O impacto de novos controles de emissão de carbono sobre o setor de fertilizantes

O mercado global de Ureia continua marcado por especulações e estratégias que moldam os cenários de oferta e demanda. Desde as grandes correções de preço para patamares mais baixos, observadas entre agosto e o fim de outubro, impulsionadas por leilões bem-sucedidos na Índia, que evidenciaram uma oferta saudável, novas tendências tem influenciado o mercado, adicionando ainda mais incertezas ao panorama.
Uma dessas tendências é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM). Como medida para incentivar práticas mais sustentáveis no comércio internacional, a União Europeia pretende aplicar, a partir de 1º de janeiro de 2026, uma taxa sobre as emissões de carbono associadas a produtos importados. Entre esses produtos estão os fertilizantes nitrogenados, como a ureia, cuja produção gera uma grande quantidade de carbono. Apesar de amplamente discutido, o mecanismo ainda gera dúvidas entre os importadores europeus, especialmente quanto ao cálculo preciso dos custos envolvidos.
Mesmo antes de sua implementação oficial, os efeitos do CBAM já começam a ser sentidos nos preços da ureia no Norte da África, região que abriga grandes produtores, como Argélia e Egito. Durante a semana de 1º a 6 de novembro, novas compras para o mercado europeu foram realizadas com o objetivo de reforçar estoques e antecipar-se à aplicação das futuras taxas, o que acabou provocando um aumento de 10% no preço do produto na origem.
A medida afeta, de formas distintas, todos os fertilizantes nitrogenados, elevando também os custos de produção no mercado doméstico europeu. O bloco enfrenta novos reajustes nos preços dos nitratos, o fertilizante nitrogenado mais consumido na região, pressionando ainda mais o produtor agrícola. Apesar das dificuldades relacionadas à sustentabilidade econômico-financeira do setor, a região atualmente paga um prêmio pela ureia, o que aumenta o interesse dos produtores em exportar para lá, reforçando essa tendência de alta global.
A descarbonização também é um dos temas centrais da COP 30. No dia 7 de novembro, o Brasil anunciou a liderança da Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono, uma iniciativa colaborativa voltada à troca de experiências sobre mecanismos de precificação de carbono. A coalizão pode servir como plataforma para que os países compartilhem aprendizados e fortaleçam capacidades, especialmente em nações em desenvolvimento. Com o endosso de países como Alemanha, Canadá, Chile, China, França, México, Reino Unido e da União Europeia (UE), a primeira reunião do grupo será no sábado (15/11).
O CBAM entra nesse debate como referência prática de um mecanismo prestes a ser estabelecido. Enquanto o futuro exige sustentabilidade, a presente demanda compreensão de como o simples ato de planejar molda mercados inteiros — exigindo adaptação, especialmente de um país como o Brasil, líder em segurança alimentar e ainda dependente da importação de fertilizantes. A retomada de fábricas de fertilizantes nitrogenados pela Petrobras e o Projeto Autazes, liderado pela Brazil Potash, são passos importantes rumo à independência frente às flutuações geopolíticas. Ainda assim, acompanhar de perto as tendências globais, como as que se desenham do outro lado do Atlântico, será crucial para reduzir custos, antecipar riscos e alinhar o agronegócio brasileiro às exigências de um mercado cada vez mais regulado.
GlobalFert, 14/11/2025.



