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Análise de importações e preços de fertilizantes – Globalfert

O ano ainda não terminou, mas já foram registrados recordes históricos no volume de importação do Brasil de fertilizantes. De 2018 para cá houve um incremento ano a ano e no período compreendido entre janeiro e novembro desse ano já ocorreu a marca de 31 milhões de toneladas, um número que deve aumentar ainda mais com o volume consolidado de dezembro.

O primeiro semestre havia superado todo o histórico para o período, na marca de 14 milhões de toneladas, e para o segundo semestre não foi diferente. Esse cenário ocorre mesmo diante de elevações de preço sem precedentes. A relação de troca favorável de muitas culturas nos primeiros meses do ano, que significa um poder de compra maior por parte do produtor, contribuiu para um maior investimento no setor de fertilizantes. As restrições de importação impostas por China e Rússia para uma série de fertilizantes também ocasionou uma antecipação de compra de volumes, na busca de prevenir uma possível indisponibilidade.

Em relação aos fertilizantes nitrogenados, a importação de Ureia registrada no período de janeiro a novembro desse ano superou em 14% o volume dos mesmos meses do ano passado, tendo como principais origens Catar e Argélia. Para o Nitrato de Amônio esse incremento foi de 35%, com origem majoritariamente da Rússia. Já para o Sulfato de Amônio, aumento de 29%, também no mesmo período, com procedência principalmente da China. O MAP teve incremento de 8% no segundo semestre em relação ao mesmo período do ano passado e ainda deve aumentar com as chegadas de dezembro. Para o Cloreto de Potássio, aumento de 14% de janeiro a novembro em relação ao mesmo período do ano passado.

Os preços também passaram por altas históricas. Aumentos no preço CFR Brasil foram vistos em todos os fertilizantes NPK de janeiro a novembro desse ano. Os nitrogenados foram impactados principalmente pelos custos elevados de matérias-primas, como gás natural e amônia, e paradas na produção, apresentando alta de 86% para Ureia. O Cloreto de Potássio registrou aumento de 114% no período. O principal fator atribuído para esse cenário ocorreu no segundo semestre a partir de especulações a respeito do fornecimento por parte da Bielorrússia, com as sanções impostas pelos Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido e Canadá. Para os fosfatados, com alta de 92,5% para o MAP, a limitação de exportação chinesa e a demanda indiana por DAP ajudaram a elevar o patamar de preços no mercado internacional, impactando no Brasil.

O ano de 2021 foi marcado por um período conturbado para o mercado de fertilizantes, com o reestabelecimento da economia que trouxe implicações para toda a cadeia alimentar.

Globalfert, 15/12/2021

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