem movimentar as cotações internacionais no primeiro trimestre do ano que vem.

“As quedas que aconteceram [nos preços] em 2016 foram atípicas. A recuperação do curto prazo não será muito forte, mas deve acontecer”, afirma o analista de mercado da consultoria INTL FCStone, Fábio Rezende. As baixas nas cotações deste ano foram motivadas por excesso de oferta entre os maiores fornecedores e é justamente esta expansão que pode limitar maiores elevações nos preços externos.

Além disso, expansões previstas em plantas no Marrocos e na Arábia Saudita colocarão mais cinco milhões de toneladas de fosfatados no mercado. “Eles conseguem produzir bastante e ainda têm lucro nos preços atuais, por isso estão expandindo em capacidade produtiva”, diz o analista.

Caso isto se consolide entre o segundo e terceiro trimestre de 2017, os brasileiros podem conseguir valores novamente baixos para as aquisições do ciclo 2017/2018, que tem início em julho do ano que vem.

A dúvida fica por conta da China, maior cliente e também fornecedor de fertilizantes no mundo. A especialista da Globalfert comenta que a indústria chinesa está começando a cortar a produção na tentativa de barrar fortes quedas na cotação internacional. Rezende acrescenta que ainda existe a expectativa do governo chinês tirar as tarifas de exportação do setor afim de dar competitividade ao país, “mas ainda não sabemos se isso, de fato, vai acontecer”, pondera.

 

DCI, 16/12/2016

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo