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Banco prevê queda de custo para produtores no quarto trimestre

O quarto trimestre pode apresentar algumas reduções de custos dos insumos para os produtores, principalmente fertilizantes. Mas a tendência de queda de preços dos grãos permanece, principalmente para soja e milho. No caso do café, a florada das lavouras brasileiras vai determinar perspectivas de safra e de preços no mercado.

São perspectivas apontadas pelo relatório agrícola de outubro a dezembro do Rabobank, especializado em agronegócios. Para o setor de fertilizantes, o banco prevê que a cadeia deve trabalhar com estoques mundiais confortáveis. Isso devido a uma queda de preços das commodities, à perda de renda dos produtores e à demanda mais equilibrada.

No caso do Brasil, as importações têm crescido, o que também deverá manter as empresas com estoques confortáveis. Além disso, o país deverá ter uma redução de demanda no final do ano, gerando uma provável pressão para baixo dos preços. Tudo isso, no entanto, vai depender do comportamento do dólar, influenciado pelas eleições presidenciais.

Apesar do cenário positivo para o açúcar em 2015, devido ao deficit de 3,2 milhões de toneladas, a recuperação dos preços da commodity não deverá vir já nos próximos meses. Quanto ao etanol, a chegada da entressafra, um período de recuperação de preços, ainda não é garantia de uma aceleração elevada. Isso porque a estocagem de etanol feita pelas empresas durante a safra e a potencial importação do combustível dos Estados Unidos podem segurar um pouco esse movimento de alta, segundos os analistas do Rabobank.

O café, em alta nos últimos meses, poderá até ter uma recuperação maior de preços. Isso porque o mercado está de olho na florada das lavouras brasileiras. As chuvas esporádicas de agosto provocaram uma antecipação da florada, mas as plantas não seguraram as flores. A quebra de safra no ano passado foi compensada pelos estoques das anteriores. Um nova quebra em 2015, no entanto, vai afetar o fluxo de exportações, elevando os preços.

Quanto à soja, a produção mundial de 311 milhões de toneladas supera o consumo de 284 milhões em 2015. Esse superavit permite uma recuperação dos estoques, que podem confirmar as quedas de preços no setor.

No caso do milho, os analistas do banco consideram que os EUA recuperam parte da fatia do mercado internacional, o que dificultará ainda mais a recuperação das exportações brasileiras, que já são menores neste ano do que as do anterior.

Outra notícia ruim para o mercado é que os estoques mundiais de algodão poderão beirar os 20 milhões de toneladas, atingindo um volume recorde e puxando os preços para baixo. A saída para o Brasil é a concretização das perspectivas de um bom desenvolvimento macroeconômico no quarto trimestre deste ano, aponta o Rabobank. 

Folha de S.Paulo, 23/10/2014

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