Culturas

Alta na produtividade do arroz depende das chuvas e El Niño

Segundo estimativas do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), os produtores gaúchos devem semear 1,12 milhão de hectares, área apenas 0,11% maior em relação ao mesmo período de 2013, porém, com ganhos de 400 mil toneladas impulsionadas pela rotação com plantio de soja. A ideia é atingir 8,5 milhões de toneladas de arroz na safra 2014/2015, ante os 8,1 milhões de toneladas produzidas no mesmo período do ano anterior.

“Estamos praticamente repetindo a área pelo terceiro ano consecutivo. Assim, os produtores conseguem traçar estratégias antecipadas”, explica o presidente do Irga, Cláudio Pereira.

O aumento de 5,83% na área destinada à soja para rotação é o reflexo de uma estratégia que vem crescendo desde a safra 2010/2011. Naquele período eram 68 mil hectares para a oleaginosa, agora este número saltou para mais de 320 mil.

Pereira conta que o cultivo de soja reduz entre 20% e 25% os custos de preparação do solo, fertilizantes e herbicidas, além de gerar cerca de 20% de aumento na produtividade do arroz no final da colheita. “Esta técnica nos possibilita um crescimento sustentável”, completa. De acordo com o presidente, o desembolso do produtor de arroz vai de R$ 2.200 a R$ 2.500 por hectare.

Uma resposta concreta para os ganhos de produtividade na rizicultura é a redução nos níveis de importação do produto. Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostram que entre os meses de janeiro e julho deste ano foram importados 378 mil toneladas do grão, contra as 521 mil toneladas adquiridas no mercado externo no primeiro semestre de 2013, uma queda de 27,5%.

Entretanto, o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, acredita que a produtividade desta safra deve ficar um pouco abaixo da média em função do excesso de chuvas ocasionado pelo El Niño.

“A queda pode acontecer por atraso no plantio, ficando fora do período ideal [entre 15 de setembro e 15 de novembro], ou problema de luminosidade. Dias sem sol, com nuvens ou propícios para chuva limitam o potencial de arroz que é completamente dependente de radiação solar”, explica Dornelles. Para o presidente, o fenômeno climático já está instalado, resta saber qual será sua intensidade.

Já o agrometeorologista do Somar Meteorologia, Marco Antônio dos Santos, diz que pode haver uma intervenção do aquecimento nas águas do Pacífico no nível de chuvas, mas que não se trata propriamente de um El Niño. Inclusive, este fenômeno também pode trazer consequências positivas para a lavoura.

“Apesar das águas [do Pacífico] estarem quentes, elas não chegaram ao nível que caracteriza El Niño. Com isso, o clima fica mais chuvoso em alguns meses e de certa forma a condição é até favorável. O arroz gosta de água no pé e sol na cabeça e isso vai ser possível”, afirma Santos.

“Um El Niño moderado ainda pode reduzir os períodos de estiagem”, completa Pereira, presidente do Irga.

No mercado atual, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os produtores parecem não ter urgência na comercialização.

DCI, 02/09/2014

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