Relação de troca melhora em agosto após recentes altas

A relação de troca entre fertilizantes e commodities agrícolas voltou a melhorar em agosto, em praticamente todas as cadeias acompanhadas pelo GlobalFert. O indicador combina os preços das commodities e dos principais fertilizantes utilizados em cada cultura, oferecendo uma visão ampla da capacidade de aquisição de fertilizantes pelo produtor.
Principais culturas
Entre as culturas analisadas, a celulose registrou o melhor desempenho mensal: a relação teve melhora de 9,7% frente a julho. O movimento foi favorecido pela demanda asiática, especialmente da China, enquanto os fertilizantes permaneceram sem pressões relevantes de alta.
No grupo das grandes commodities agrícolas, o algodão apresentou melhora de 6,7%, com a relação passando de 33,83 para 31,58 sacas por tonelada de fertilizante. O setor encontra suporte na recuperação gradual da demanda da indústria têxtil global, ao mesmo tempo que os fertilizantes permanecem em patamares mais acomodados do que nos últimos ciclos.
A soja encerrou agosto com relação de troca de 27,98, ante 29,79 sacas por tonelada de fertilizante em julho, melhora de 6,1%. O resultado combina uma oferta global ampla, impulsionada pela produção recorde brasileira, com a expectativa de crescimento contínuo do consumo asiático, sobretudo da China, principal destino da oleaginosa brasileira.
O milho acompanhou a tendência, com recuo de 75,99 para 71,34 sacas por tonelada de fertilizante, também equivalente a uma melhora de 6,1%. A commodity encontrou alguma sustentação nos mercados internacionais, embora continue pressionada pelo elevado volume disponível na América do Sul e pela forte oferta brasileira.
No setor sucroenergético, o açúcar melhorou 4,3%, saindo de 35,98 para 34,42 sacas por tonelada de fertilizante. Apesar da volatilidade ao longo do ano, a commodity segue sustentada pelas discussões sobre o equilíbrio entre oferta e demanda global, ainda que projeções internacionais apontem um mercado mais confortável do que nos últimos anos.
O etanol também evoluiu: a relação de troca recuou 6,8%. Além dos fundamentos do setor sucroenergético, a valorização da energia e a dinâmica do mercado de combustíveis continuam influenciando a formação de preços do biocombustível.
No café, a relação caiu de 2,46 para 2,36 sacas, melhora de 4,1%. Mesmo após a acomodação dos preços nos últimos meses, o mercado mantém fundamentos sólidos, com atenção ao ritmo da colheita brasileira, aos estoques internacionais e aos riscos climáticos para o próximo ciclo.
A laranja ficou praticamente estável, com a relação em 127,35, ante 127,27 sacas em julho. Ambos refletem um mercado ainda sustentado pelos efeitos do greening sobre a produção global de citros e pela restrição estrutural da oferta de suco concentrado.
Comparação anual mostra quadro mais heterogêneo
Apesar da melhora observada em agosto, a comparação com o mesmo mês de 2025 revela um cenário menos uniforme.
A soja é uma das poucas culturas que apresenta evolução positiva na base anual. A relação de troca teve melhora de 5,5%, indicando condições mais favoráveis para aquisição de fertilizantes do que no mesmo período do ano passado. A celulose também registra melhora anual, com redução de 4,0% na relação de troca.
Já a maior parte das demais commodities apresenta deterioração frente a agosto de 2025. O açúcar registrou aumento de 29,4% na relação de troca. O etanol teve piora de 50,3%, enquanto o café avançou 37,2%. No algodão alta de 9,7% e no milho de 6,7%,
Os destaques negativos ficaram com a laranja com alta superior a 107%, enquanto o FCOJ passou de 0,17 para 0,33, avanço de 94%. Os números refletem a forte valorização dos fertilizantes observada ao longo dos últimos meses em relação ao comportamento dessas cadeias específicas.
O que aconteceu com os fertilizantes em 2026?
A recuperação observada em agosto ocorre após um período de forte pressão sobre os fertilizantes durante o segundo e o terceiro trimestre.
O mercado internacional reagiu ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, que elevou os riscos associados ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para energia, fertilizantes e derivados petroquímicos. Como o gás natural é um insumo essencial na fabricação de fertilizantes nitrogenados, os preços passaram a incorporar um prêmio relevante de risco geopolítico.
Ao mesmo tempo, novos ataques a refinarias, instalações industriais e estruturas ligadas à cadeia química no conflito entre Rússia e Ucrânia ampliaram a percepção de risco sobre a oferta mundial de nutrientes.
O resultado de agosto sugere que o pico de deterioração da relação de troca pode ter ficado para trás em diversas culturas. No entanto, a comparação anual mostra que a recuperação ainda não foi suficiente para compensar o impacto da alta dos fertilizantes observada ao longo de 2026.
GlobalFert, 10/09/2026



